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Outubro de 2003
Escondesconde
N�o era preciso interromper as andan�as para chutar o balde e o pau da barraca, quebrar a rotina, sair da toca, transformar o tatu bolinha em borboleta. Nem correndo, nem passeando, nem voando. Simplesmente andando, desfragmentando uma cara lavada qualquer, desembrulhando a ternura f�lica de fulano, enterrando a lembran�a ins�lita de ciclano, soprando no mar meias palavras de beltrano, esquentando no microondas a pseudo modernidade da monogamia saudosa, embalando no colo uma certa maturidade de utopia.

N�o foi s�.

Tamb�m escornava no peito a falsa fidelidade dos amantes, carregando nas costas pequenas cicatrizes. N�o foi escolha. Foi circunst�ncia. N�o trope�ou na lasc�via bondosa, na engordurada prosa, na proposta indecorosa, na l�ngua melada, na alegria desmaiada deles, delas. Saiu de casa, saiu do casulo, saiu do escuro, de cima do muro. Entrou. Entrou n�o. Nada de entrar, introduzir, interiorar � pensou. Agora, vai enterrar, sepultar, abortar sem gerar. Sem exist�ncia, plenitude, atitude. Chega de meias verdades, basta de meias mentiras � rabiscou em um velho caderno. Saltar no abismo da prud�ncia, sanidade da dem�ncia.
Pegou carona nas asas da limita��o para reprimir apreens�o, para que a liberdade n�o tenha sido em v�o.

Liberdade e limita��o.
Paradoxal.
N�o faz mal, pois tudo que ela escreve n�o � mesmo normal.

Demorou, mas, enfim, resolveu resolver. Resolveu deixar como est�?

Adquirir produto acabado?
Nem se existisse amor enlatado, iria proporcionar o desfalecimento de um mal tratado.

Ah dinastia dos falsos amados! Amantes demarcados. Desmiolada, ela trope�ou em si, desmaiada. Adormeceu no leito dos dissidentes pensamentos pr�prios, escondendo-se na periferia de frut�feras id�ias marginais.
p a r a   n a v e g a r
t e x t o s
r e p o r t a g e n s
l i v r o  d e  v i s i t a s
r e f r e s c o
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