AUTO-OBSERVA��O

A AUTO-OBSERVA��O � a chave para o AUTO-CONHECIMENTO.

Atrav�s da auto - observa��o o homem compreende a necessidade de se transformar. E, ao observar-se, ele percebe que a auto-observa��o, por si s�, ocasiona determinadas modifica��es em seu funcionamento interior. Come�a a entender que a auto-observa��o, constitui instrumento de autotransforma��o, um meio de despertar. Observando-se, ele lan�a, por assim dizer, um raio de luz em seu funcionamento interno. E, sob influ�ncia dessa luz, o pr�prio funcionamento come�a a modificar-se.

George Gurdjieff

A auto-observa��o � um poderoso m�todo n�o s� para realizar um estudo de n�s mesmos, mas tamb�m como trabalho para a transforma��o de si. � a melhor aproxima��o para come�ar uma rela��o completamente nova com n�s pr�prios. A observa��o de si, tal como a descreve Gurdjieff, � um caminho �ntimo para a nossa pr�pria mente, corpo e esp�rito que nos permite experimentar novos n�veis de consci�ncia, harmonizando assim as nossas vidas.

Gurdjieff disse que devido aos nossos condicionamentos e � educa��o, a maioria de n�s vive uma vida mec�nica e comum. Inconscientes do nosso potencial real, nossa ess�ncia, passamos a vida identificados com a personalidade, com a imagem criada de n�s mesmos e com qualquer pensamento sensa��o, sonho ou emo��o que capta nossa aten��o num determinado momento. Vivemos a ilus�o de sermos os mestres das nossas vidas devido a que pomos a sensa��o do "eu" r�pida e mecanicamente em cada impulso que aparece, especialmente naqueles que apoiam a imagem que temos de n�s mesmos. Desta forma n�o somos conscientes de nossa fragmenta��o interna, de nossa car�ncia de vontade e elei��o como resultado da dita fragmenta��o.

Perdemo-nos a n�s pr�prios a cada momento da nossa vida, longe de estar em contacto com a totalidade que nos pertence. A vis�o de Gurdjieff sobre a auto-observa��o prev� um ponto de partida excelente para todo aquele que pesquisa um entendimento mais profundo de si mesmo.

O esfor�o do Trabalho � o observar-se a si pr�prio tal como se �, tentando ser testemunhas, estar presentes em qualquer coisa que suceda no momento. Deve-se tentar descobrir em n�s mesmos uma aten��o que possa ilucidar se o que estamos experimentando no momento � um pensamento, uma sensa��o, um sentimento, ou a combina��o destas ou de outras fun��es. Devemos tentar observar nossa identifica��o com os h�bitos, incluindo os sonhos, a imagina��o, a charla interna, etc., e verificar a nossa car�ncia de unidade interna. Na inten��o de auto-observa��o que a mi�do requer ir contra os h�bitos para v�-los mais claramente, � importante recordar n�o julgar ou analisar o que vemos.

De acordo a Gurdjieff, o ju�zo ou a an�lise conduz-nos para dentro de um circulo vicioso de identifica��o com o conte�do de nossa consci�ncia, especialmente com nossas pr�prias reac��es ao que observamos, consumindo assim a aten��o dispon�vel para continuar com o trabalho da observa��o. Se, apesar das nossas melhores inten��es, aparece o dito ju�zo ou analises, este deve ser inclu�do no trabalho de auto-observa��o. O Trabalho convida a ser um cientista cujo objecto de observa��o somos n�s mesmos.

A observa��o de si deve abarcar, n�o s� o processo mental ou psicol�gica, mas tamb�m os processos e energias do corpo f�sico. Segundo Gurdjieff, o EU SOU, nossa presen�a real, s� pode despertar ao enraizar a nossa consci�ncia na sensa��o viva do corpo. A observa��o de si depende finalmente da abertura a uma energia superior, a uma consci�ncia mais alta e isso come�a com a manuten��o volunt�ria da aten��o dispon�vel em n�s sobre o nosso pr�prio estado som�tico no momento. Gurdjieff deixa claro que s� quando a nossa aten��o vulgar est� activamente ocupada em experimentar o momento presente � que a consci�ncia desta energia superior pode aparecer, uma energia que nos relaciona simultaneamente com o nosso mundo interno e externo.

Para tal, o ponto inicial da auto-observa��o deve ser o conjunto da sensa��o corporal. E � atrav�s desta sensa��o que podemos discernir os diferentes movimentos e energias de nossas pr�prias fun��es internas. Sem a estabilidade desta sensa��o, os esfor�os no trabalho da observa��o de si se tornam rapidamente em identifica��o com tudo o que passa atrav�s de n�s.

Auto-observa��o e n�veis de sensa��o: a sensa��o pode ser experimentada em diferentes n�veis dependendo do grau de aten��o e relaxamento de cada um.

    Estes n�veis s�o:

  • A sensa��o autom�tica e superficial das dores.
  • A sensa��o mais subtil da temperatura, do movimento e do tacto.
  • A sensa��o de formigueiro da totalidade da pele.
  • A sensa��o compacta do peso e da forma do corpo.
  • A sensa��o vivida da estrutura interna da fasquia, m�sculos, �rg�os, ossos, etc, incluindo as ten��es.
  • A sensa��o vibrante e integradora dos campos energ�ticos do corpo e os circuitos que conectam todas as fun��es do ser.
  • A sensa��o profunda e compassa de espa�o e sil�ncio que se encontra no cora��o do nosso ser som�tico. Esta � uma etapa crucial no trabalho de auto-observa��o porque s� experimentando a sensa��o como ambos, espa�o e sil�ncio, � que podemos abarcar a totalidade de n�s mesmos. � neste "abarcar" que come�a a transforma��o de cada um.

No entanto, para algumas pessoas que realizam este Trabalho de observa��o de si, a observa��o de seu corpo raramente vai mais al�m da projec��o mental da sensa��o. Para outras, envolve s� a sensa��o da pele ou das tens�es mais superficiais. Tudo isto � compreens�vel porque ir mais profundo dentro de nosso organismo significa abrirmos a nossa vida interna, �s for�as reais que nos movem. Estas for�as incluem, n�o s� as nossas aspira��es, esperan�as ou potenciais mais profundos, mas tamb�m o medo, a pena, a ansiedade, a dor e o trauma que ressoa na complexa inter-rela��o de nervos, ossos, m�sculos e v�sceras que chamamos nosso corpo.

Apesar de que o m�todo de observa��o de si � uma poderosa ferramenta de auto-estudo, a aprendizagem de nos abrirmos a n�s pr�prios tem mais a ver que a aplica��o de t�cnicas ou exerc�cios. Precisa-se de conhecimento, sinceridade e sensibilidade. Temos pouca consci�ncia directa das opera��es do nosso c�rebro e sistema nervoso, exceptuando seu reflexo nos tecidos, estruturas e movimentos do nosso corpo. Geralmente, a pratica da aten��o dificilmente vai para al�m das zonas mais superiores de tecidos, �rg�os e m�sculos condicionados por anos de inconsci�ncia, negatividade e mal uso. O corpo, em especial os �rg�os internos, converteram-se gradualmente em armaz�m cheio de experi�ncias n�o digeridas e impress�es dif�ceis de confrontar. Num acto de sobreviv�ncia, o nosso sistema nervoso fecha a portas a estas experi�ncias atrav�s de uma esp�cie de amn�sia org�nica. Mas mant�-las fechadas consome uma enorme quantidade de energia e desarmoniza n�veis profundos do nosso ser.

Auto-sensar e escuta

Na pr�tica da auto-observa��o � importante saber at� onde parece parar a aten��o, at� onde n�o pode ir mais al�m. Isto � poss�vel atrav�s do chamado "auto-sensar", uma classe de ver e escutar internamente na qual, cada um come�a com a sensa��o e receptividade nos olhos e ouvidos, incluindo as impress�es que estes recebem, e permitindo esta sensa��o e receptividade expandir-se gradualmente atrav�s de todo o corpo. Esta expans�o deve incluir os nossos m�sculos volunt�rios e o esqueleto, assim como o cora��o, pulm�es, diafragma, os �rg�os digestivos, os genitais e outros. � nestes lugares onde se mant�m os padr�es mais profundos das nossas energias, a fonte real da nossa conduta. Aqui se reflectem tamb�m as manifesta��es f�sicas (especialmente as ten��es desnecess�rias e contrac��es que, como Gurdjieff disse, consomem a energia necess�ria para o Trabalho) de todas as nossas barreiras � totalidade.

Atrav�s de sentir estas manifesta��es abrindo-as tal como estiverem, ao alcance da nossa aten��o, poderemos come�ar a ver e transformar essas experi�ncias e impress�es tanto do passado como do presente que est�o fecharam longe do alcance de nossa consci�ncia.

Realizando este Trabalho de auto-sensar, � importante aproximarmo-nos a n�s mesmos com suavidade. Levou muitos anos a ser o que somos hoje. E � quase imposs�vel ver ou romper as nossas barreiras (buffers) � totalidade pela for�a ou imposi��o. Tamb�m, segundo Gurdjieff, libertarmo-nos de todas estas barreiras ou buffers de repente, poderia ser uma experi�ncia intoler�vel que nos levaria a viver num caos, devido a que ver�amos de repente como somos na realidade. O que se necessita � uma abertura sem for�ar o que estamos vendo no momento, um profundo movimento interno de receptividade para qualquer coisa que apare�a.

Pode parecer imposs�vel a nossa consci�ncia conseguir ultrapassar uma barreira ou ir mais al�m. Devemos retirar-nos um pouco e permitir que a sensa��o desta barreira seja mais profunda. Quando trazemos a aten��o � sensa��o pr�via de facilidade, o sistema nervoso pode relaxar um pouco de seu controlo e algumas das ten��es podem come�ar a dissolver-se por si mesmas. Podemos tamb�m permitir que a aten��o se mova para partes de n�s pr�prios que estejam mais livres e relaxadas. Ent�o, simplesmente permitimos que esta sensa��o de facilidade e conforto se expanda �s partes do corpo que est�o mais tensas. Enquanto algumas das tens�es mais superficiais come�am a dissolver-se, � poss�vel observar n�veis org�nicos de tens�o mais profundos e sentir as emo��es e as experi�ncias associadas com elas.

Assim, pode-se compreender que a chave do auto-conhecimento e da auto-tansforma��o se encontra em nossos sentimentos e emo��es. Gurdjieff deixa claro que nossos sentimentos e emo��es s�o os cavalos que conduzem a carruagem do nosso corpo. Eles d�o forma e reflectem as nossas rela��es e atitudes para n�s pr�prios e para o mundo. � medida que continuemos com este trabalho de auto-sensar, poderemos ver que certos tipos de sentimentos nos estimulam, permitindo que nossa consci�ncia se mova livre no organismo, enquanto que outros se fecham, deixando a consci�ncia e as impress�es fora. Podemos tamb�m compreender que a observa��o e estudo real das emo��es n�o s�o um processo mental ou psicol�gico, mas sim f�sico.

Que o m�todo de auto-observa��o seja um caminho �ntimo s� � poss�vel se estivermos realmente dispostos a expormo-nos a n�s pr�prios. O que se necessita, disse Gurdjieff, � sinceridade interna. Mas esta disposi��o a expor-se, a estar presentes a n�s pr�prios, necessita do apoio de condi��es especiais e de pessoas que possam ajudar-nos a voltar ao nosso lugar verdadeiro sobre esta terra, o nosso corpo. � necess�rio abrir as portas de cada habita��o, entrar nelas e ilumin�-las. Isto n�o � f�cil, mas � poss�vel. Devemos recordar que s� atrav�s da sensa��o viva, "respirat�ria" da totalidade de n�s mesmos � que podemos viver de forma mais consciente e harm�nica. Esta sensa��o livre de ser restringida por atitudes emocionais inconscientes que actuam sobre os nossos m�sculos e �rg�os, � em si mesma a sensa��o de vida, para al�m do espa�o e do silencio que se encontram em seu cora��o.

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