| Aquecendo o motor |
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| �Eleonora, eu te amo!�, foi a �ltima frase que gritei antes de cruzar a linha de chegada, depois de 56 quil�metros corridos, caminhados, chorados, conquistados nas montanhas, vales e plan�cies da Maratona de Dois Oceanos, sob o sol de mais de 30 graus que iluminou o dia 30 de mar�o de 2002 na Cidade do Cabol. Meu grito foi de paix�o e agradecimento por quem acompanhou, inspirou, reclamou, incentivou, organizou postos de abastecimento em long�es, sofreu e se divertiu ao longo dos cinco meses de treinamento que me levaram at� o fim de minha primeira ultramaratona. O dia come�ara cedo para n�s. O despertar foi �s 4h, no hotel Cullinan, que tamb�m abrigou naquele fim de semana o corredor sul-africano Daniel Redebe, ex-colega de Ronaldinho e nono lugar na Two Oceans h� seis anos. Tomamos o caf� no quarto: duas fatias de p�o para cada um (a Eleonora, que parecia mais agitada que eu, mal comeu os dela), banana e ch� de camomila. Botei a roupa de corrida, incrementada por sensacionais meias alem�s de design especial (acompanha o formato de cada p�) compradas na boa feira que antecedeu a maratona. Vesti o agasalho, coloquei a pochete com seis sach�s de carboidrato em gel, a outra com a c�mera fotogr�fica, e sa�mos. O t�xi contratado estava l� e nos levou em boa velocidade por um percurso de largas avenidas at� a entrada da Universidade de Cape Town, onde come�ou um engarrafamento que j� bateu nos nervos. |
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| Eleonora e eu na entrada de meu potreiro, antes da corrida | ||||||||||||||||
Mas pouco depois das cinco chegamos pr�ximo ao campo de futebol onde seria a chegada e de onde, supostamente, sairiam �nibus levando os corredores para a largada. Nana-nina. N�o se via �nibus em lugar algum, e resolvemos acompanhar o fluxo de corredores que seguiam agitados para a �rea de largada. Mais nervoso fui ficando eu, caminhando pelo campus, saindo, entrando noutra avenida, tudo escuro, e a maldita largada n�o aparecia. Estava l�, claro, na Main St em Newlands, uma avenida larga, mais ou menos como a Consola��o, mas sem o canteiro central e ladeada de �rvores (a cidade � muito arborizada). A �rea de concentra��o ficava a cerca de tr�s quil�metros do ponto de chegada, onde t�nhamos desembarcado do t�xi. Tudo bem. Encontrei o meu potreiro, marcado com a letra E, para corredores que tinham completado maratonas em menos de 4h10, e fiquei por l� com a Eleonora. J� tinha colocado o agasalho na mochila e passado vaselina nas coxas e embaixo do bra�o. Fui conferir as filas dos banheiros, estavam grandes demais, fiz o que tinha de fazer por ali mesmo e voltei para a foto final antes da despedida. |
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Entrei na �rea de concentra��o com menos de dez minutos para a largada. Assim como o meu grupo, os outros estavam bem organizados. O nervosismo no ar e a concentra��o de todos eram percept�veis, mas n�o havia bagun�a nem empurra-empurra apesar de a multid�o somar quase 10 mil pessoas. Um locutor anunciava o tempo que faltava. Com dois minutos, a massa se compactou mais, cada um p�de dar uns cinco, seis passos � frente. Com um minuto, foram derrubadas as cordas que separavam os potreiros, algu�m tocou uma corneta, mas n�o era o sinal. Ainda compactamos mais, eu j� conseguia at� ver a faixa verde onde a palavra Start estava escrita com letras brancas. Foi! Ao som da m�sica-tema de �Carruagens de Fogo�, a massa come�ou a se mover. Caminhei alguns segundos, mas logo comecei a abrir a passada, dei formato de trote ao passo muito mais cedo do que em provas da Corpore e sem qualquer compara��o com a S�o Silvestre. Passei pela faixa de largada cerca de 1min20 depois do tiro e acionei meu cron�metro. Agora, sim, come�ava minha jornada. |
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| Continua | ||||||||||||||||
| �ndice | ||||||||||||||||