
“Não
tenho um caminho novo.
O
que tenho de novo é o jeito de caminhar”
Thiago
de Melo
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Dicionário Tradutor Legislação Educação a Distância Revistas Educação Informática Professores desplugados Lydia MedeirosO mundo digital está muito distante do cotidiano do professor brasileiro. Pesquisa realizada pela Unesco com cinco mil professores nos 26 estados e no Distrito Federal traçou um perfil dos docentes de ensino fundamental e médio do país e revela dados inquietantes para a formação das futuras gerações: mais da metade dos professores não tem computador em casa, não navega na internet e sequer usa o correio eletrônico. A exclusão digital é conseqüência direta da situação econômica em que vivem os professores. Um terço dos entrevistados se classifica como pobre; 65,5% têm renda familiar entre dois e dez salários-mínimos.
— Não há como um professor ensinar aos alunos como usar a informática a não ser que ele saiba. E não sabe nem o potencial nem como proteger os alunos do lado pernicioso da internet. É um absurdo — constata o representante da Unesco no Brasil, Jorge Werthein.
O acesso ao computador e à internet é diretamente proporcional à renda. Na faixa salarial mais alta, mais de 20 salários-mínimos, 91,7% dos professores têm máquinas em casa e 89,7% deles usam a rede. Nos países em que a internet é de uso corriqueiro no ensino fundamental e médio, o debate se concentra sobre os efeitos pedagógicos dessa ferramenta.
A pesquisadora Maria Fernanda Rezende Nunes, do convênio Unesco-Unirio, uma das que analisaram os dados, acredita que a alfabetização tecnológica deve ser uma das prioridades nas políticas de investimento em educação. Os pesquisadores recomendam que o computador deixe de ser visto como um bem de consumo e seja encarado como um instrumento fundamental para o trabalho do professor.
Werthein lembra que no Brasil, com 170 milhões de habitantes, só 17 milhões têm acesso a novas tecnologias. Mas a solução não se esgota com a instalação de laboratórios de informática nas escolas. Há muitos ociosos por falta de manutenção ou de conhecimento.
Ele aponta o exemplo do estado de São Paulo como política correta para superar o problema. O governo paulista subsidia a venda de computadores para professores: paga a metade e cobra o resto em prestações.
— É o que deve ser feito. Quando o professor tem a possibilidade de ter computador em casa, há a inclusão digital do núcleo familiar, com um impacto impressionante — diz Werthein.
Carreira proporciona ascensão social
Os dados da Unesco também confirmam os indicadores das profundas disparidades regionais do país. No Nordeste, 12,7% dos docentes recebem até dois salários-mínimos, enquanto no Sudeste esse percentual é de 1%. Entre os nordestinos, só 2% conseguem ter mais de 20 salários no fim do mês. Já no Sudeste, essa é a renda familiar de 8,9% dos professores.
A pesquisa traz uma revelação fora do senso comum: a carreira de professor foi instrumento de mobilidade social para os entrevistados. Os docentes superaram a situação de vida do núcleo familiar de origem: 49,5% têm os pais com o nível fundamental de ensino incompleto; cerca de 15% dos pais e das mães dos professores não têm nenhum grau de instrução e apenas 5,7% têm ensino superior completo. As entrevistas foram feitas entre abril e maio de 2002.
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