
Nua, carente e indefesa.
(Fase - VI)
Como uma entidade magnânima ele incendeia meu corpo com seus arroubos incontroláveis e quanto mais grito mais fundo ele me penetra em sua fúria dionisíaca e possessiva.
Não há como escapar dessa posse orgástica, animalesca, excelsa, prazerosa e que anseio mesmo sabendo não ter direito a esse néctar tão vital ao deleite de meu encanto e elevação da crença de que também sou filha de Deus.
Seu rosto glabro, de cuja face citrina emerge um cheiro envolvente, em borrifos frescos, característico, entranhado em meu próprio corpo apenas pela imaginação imerecida e proficiência injusta, zomba de minha louca paixão como um anjo mau, divertindo-se às minhas custas; e ao iluminar-se em um riso sutilmente sardônico, inquieta-me e excita-me a ponto de umedecer-me, tornando-me impudente, deixando-me mais ainda indefesa, nua e carente.
Tamara R. Almeida
(Continua na Fase - VII)
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