Êxtase
(Fase – XII)
Agora ele estava por trás dela. Compreendia finalmente o anjo sua vontade maior.
Essa prática que se sucederia era o cerne de sua vitória sobre os próprios preconceitos
arraigados em sua mente educada de forma errônea, embora estivesse de acordo
com as conveniências sociais e familiares mais conservadoras.
Erguendo mais ainda as nádegas perfeitas e virando o rosto lindo para um lado,
Regina arreganhou-se o quanto pôde, na audácia do que pretendia. Separando os
joelhos em aproximadamente dois palmos e com a ajuda das mãos trêmulas,
entreabriu os glúteos deixando à amostra o orifício na extremidade terminal
do intestino grosso, que se encontrava lubrificado pelas glândulas salivares
do semideus de seus ousados sonhos e deixou-se empalar gruindo inaudível.
Empalada, Regina debatia-se no suplício apenas imaginado, quando ao som do bate,
arrebenta, assobia, retumba, estrondeia do mar, seu grito estridente foi abafado
junto aos surdos gemidos uníssonos, excitantes, dos esfomeados pela
devassidão em suas causas extravagantes e comuns.
Tamara R. Almeida
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