
Nua, carente e indefesa.
(Fase - IV)
Nossos reflexos surgem no espelho quando somos envoltos por uma aura azulada, minha faculdade de formar imagens de objetos que não foram percebidos está aguçada... Nada disso existe e tudo não passa de uma fantasia louca de quem não consegue enxergar-se com roupas! Em minhas noites eternas vejo-me sempre nua, carente e indefesa.
Em meus devaneios o anjo faz-se presente com seu sorriso enigmático e gratificante; em meu interior, no vaivém contrário à fleuma silenciosa que o caracteriza, ele alcança uma profundidade imensurável, afogueia minhas entranhas com um misto de violência e ternura, fazendo-me sentir querida e essencial.
Meu patíbulo, embora eu não queira aceitar, encontra-se em todos os lugares onde quer que eu vá; é o reflexo dele em minha volta e em tudo que o possa refletir, como um espectro silencioso, zombeteiro, que desdenha dos meus sentimentos verdadeiros.
Tamara R. Almeida
(Continua na Fase - V)
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