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“Não tenho um caminho novo.
O que tenho de novo é o jeito de caminhar”
Thiago de Melo

 
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A convergência de mídia na informática educativa
Eduardo Meirelles
Cercada pelas tecnologias e mudanças sociais que ocorrem em quase todo o mundo, a escola se defronta, como sempre, com o desafio imediato e fundamental: formar verdadeiros cidadãos, capazes de analisar o mundo, cada vez mais tecnológico, e construir opinião própria, com a consciência de seus direitos e deveres. Neste sentido, a educação precisa se transformar para acompanhar, se apropriar e, se possível, promover mudanças nas relações entre as pessoas e no desenvolvimento social e econômico. 

Uma das formas de a escola superar suas dificuldades como agente transformador está na ação de seus profissionais no sentido de produzir uma educação de qualidade. Para isto, como uma de suas prioridades, torna-se necessária a preparação e o envolvimento do profissional de educação para lidar com as tecnologias sem ser por elas dominado. Este tipo de trabalho só será concretizado na medida em que o professor domine o saber relativo aos novos recursos disponíveis, tanto em termos de conhecimentos técnicos suficientes, quanto em termos de conscientização e apropriação da sua utilização.

Informática na escola

No que diz respeito ao uso da Informática, partimos do ponto de vista de que, quando adotada na educação, ela deve se integrar ao projeto político-pedagógico da escola, não como mais uma disciplina, mas como meio com potencial multidisciplinar, constituindo-se em alguma coisa a mais com que o professor pode contar para bem realizar o seu trabalho. Neste sentido, propomos uma reflexão sobre qual a melhor forma de empregar esses recursos, analisando as características de cada disciplina e realizando a imprescindível interação entre elas e entre elas e a informática.

Quando utilizada desta maneira, na escola, a serviço de um projeto educacional e contextualizada na realidade dos alunos, a informática proporciona condições para o trabalho a partir de temas, projetos e atividades surgidos na sala de aula. Como lembra o educador Gaudencio Frigotto, a tecnologia deve ser entendida como resultado e expressão das relações sociais, e a conseqüência desse processo tecnológico só pode ser entendida no contexto social dessas relações. Esse caminho pode ser utilizado como fonte de suporte intelectual e afetivo ou mesmo na solução de problemas pontuais, como Paulo Freire sugere.

Muito além da tecnologia vazia

Deve-se ter como preocupação fundamental o desenvolvimento de valores, a concepção das finalidades da educação e a convicção de que necessitamos formar um indivíduo com a inteligência desenvolvida, erudito, flexível, crítico e criativo. A TV, os impressos e a informática podem fazer parte desse universo, mas não devem ser encarados como objetivos por si próprios.

O computador - assim como essas mídias citadas ou qualquer outro material didático que usamos - é apenas e tão somente um meio. Neste sentido, entendemos que qualquer instrumento de ensino, desde o mais simples até o mais altamente elaborado, depende de quem o usa e de como o faz. Cabe ao professor a responsabilidade de diversificar a sua abordagem curricular.

A nossa proposta para o uso do computador situa-se no contexto das mudanças e evoluções ocorridas na sociedade. A escola tem a possibilidade de incorporar as transformações, intervindo para sistematizar a integração de todas as mídias disponíveis como recursos pedagógicos e usando o que cada uma tem de melhor. Devemos utilizar esses recursos para algo que potencialmente é a possibilidade de uma efetiva comunicação com criatividade, tomando o devido cuidado para não nos limitarmos a reproduzir exatamente as mesmas práticas antigas por meios tecnológicos, de forma instrucionista. 

Essa atitude envolve a quebra de paradigma. 

Segundo Nelson Pretto, estas são questões fundamentais e, se não pensarmos nelas, mais uma vez montaremos enormes estruturas, que potencialmente são possibilidades comunicacionais de diálogo e criatividade, e as transformaremos em estruturas burocráticas de cumprimento de tarefas. Luís Armando Coddim reitera esta visão afirmando que, se uma determinada prática é ruim sem os computadores, ela não irá melhorar com eles e, dependendo, pode ficar ainda pior. 

Um excelente exemplo dessa modernização conservadora encontra-se no livro de Isac Asimov, Sonhos de Robô (1986), no qual se imagina o que seria a sociedade do ano dois mil. Uma das idéias representava uma escola deste final de século, com alunos sentados em fileiras com fones de ouvido, recebendo passivamente o conteúdo de livros que estariam sendo reproduzidos por um ajudante do professor.

Outra distorção associada neste conceito de modernização conservadora, destacada por alguns teóricos, diz respeito à forma de pensar em que, se a tecnologia está em todo canto, logo é preciso utilizá-la no maior número possível de disciplinas e de conteúdos. Assim, observamos a tendência a se dar aulas expositivas com projetores de vídeo, onde a tecnologia não acrescenta nada além de cores, letras bonitas e outros aspectos superficiais, que certamente agilizam processos operacionais durante a aula, mas não enriquecem qualitativamente a exposição.

Torna-se necessário que o professor conheça não apenas a operacionalização da máquina, mas que também compreenda as implicações pedagógicas envolvidas nas diferentes formas de utilizar o computador com finalidades educacionais. A compreensão e a contextualização são fundamentais para que o uso do computador não seja apenas mais um instrumento eficiente de ensino e aprendizagem, como quer a visão tecnicista. Ao contrário, é importante que seu uso possa ser meio favorável ao desencadeamento de processos reflexivos sobre a aprendizagem e sobre nova abordagem pedagógica.

Tecnologia como parte do processo

Ao se apropriar de tais conceitos e práticas tecnológicas, a escola pode facilitar o uso coletivo dos computadores integrado com o seu projeto político-pedagógico. A interligação de computadores em rede permite que os recursos disponíveis possam ser compartilhados e que - o que é mais importante no caso da educação - figuras, textos, sons e apresenta&cceddil;ões elaboradas pelos alunos também possam ser compartilhadas. Tal ligação permite a criação de textos coletivos, o incremento da idéia de solidariedade e da noção da informação como algo que deve estar disponível para todos, a fim de que o trabalho seja realmente de boa qualidade.

No que diz respeito à Internet, a mídia brasileira, seguindo o restante do mundo, vem explorando este tema, caracterizando-a como a rede das redes mundiais de computadores. O discurso comum inclui expressões como democratização da informação, aldeia global, acesso a bibliotecas em qualquer parte do mundo. Tais expressões, meio obscuras para quem não lida com computadores, são acompanhadas por números impressionantes: dezenas de milhões de computadores interligados, transmissão de milhões de bits por segundo, outros tantos milhões e bilhões de dólares em jogo. Após esse furacão, passado o efeito dramático, alguns aspectos extremamente positivos da Internet já estão se sobressaindo e se estabilizando.

Um desses elementos que pode ser trabalhado na escola se refere à possibilidade do professor ensinar aos alunos novas formas de leitura, que no fundo são as de sempre: ler nas entrelinhas, não se impressionando mais com a aparência e a forma; questionar afirmações; confirmar ou questionar fontes e a veracidade ou qualidade de citações, da história, da informação. A hipertextualidade colocada à disposição pela Internet sugere possibilidades de não linearidade e opção por linhas de navegação próprias, exponenciando a liberdade e a capacidade de raciocínio do aluno.

Crianças de regiões diferentes do país (e por que não de outros países também), que estejam estudando um mesmo tema, podem trocar impressões com colegas que vivem em realidades totalmente diferentes e, portanto, terem acesso a uma visão diferenciada da questão. Isto é, sem dúvida, o lado positivo da globalização dos meios: poder trocar com outros e se reconhecer diferente, mas parceiro. 

Ou seja, é possível discutir a questão da diversidade cultural, da convivência e o respeito ao diferente, a idéia que o conhecimento se constitui por meio de esforços coletivos, como uma idéia-chave que perpasse todo o currículo. Usuários regulares de quadros de avisos, grupos de discussão on line e assemelhados expressam entusiasmo pelas possibilidades de estabelecer relacionamentos internos que podem, inclusive, ser mais igualitários entre os envolvidos. Há também alteração do peso dos talentos pessoais: algumas pessoas se comunicam melhor por escrito do que oralmente. Outras, com dificuldades nas relações humanas, consideram o instrumento eletrônico um meio de comunicação mais gratificante. 

Referências bibliográficas:
· PRETTO, Nelson. O uso da Informática na Escola. A Tarde. Bahia, 15.09.1999.
. FRIGOTTO, Gaudencio. Cidadania, tecnologia e trabalho: desafios de uma escola renovada. Tecnologia Educacional. Rio de Janeiro, v. 21, n. 107, p. 04-10, jul/ago. 1992.
. CYSNEIROS, Paulo Gileno. Professores e Máquinas: Uma Concepção de Informática na Educação. (mimeo.) 1998

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