| Abril de 2004 |
| Entre folhas de outono v o a |
| Quero te ver s� mais uma vez e lembrar que te beijei ao entardecer. Que vi teu rosto refletido na luz quente do meu pensar. E pensar que tu me tiraste da cama num dia de chuva para me molhar fora e dentro. Dormir com teu perfume pregado nas m�os, colado no peito. E memorizar tua l�pide, desde o in�cio, imaginada e constru�da. Quero que tu morras no final do outono. E engolir sem mastigar teu �ltimo sopro de vida. E que teu rosto em lembran�a suma, entre o cair de uma folha e outra. E que folheie minha exist�ncia. Que o desejo que sinto por ti voe e encontre outro galho para pousar. Porque n�o suporto mais planar nas nuvens do improv�vel, desconstru�do. |
| Quero que o buraco da minha aus�ncia se preencha de lembran�as. Que o ranger de teus dentes � noite sejam s� pra mim. E que teu olhar distante me encontre numa estrela brilhante. Que o amanhecer caliente reconhe�a minha presen�a. Que admires a lua refletindo meu sorriso para ti. E que no travesseiro sintas meu cheiro misturado ao teu. Enfim, que teu fim seja meu fim. Mas que, te faltando, te reconhe�a em minha folha branca. E te desenhar, rabiscar, apagar e redesenhar. Sempre. Construir � te � destruir. Quero que me leias em teu espelho. Quero te fazer e te desfazer em todos os �ngulos. E do jeito que quiser, quando precisar de um pouco de arte nesta monotonia. Flor de arrepio. De argila, moldada no ver�o. Paix�o de fuma�a dissipada no ar aconchegante do outono. Suposi��es energizam. Certezas apagam. Rela��o de utopia esvazia. Molhei-me para te secar no ar da maturidade. E tu, sem pestanejar, pegaste carona nas famosas asas dessa tal liberdade. Lembran�as, passagem de volta. |