
“Não
tenho um caminho novo.
O
que tenho de novo é o jeito de caminhar”
Thiago
de Melo
![]()
Página Principal Mural da Educação Artigos Textos para Reflexão Parábolas
Dicionário Tradutor Legislação Educação a Distância Revistas Educação Informática A educação como o lugar para atender às necessidades da criança Gláucia de Melo Ferreira
A primeira e talvez mais fundamental pergunta que podemos fazer à educação é: por que educamos? A filósofa e pensadora política alemã Hannah Arendt nos dá uma resposta tão profunda quanto simples: “A essência da educação é a natalidade, o fato de que novos seres nascem para o mundo”. Pensando assim, a educação é a forma como respondemos à chegada desses novos seres humanos.A pedagogia é o lugar onde assumimos a responsabilidade de acolher o novo, mas, ao mesmo tempo, preservá-lo, para que não seja derrubado e destruído. É como, por exemplo, o caso do dono da casa que espera o visitante. Ele prepara o lugar para acomodá-lo, absorve as mudanças que essa chegada impõe, mas, ao mesmo tempo, preserva a casa. Ele introduz o recém-chegado às suas regras evitando que ela seja destruída pelo assédio do novo.
É preciso reconhecer que o que sabemos acerca do novo é, em grande medida, o que sabemos acerca de nós mesmos. E um conhecimento que todos nós precisamos ter é que somos seres inconclusos, incompletos, faltos de muitas coisas e, portanto, cheios de necessidades. E isso é essencial para que pensemos a educação como algo para também atender às necessidades da criança.
O que se percebe na maioria dos modelos de educação atualmente praticados é que eles não procuram atender às necessidades da infância e da adolescência, mas fazer exigências. É como se, ao receber um visitante, sem nem ao menos perguntar como ele vai, se está com fome ou cansado, fôssemos logo lhe dizendo para olhar a nossa mobília, para os quadros que temos na parede, cuidado para não sujar o tapete, sentar-se adequadamente etc.
Os modelos de escolas tradicionais fazem exigências e excluem aqueles que não as atendem prontamente. Com isso, rapidamente, o nosso convidado sente-se pouco à vontade e amedrontado em nossa casa. O modelo que muitas escolas adotam é excludente não acolhe o novo que chega, ao contrário, lhe faz exigências. A proposta da Pedagogia Freinet é a de uma educação que inclua a todos e que transforme a escola em um lugar seguro e bom, agradável para estar e aprender, um lugar para acolher o outro que chega.
Inclusões Educacionais
Falar em Pedagogia Freinet é também falar em inclusões educacionais. É importante ressaltar que a palavra inclusão tomou conta dos meios educacionais. Fala-se, discute-se e, de forma velada, rejeita-se essa idéia. No máximo, admite-se uma integração capenga de alunos com necessidades especiais e, pior, muitos dos que assim o fazem assumem um ar de bondosa condescendência para com eles.
Uma educação ética é, necessariamente, uma educação para e na diversidade. Assumir as necessidades de cada criança é um eixo fundamental da Pedagogia Freinet. Mas o que o professor tem na sala de aula? Como é que ele vai atender a essas necessidades se os seus equipamentos são, quase sempre, a lousa e o giz?
Aqui cabe uma reflexão sobre a importância dos instrumentos pedagógicos. A escola, como a conhecemos hoje, com carteiras enfileiradas e a lousa lá na frente, nem sempre foi assim. Foi um longo processo histórico, fruto das lutas sociais, para se chegar à organização da escola que temos hoje, na qual se pratica o ensino simultâneo e frontalizado. Simultâneo, porque a lei dentro de muitas escolas é: todos fazem a mesma coisa, ao mesmo tempo. Frontalizado porque estão todos voltados para o professor.
Ao desejar uma escola “outra”, ou seja, que fuja dos padrões tradicionais de ensino, é preciso arregaçar as mangas e construir instrumentos que favoreçam a inclusão e a participação de todos os alunos. Para poder assumir as necessidades de cada criança não é possível mais praticar aquela velha pedagogia na qual todo mundo faz a mesma coisa, ao mesmo tempo, seguindo o professor.
A sala de aula precisa tornar-se “um canteiro de obras”, como dizia Freinet. Isso não quer dizer necessariamente que é preciso contar com materiais caros ou equipamentos sofisticados; significa uma outra maneira de organizar e utilizar os materiais disponíveis. Cabe insistir que não há mudança se a postura e as disposições das instituições de ensino não mudarem. Insisto no ponto de que as práticas da pedagogia Freinet nas escolas estão inseridas em um todo, que envolvem transformação das relações professor/aluno, apoiada em alguns eixos fundamentais como a cooperação, a autonomia, a livre expressão e o trabalho.
Atender aos diferentes ritmos significa conceber uma classe heterogênea e não querer torná-la homogênea. Uma classe e um professor assim preocupam-se em fazer com que todos participem das atividades segundo suas próprias possibilidades. A inclusão e a participação são opções que nos obrigam a olhar o colorido da classe, olhar a diversidade e trabalhar com ela e não contra ela. E assim, a educação, que é o lugar de encontro do novo e do velho, passa a ser o lugar de encontro de todos. Nossa casa, que preparamos para receber o visitante, para que ele deixe de ser um visitante e passe a ser um habitante do nosso mundo. E o nosso planeta precisa sempre ser renovado pela chegada do novo.
A Pedagogia Freinet, presente em escolas de todo o mundo, surgiu nos anos 1920, na França, através da observação e da prática em salas de aula feitas pelo educador Celèstin Freinet.
Fonte: Profissão Mestre on line
![]()
![]()
Site em construção.