| Fervendo em Paraty |
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| Ao longo de nossos treinos, �s vezes participamos de uma corrida de verdade para fazer uma avalia��o do desempenho, do ritmo, da concentra��o etc. No domingo 24 de fevereiro, participei de uma suposta meia-maratona em Paraty, no Rio de Janeiro, que tinha apenas 18,2 km. Foi um bom teste, mesmo assim. |
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| Logo quando fui pegar meu n�mero, no s�bado, vi que era pequeno o n�mero de inscritos, pouco mais de 200, mas me pareceu um bom grupo, com destaque para a participa��o de masters e seniores, especialmente). N�o tenho dados, mas calculo que havia um percentual expressivo de "velhinhos", que botaram para quebrar, correndo um monte (conheci um senhor recordista dos 400 metros com barreira em sua categoria). A prova come�ou MUITO atrasada, considerando o tamanho e a pot�ncia do sola�o e, especialmente do morma�o. Considero maluquice largar naquelas condi��es (mais de 90% de umidade relativa do ar). E a Iaaf, que dirige o atletismo mundial, recomenda a suspens�o da prova (veja aqui texto do dr. Henrique Vianna a respeito). Parece que o suor cria uma pele extra, impedindo que ocorram as trocas de temperatura (ou sei l� o nome que isso tem) e transformando o corpo numa estufa viva. � animal! Comecei leve e alegre e achando que estava correndo uns 10 km, ou pelo menos fazendo o ritmo de 10 k. Segui assim, a 5min10/km, at� o quarto km, quando ca� em mim e vi que estava fazendo besteira. Fui reduzindo aos poucos (afinal, estava ali supostamente treinando para o ritmo que teria na Two Oceans). J� eram 9h45 e o sol estava pegando, com a gente correndo na estrada aberta, com praticamente sombra nenhuma e ainda fazendo um percurso meio encabritado, com altos e baixos. Nada muito �ngrime, mas exigindo esfor�o a mais, claro. Mais meia hora e fiz um pit stop diur�tico. Foi quando, pela primeira vez em uma corrida, pensei em parar. Meu corpo estava fervendo, do asfalto vinha um vapor que queimava, o ar era um bafo quente, o vento n�o existia. Eu n�o precisava passar por aquilo, era desumano. Mas me xinguei, me disse que n�o ia passar vergonha, ainda mais numa provinha curta daquelas, 18 km, dos quais j� tinha feito a metade. Se eu parasse ali � porque n�o tinha estofo para ir a Two Oceans, que barbaridade, h� dois dias tinha feito 30 km sem nem dar bola. N�o parar, n�o reduzir, n�o ceder, n�o desistir. |
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| Nos 12 km marquei 1h12, exatos 6min/km, j� sofridos. Dos 12 aos 14, fiz meu pior tempo (pelo menos, que eu consegui medir), levei 13 minutos para fazer dois quil�metros. Foi quando a prova mudou para mim. Repeti meu lema (n�o ceder, n�o parar, n�o desistir etc) e ainda resolvi que, como s� faltavam quatro, dava para tentar recuperar o tempo perdido. Fui acelerando. At� ent�o s� vinha sendo ultrapassado. Continuei sendo passado por muitos, mas comecei a marcar metas e advers�rios e, pouco a pouco, ia chegando neles. Nos 16 km, �ltimo posto de �gua, chego e j� acabou a �gua. Um casal na minha frente tinha carregado os dois �ltimos copos. Por sorte, o cara percebeu e me passou um copo. Tomei um gole e mandei para quem estava atr�s de mim. Segui no ritmo, mais um km, a� so faltava um. Logo passei um grupo de tr�s (inclusive um sujeito que estava todo de vermelho, mas n�o era colorado) sem precisar correr a toda, passei tamb�m por um que estava caminhando e a�, entre mim e a chegada, s� havia uma dupla l� na frente. Ent�o liguei o turbo! Coisa boa! Eu j� vinha cuidando os caras, mas achava que n�o ia dar. Mas, s� for�ando o ritmo, tinha chegado mais perto e parece que as coisas poderiam mudar, seu eu corresse. Corri! Abri a passada com um doido, erqui o peito, mexi os bra�os e FUI. Passei por eles faltando menos de 30 metros e comecei a berrar de emo��o e alegria. Ainda deu tempo de ver a Eleonora, que me esperava, e gritar meu amor por ela. Com certeza, n�o foi a chegada mais r�pida, mas talvez a mais barulhenta.Adorei. N�o senti dor nenhuma nas pernas nem no calcanhar nem no mingo nem tive bolhas. Queimei um pouco atr�s do pesco�o (�nica �rea que n�o tinha encharcado de sundown, achando que a camiseta do Gr�mio e os cabelos fossem proteger). Na segunda-feira, senti o ventre dos dos quadr�ceps, mas aos poucos a dor est� sendo enfrentada e superada. Foi um bom treino, uma satisfa��o encontrar novos amigos e uma emo��o vencer o sentimento de derrota, o des�nimo, o sofrimento, transformando tudo em for�a, disposi��o e velocidade. |
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