Diácono Belzebu na Web
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Autor: Diácono Belzebu Por
muitos anos, eu fui uma pessoa cristã, nasci católico por falta de opção, em
seguida fui convertido ao cristianismo evangélico, já vivi fases nas quais fui
um religioso dos mais fanáticos. No entanto, eu jamais havia parado para pensar
e questionar a minha própria fé. Para
muitos, é motivo de espanto eu ter aderido ao ceticismo de uma forma tão
convicta. Posso ser considerado até mesmo uma espécie de "aberração".
Por isso, resolvi escrever um artigo falando sobre os motivos os quais me
fizeram desistir do cristianismo e adotar novas filosofias de vida. Gostaria
de deixar bastante claro que eu não sou uma espécie de "pregador do ateísmo",
ateísmo para mim não é religião nem ideal de vida, é apenas uma convicção,
a qual nada influi em minha vida pessoal. O objetivo deste artigo não é
divulgar o ceticismo, eu apenas gostaria de esclarecer minha posição em relação
à religião cristã, e se alguém desejar comentar ou saber algo mais sobre as
minhas opiniões, escreva-me. Faço
agora uma pergunta básica para qualquer ser humano: Deus existe? Apesar da
maioria das pessoas afirmarem que SIM, faltam evidências. A existência do Deus
cristão é uma simples questão de fé, e tal fato jamais pode ser questionado.
Isso eu considero inadmissível, eu não acho seja muito normal ou racional que
uma pessoa acredite gratuitamente em um relato, o qual pode ter acontecido ou não
a milhares de anos atrás, sem que haja evidência alguma. A crença na existência
do Deus cristão não se apóia na razão e muito menos é comprovada por fatos.
Há uma minoria de cristãos os quais afirmam ter uma experiência pessoal com
deus, mas não podem comprová-la. Ainda
assim, cristãos, assim como os demais teístas, criam inúmeros argumentos para
tentar provar a existência deste ser. Um dos argumentos mais usados para se
provar a existência do Deus cristão é o da origem do mundo, afinal eles
dizem: "como pode o mundo ter surgido do acaso? Deve ter havido algum
criador". A criação é o grande argumento usado para provar a existência
de Deus. No entanto, é um argumento de certa forma facilmente questionável,
pois é baseado naquela velha premissa: "tudo tem que ter uma causa".
Em seguida ainda concluem de forma bastante contraditória: "Deus não tem
causa". Ora, não se pode afirmar as duas coisas ao mesmo tempo, pois se
tudo tem que ter uma causa, não pode haver uma causa inicial. A aceitação da
primeira premissa gera a seguinte pergunta: "Se tudo o que existe tem que
ter uma causa, então qual é a causa de Deus?". Se é possível existir um
Deus incausado, então também é possível existir um Universo incausado. A
grande falha do homem é achar que se pode ter resposta para tudo, quer saber a
razão e a causa de todas as coisas, deseja saber de onde viemos, para onde
vamos, mesmo que para isso se busque o caminho mais curto. E o caminho mais
curto para se obter tais respostas é o da religião, pois as respostas já estão
todas prontinhas, não é necessário nem ao menos pensar, basta crer, a
doutrina explica tudo, mesmo sem ter nada que comprove aquilo que se prega. Mas
será que o simples fato de estar escrito em um livro considerado pelos cristãos
sagrado e divino prova tudo? Estar escrito não prova nada, os cristãos vivem
dizendo que a bíblia explica(?), que a bíblia é a palavra de Deus(?), afirmações
estas jamais comprovadas, apenas pregadas. Tudo
me leva a acreditar que doutrinas que explicam os acontecimentos passados,
presentes e futuros não passam de meras invenções. O ser humano se angustia
com o fato de não saber de onde vem e para onde vai, e assim, se sente no
direito acreditar em qualquer versão ou até de criar a sua própria versão.
As mais diferentes religiões relatam suas versões para os acontecimentos em
livros: o espiritismo tem a sua versão, o hinduísmo também, assim como o
islamismo, e até o tal do cristianismo! Existem várias versões diferentes
para a grande questão existencial, no entanto, nenhuma das respostas é
comprovada. O fato de são se ter resposta para tais questões não dá aos
homens o direito de se inventar histórias para tentar explicá-las. Até aonde
se realmente sabe, todos os livros religiosos foram escritos por homens mesmo, e
nenhum deles tem inspiração divina verdadeiramente comprovada, inclusive a bíblia.
Aliás, para o cristão autêntico, a tal prova real da divindade da bíblia é
completamente dispensável, o fato da bíblia testificar de si mesma é mais do
que suficiente para que ele diga: "Eu creio!" e pronto. E
por falar na bíblia, anos e anos de leitura da bíblia, mesmo durante o período
em que eu professava a religião cristã, me fizeram questionar o próprio conteúdo
dela. A explicação criacionista segundo do Gênesis bíblico é algo no mínimo
absurdo. A bíblia afirma que a humanidade veio de um único casal: Adão e Eva,
hipótese essa que já pode ser descartada pelo simples fato de que isto
impossibilitaria a diversidade de raças entre os povos a qual existe nos dias
de hoje. Se Adão e Eva fossem brancos, jamais dariam luz a negros ou índios, e
mesmo se, por exemplo, Eva fosse loira estonteante com um belo par de olhos
azuis e Adão um baita negão, ainda assim uma das raças ficaria de fora. Mesmo
assim, ainda existem cristãos que admitem a possibilidade de tal diversidade
entre os povos ter acontecido com a evolução da raça humana e a sua
capacidade de se adaptar aos mais diferentes ecossistemas da terra. Mas se os
cristãos são capazes de aceitar tal fato, então por que não aceitar também
a Teoria da Evolução de Charles Darwin? Os
absurdos não acabam aqui, e quanto ao suposto paraíso no qual Adão e Eva
viviam? A bíblia afirma que Deus disse a Adão e Eva: "mas da árvore do
conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela
comeres, certamente morrerás" (Gn 2:17). Quanta misericórdia, quanta
bondade deste deus onibenvolente que "advertiu adão"... A questão
que faço agora é: o que aquela tal árvore estaria fazendo ali, por que deus a
colocou? Não seria mais fácil o tal deus não a ter colocado a tal árvore e
pronto? Onde está a bondade de deus em testar seus filhos apresentando aquilo
que é ruim? Gostaria de fazer a seguinte analogia, vamos supor o seguinte:
temos um papai crente, que está educando o filho segundo a "palavra de
deus", no entanto, ele compra um pacote de maconha e deixa no meio da sala
e diz para o filho: "mas deste pacote de maconha não fumarás, pois no dia
em que fumares, certamente morrerá". Isso é um tremendo absurdo, não é?
No entanto, foi exatamente isso que a bíblia afirma que deus fez com o homem,
podemos comparar a tal árvore do conhecimento do bem e do mal ao pacote de
maconha que o pai colocou no meio da sala para tentar o filho. Eu
considero a misericórdia e a bondade do Deus cristão, tão pregada por seus
seguidores, algo absolutamente questionável, pois qual deus onipotente e
infinitamente bom permitiria a existência do demônio e criaria o próprio mal?
A bíblia diz: "Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o
mal; eu sou o Senhor, que faço todas estas coisas" (Is 45:7). A bíblia
cita deus não apenas como o criador, mas também como o feitor do mal. Não
quero dizer com isto que a luz da bíblia o Deus cristão é um deus plenamente
mau, não é isso. O deus que a bíblia prega é um deus bastante temperamental
e vingativo, que reage segundo seus impulsos e é capaz de fazer aquilo que é
bom ou o que é mau, dependendo da situação. O Deus bíblico já promoveu
verdadeiros extermínios em nome do ideal vaidoso de que ninguém deve adorar
outro deus e não pode cometer deslizes, tais atitudes podem ser consideradas
boas e misericordiosas? É inadmissível para mim aceitar o fato de quem um deus
dito infinitamente bom é capaz de permitir a existência do próprio demônio,
deixando que o mesmo perturbe suas criaturas, criaturas as quais Ele mesmo
sempre demonstrou sentir amor, ódio, misericórdia e desprezo, dependendo da
ocasião. Para
mim, o evento mais questionável do cristianismo é justamente aquele que é
considerado símbolo do mesmo: O Sacrifício de Jesus. A bíblia afirma no
Antigo Testamento que a cada ano, um cordeiro sem defeito era sacrificado para
perdão de pecados do povo. O Novo Testamento nos mostra o grande "plano de
Deus" para a redenção da humanidade: Deus enviou o filho unigênito para
ser sacrificado de forma definitiva, em uma atitude de misericórdia(?) para com
a humanidade, um ato muito nobre(?) por sinal, afinal "QUAL DEUS SERIA
CAPAZ DE MANDAR O PRÓPRIO FILHO PARA SER MORTO PELA HUMANIDADE??", quanta
nobreza(?), quanta honra(?)... É muito fácil o cristão falar do evangelho bíblico
para uma pessoa que aceite sem questionar a historinha do "Jesus morreu
para te salvar" e a pessoa se derramar em lágrimas de arrependimento. Mas
se o plano de Deus era mostrar a humanidade como ela pode se redimir, então por
que ele simplesmente não se dispôs a perdoar quem o aceitasse e pronto? Pra
que a necessidade do sacrifício? Afinal, qual era a real necessidade do sacrifício
de Jesus? Vou até mais fundo um pouco na pergunta: Pq o tal deus bíblico,
deste o Antigo Testamento, só perdoava mediante o derramamento de sangue? Qual
a necessidade do sacrifício de um cordeiro como ritual de perdão?
Sinceramente, eu não entendo, e não aceito também. Quando eu quero desculpar
ou perdoar alguém, eu simplesmente perdôo e pronto, eu não preciso exigir que
alguém sacrifique um gatinho ou um animal de estimação para perdoar.
Sacrificar o próprio filho para perdoar não é um ato nobre, é um ato cruel e
insano. Indagações
como estas, as quais nenhum cristão jamais me respondeu de forma convincente,
levam-me a considerar os fundamentos da doutrina cristã bastante questionáveis.
Pois se baseia em uma doutrina revelada(?) e em um sacrifício redentor que, ao
meu ver, é cruel e desnecessário, cujo valor é, na melhor das hipóteses,
muito duvidoso, e sem falar que a ressurreição do tal cristo sacrificado é
fato não comprovado. E tudo isso é exposto em uma coletânea de relatos
desatualizados, considerados sagrados(?) e perfeitos(?), pois foram inspirados
por Deus(?), coisa que, é bom que se repita, jamais foi comprovada. O
grande problema é que tudo isso está na Bíblia, considerado por aqueles que
crêem no cristianismo como o livro dos livros e cuja infabilidade seus
seguidores não questionam, pois é a "palavra de Deus" e pronto. Então
surge outro problema: quem se converte ao cristianismo tem que jogar a lógica
na privada e fazer de conta que é idiota, dizendo acreditar em tudo o que lá
está: Adão e Eva, a serpente que fala, que Noé tomou um porre e amaldiçoou o
próprio filho apenas porque ele o viu nu, que Ló engravidou as duas filhas sem
saber, que um mar se abriu, que uma criança inocente filha de Davi com
Bate-Seba foi morto por Deus por causa do pecado do pai, que uma virgem deu a
luz a um filho, que um sacrifício de um ser humano inocente foi necessário
para redimir a humanidade, etc. Tudo isso seria até grotesco ou trágico, se não
fosse cômico mesmo... Minhas
observações ao longo de minha vida cristã, após uma reflexão sobre a minha
vida cristã e as das pessoas que me cercavam, me levam a concluir que a conversão
ao cristianismo leva as pessoas a perderem o senso crítico e capacidade de
discernimento (embora eles digam exatamente o contrário), e com isso, os cristãos
adquirem uma visão bastante fechada e limitada a respeito dos fatos e
acontecimentos, considerando qualquer outra fonte de conhecimento que questione,
ou seja, contrária à bíblia como diabólica ou enganosa, de forma
completamente desprovida de crítica, lógica e razão. Além disso, passam a não
reagir mais àquilo que lhes acontece de ruim, acreditando de forma ingênua que
tudo um dia será recompensado por deus. Privam-se dos questionamentos mais
simples e negam suas próprias características de imperfeitos seres humanos em
uma luta inglória contra o pecado, tentando não pecar e ainda assim pecando,
vivendo naquela rotina de 'pecar-pedir perdão-pecar'. E desta forma tornam-se
pessoas lavadas por Deus(?), salvas(?), redimidas(?), extremamente boas(?), que
sempre perdoam(?) e que amam o próximo(?). E assim, aceitam tudo o que está
escrito na Bíblia de forma incondicional, convencidos da idéia de que Deus é
bom, justo e misericordioso, e que por isso, qualquer atitude tomada por ele
citada na Bíblia, seja fazendo o bem ou fazendo o mal, salvando ou matando,
livrando ou exterminando, deve ser aplaudida e justificada por seus filhos,
mesmo que tal feito seja completamente reprovável do ponto de vista humano. Respeito
a crença religiosa dos cristãos, mas não concordo com a doutrina cristã. E
face aos argumentos e fatos expostos, reservo-me ao direito de emitir a minha
opinião a respeito do Cristianismo, mostrando o porque eu não sou mais cristão.
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