| Subindo a montanha |
![]() |
|||||||||||||||
| Passo os 21 km em 2h04, melhor do que na meia-maratona do Rio. Pela altimetria divulgada, faltam quatro quil�metros para o come�o da subida, em que vamos cruzar uma montanha para chegar ao ponto em que se v� o Atl�ntico e depois descer at� a �rea urbanizada e terminar na universidade. Na verdade, por�m, desde o km 19 enfrentamos pequenas ondula��es _coisa pouca, mas suficiente para uma certa queda de ritmo e, principalmente, para come�ar a martelar as panturrilhas e os quadr�ceps. � quando vejo pela primeira vez, de longe ainda, um sujeito que parece de origem japonesa, atarracado, fortinho, que carrega uma fl�mula com os dizeres: �Sure bronze - sub 6h�. Fiquei muito feliz de chegar pr�ximo a um dos ditadores oficiais de ritmo e confirmar que estava no bom caminho: apesar de meu objetivo ser terminar inteiro, tinha a ambi��o de completar em menos de seis horas e ganhar a medalha colorida de bronze (para os que ficam entre 4h30 e 6h; os primeiros dez levam ouro, os at� 4h30, prata, os de mais de 6h, azul). At� o km 25, o japon�s esteve na minha linha de vis�o, �s vezes uns 30 metros � frente, �s vezes bem menos, outras um pouquinho mais, mas circul�vamos na mesma batida. Foi quando come�ou a subida. Nada muito �ngreme, a princ�pio, mas constante e serpenteando morro acima, �s vezes com forte inclina��o lateral (como nos circuitos ovais de ciclismo), exigindo constante mudan�a de lado, na pista, para conseguir um terreno mais plano. Decidi dar uma segurada no ritmo, agradecendo ao trabalho do Ronaldo, que orientou o treinamento de muscula��o, que agora iria ser desafiado e posto � prova. O japon�s da fl�mula se desgarrou, j� n�o o via mais, tamb�m por causa das curvas. A guria de Pret�ria j� tinha se ido embora, mas, em compensa��o, os outros da turma haviam ficado para tr�s. As su��as, n�o via desde o 18, 19; os Irene e os de Durban, l� pelo 27 tinham ficado. Morro e calor derrubam a velocidade: quando chego aos 30, j� perdi quase dez minutos em rela��o � media de 6min/km. Llogo ou�o uma voz conhecida: �Brasileiro, vou passar�, diz o fulano; �Esteja � vontade�, respondo pro cara de Durban, que deixou sua dupla um pouco para tr�s. Fico acreditando que vou peg�-los na descida, que n�o est� longe. Antes dela, por�m, � preciso chegar ao topo. Com mais de tr�s horas na estrada, dobro uma curva e levo a ventania pelo lado. O pesco�o reage na hora, parece que vai dar um torcicolo, mexo a cabe�a, lembrando de quanto sofri em Big Sur (calif�rnia), no ano passado, e torcendo para o vento n�o ficar. Foi s� uma lufada, aparentemente. Talvez por causa do calor (a essa altura, mas de 22 graus, calculo, com o sol batendo firme nos costados), o vento encanado n�o provocou maiores problemas, al�m do susto inicial. Na outra curva j� estava tudo de volta ao normal: calor e uma certa brisa. |
||||||||||||||||
| Rodolfo lidera um pelot�ozinho a poucos metros do cume; abaixo, no in�cio da descida, com o Atl�ntico ao fundo |
||||||||||||||||
![]() |
||||||||||||||||
| A pr�xima curva leva ao �ltimo e mais �ngreme trecho antes do cume. Grupos de volunt�rios sa�dam e incentivam, batem palmas, um locutor anuncia o fim pr�ximo, diz que s� faltam 50 metros, vamo que vamo, voc�s est�o uma beleza, muito bom e assim por diante. Cheguei, paro para mais umas fotos e vejo � frente, ao longe, l� em baixo, o Atl�ntico. � hora de recuperar um pouco o terreno perdido. |
||||||||||||||||
| Continua | ||||||||||||||||
| �ndice | ||||||||||||||||