Nua, carente e indefesa.

 (Fase - VIII)

Meu rosto está escanifrado, com olhos fundos; a ossatura acidentada é um contraste com o brilho de meu viço, exuberância e ardor apenas existentes em meu desatino. O malfadado corpo surge no reflexo como desejo ser vista pelo sol de minha vida. 

Não ouso dizer a quem me trata com tão grande e criminosa indiferença, faltando apenas bocejar ante minha sina: ponha fim ao meu martírio... Toque-me a carne sequiosa com suas mãos de mestre, tenha-me sob seu santificado domínio e conduza-me para o altar onde a perfídia tornar-se-á sagrada, merecida, justa e leal após a vitória sofrida e glória alcançada! 

Não me maltrate tanto fazendo-me vê-lo a todo instante, em todos os cantos, possuindo-me em sonhos e diante de um espelho que me faz surgir sempre nua, carente e indefesa.

 Tamara R. Almeida

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