| Rodolfo Lucena | ||||||||||||||||
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| Correndo rumo ao ponto mais alto do percurso | ||||||||||||||||
| Conhe�a minha turma |
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| Antes das montanhas, o mar. Com cerca de 1h20 de corrida, chegamos �s margens do oceano �ndico. Em alguns momentos, a estrada corre logo acima; em outros, h� ainda uma linha de trem entre n�s e as ondas. No trecho em que n�s passamos, n�o vemos grandes praias. Uma delas � t�o pequena que parece destinada apenas a ser o playground das crian�as que freq�entam a escola praiana. Mas n�o d� para pensar muito nisso, porque a montanha � nossa frente est� mais pr�xima. A essa altura, meu ritmo j� se estabilizou, vem melhorando a cada quil�metro, ficando agora em m�dia um pouco abaixo dos 6min/km (a primeira vez que minha m�dia chegou a esse patamar foi no km 13). O percurso � praticamente plano, depois de uma subidinha logo no in�cio da prova, e d� para ir tranq�ilo, conversando. De modo geral, os corredores em volta parecem tamb�m dispostos a seguir naquele mesmo passinho. N�o puxo conversa com ningu�m, mas respondo sempre aos cumprimentos: muita gente quer saber de onde sou (no meu n�mero est� escrito �international�), sa�dam o Brasil, Ronaldinho e por a� vai. Todos incentivam, � bem legal. O grupo que est� mais f�cil de identificar � formado por dois corredores de Durban, com camiseta branca e laranja/rosa fosforescente ou sei l� que cor; um pouco atr�s, � esquerda, um trio de um sujeito bigodudo, mais gordinho, e duas mo�as, uma quarentona e outra mais jovem, todos uniformizados em verde em branco, com o nome Irene nas costas, o que d� motivo para goza��es com o gordinho. |
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| Eu fico mais ou menos no meio; atr�s dos dois de Durban, que s�o os mais brincalh�es, uma dupla feminina su��a corre em modelitos que lembram os das meninas do v�lei de praia brasileiro. Consistentemente na frente desse grupo, mas sem se desgarrar muito, uma jovem loirona grandona, de �culos de arma��o preta e camiseta de Pret�ria (capital administrativa do pa�s). Essa � a minha turma. Outros corredores passam, voltam, a gente passa por eles. Uma senhora de seus 60 anos, Christine, ostenta nas costas da camiseta um galard�o com seu n�mero definitivo bordado em prata, indicando que j� correu muitas vezes por aquelas montanhas, chegando ao fim, por pelo menos tr�s anos, em menos de 4h30. Um senhor tamb�m sessent�o corre com uma enorme pena amarrada � cabe�a e leva na camiseta as marcas da gl�ria: n�meros em pano da Two Oceans e da Comrades mostrando que j� completara 12 vezes o terr�vel desafio de quase 90 quil�metros. �Pode vir com a gente, vamos ficar em seis por quil�metro�, diz um dos caras de Durban para as garotas su��as. Eu fiquei s� ouvindo, mas em sil�ncio recomendo aos caras que � muito cedo para dizer quem vai chegar quando. Passo um pouquinho, s� para ver no que d�, eles emparelham, fica tudo igual. Chegamos � montanha, mas n�o vai ser para subir. � s� contornar pela esquerda, num caminho que segue plano. J� s�o mais de 18 km, estou a menos de 6min/km e mantenho a freq��ncia em menos de 150 bpm. Agora a paisagem � mais agreste, ainda que vejamos casas de vez em quando. Mas a subida vai come�ar em breve. |
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| Continua | ||||||||||||||||
| �ndice | ||||||||||||||||