SOFRIMENTO

O ser humano � capaz de abandonar tudo menos o sofrimento. � a �ltima coisa que quer perder, pois proporciona-lhe uma falsa sensa��o de seguran�a, de consist�ncia, de unidade. Se quisermos avan�ar no nosso trabalho de transforma��o, devemos abandonar o sofrimento desnecess�rio. Por outro lado, existe outro tipo de sofrimento que nos fortalece e que � �til para o nosso crescimento interior: o sofrimento volunt�rio ou consciente. � importante saber diferenciar estes dois tipos de sofrimento.

Do ponto de vista do nosso trabalho, se a aspira��o � o despertar, ent�o o sofrimento desnecess�rio � o que impede o nosso desenvolvimento, ou pelo menos, n�o nos ajuda muito. Pelo contr�rio, o sofrimento consciente ou volunt�rio � sempre �til para o despertar.

Sofrimento desnecess�rio:

Frequentemente este tipo de sofrimento est� relacionado com a considera��o interna e com a identifica��o.

Por exemplo:

  • A tua equipa favorita perde numa grande final.
  • Cometeu um erro e sentes-te realmente mal.
  • Terminas-te uma rela��o afectiva e apegaste �s memorias dos momentos que vivestes juntos.
  • Algu�m te disse algo que n�o gostas.
  • Passaste-te com o �lcool sabendo do mal-estar posterior.
  • N�o consegues algo que desejas.

Em todos estes casos est�s identificado e � preciso abandonar o sofrimento. � o sofrimento que te prende � auto-compaix�o, � considera��o interna e que n�o te ajuda no crescimento.

Sofrimento volunt�rio ou consciente:

� um tipo de sofrimento que n�o tem a ver com o lamentares-te ou impores experi�ncias dolorosas a ti mesmo, nem tem a ver com a auto imposi��o de danos f�sicos. Estes m�todos s�o v�lidos para algumas religi�es ou caminhos, mas n�o s�o v�lidos para o nosso.

O sofrimento consciente � �til para as tuas aspira��es imediatas. Por exemplo, tens que atravessar uma zona cheia de gente e acreditas que te v�o olhar. Podes escolher outra rua e libertares-te, assim, da vergonha ou tamb�m podes utilizar esta situa��o como t�cnica de auto-observa��o e de identifica��o. Outro exemplo poderia ser, comprares algo que, ao chegar a casa percebes que tem defeito. O sofrimento desnecess�rio seria n�o o trocar, com medo do que te possam dizer ou por timidez. O sofrimento n�o mec�nico seria, neste caso, troc�-lo apesar do que se possa passar ou do que possam dizer, observando tudo o que sucede dentro de ti, recebendo as impress�es e trabalhando com os estados interiores.

Pequenas situa��es deste tipo sucedem continuamente ao longo do dia, situa��es que se convertem em oportunidades claras de auto-observa��o. Por exemplo, outro dia fui comprar um calend�rio. Na loja a que fui n�o havia nenhum, excepto uns que o caixa oferecia. Eu queria um, mas que pensariam de mim se lhe pedisse, sem comprar nada? Nesta situa��o, o pedir requer um certo grau de sofrimento, uma certa humildade e a aceita��o do que �s.

Existem sofrimentos volunt�rios ou conscientes apropriados a cada tipo de pessoa. At� que n�o vejas onde realmente est�s, n�o te podes mover para um s�tio melhor.

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