
Eu
(Fase - I)
sou o que se pode chamar de anteprojeto da idealização de um ser
imperfeito e por isso mesmo ainda em busca do virtuosismo moral.
Branca, vejo-me macérrima para os padrões nacionais.
Determinada e alheia ao negativismo que sugere a derrota
ante o início de uma empreitada, busco, através dos ensinamentos
de meu líder, às vezes anjo bom, nem sempre anjo mal, o alimento
de minha paz, o enlevo dos meus desejos mais íntimos e o reconhecimento
do direito de poder expressar-me, pois nenhum efeito lograrão sobre mim
as enojadas reprimendas sociais sobre a minha forma espontânea de ser.
Extremamente sensível, alimento uma paixão insana, proibida, talvez mórbida.
Escrevo loucuras as vezes sublimes ou pecaminosas, classificadas pelos que
não tiveram, ainda, a felicidade ou castigo, como eu tenho, de vislumbrar em
sonhos libidinosos ou objetos que emitam reflexos, o sorriso devastador do líder
e mentor emocional de minha sacrossanta desgraça em forma de provação existencial.
Tamara
R. Almeida
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