| - Dois mil cruzeiros?! Por um refrigerante?! - Se n�o queres, d� o fora! O portugu�s co�ou os bigodes rapidamente e continuou lavando os copos atr�s do balc�o. O bar cheio de moscas e de gente, muito sujo e f�tido, o calor intenso, apesar da chuva intermitente. N�o havia outra alternativa. - Est� bem, me d� um guaran� gelado. A garrafa veio quente. Ele recusou-a antes que fosse aberta. Afastou-se do balc�o e estancou na porta do bar. Um homem esbarrou em seu bra�o, todo molhado. Manifestou uma vontade quase incontrol�vel de gritar um palavr�o mas conteve-se. Olhou no rel�gio, eram quase seis horas da tarde. O com�rcio n�o tardaria a fechar suas portas e ele ainda perambulava pela cidade movimentada. Passara o dia sem fazer nada, sem saber o que fazer. Olhando vitrines, irritando-se � toa no meio da multid�o ou divertindo-se com os tipos estranhos que encontrava pela frente. No final, estava mais farto do que nunca e t�o desnorteado quanto antes. Enfiou as m�os nos bolsos, com o olhar fixo na �gua que ca�a. Uma senhora cheia de pacotes quis entrar no bar a qualquer custo e, em seu �mpeto, quase levou-o consigo. Nos limites que sua toler�ncia permitia, ele lan�ou-se � rua, mesmo sob o temporal. Os pr�dios antigos pareciam mais cinzentos do que o normal e as grandes nuvens escuras no c�u provocavam uma sensa��o de ter anoitecido. A tempestade levava as criaturas a correr desordenadamente pelas cal�adas, � procura de abrigo, e os bueiros n�o conseguiam dar vaz�o � �gua, que formava grandes po�as no meio fio. O tr�nsito congestionado transformara num inferno a vida dos que voltavam para casa. Os �nibus gemiam seus motores, com excesso de passageiros. Ele viu tamb�m o desespero daqueles que procuravam por um t�xi desocupado, a sorte acenava para poucos. No meio do caos instalado, ele sentiu que no fundo de seu �mago o tumulto era semelhante. A f�ria e a insensatez dos que o rodeavam s� faziam aumentar mais ainda a amargura que insistia em n�o abandon�-lo. A crise de identidade pela qual passava j� durava algumas semanas. Ele n�o sabia como contornar o problema cujas propor��es tornavam-se maiores do que podia suportar. Era uma fase dif�cil que teria de superar, a qualquer custo. Afinal, essa n�o era a primeira vez que ele chegava ao fundo do po�o. De uma forma ou outra, a sa�da haveria de surgir, alguma explica��o teria que brotar em sua mente, uma palavra de ordem que colocasse um paradeiro naquele mar de lam�rias. De repente, deu-se conta de estar caminhando no meio do temporal. Acalmou-se ao notar que passava despercebido, as pessoas preocupavam-se mais consigo mesmas do que com um pobre diabo que, fosse pelo que fosse, vagava de modo insano � vista delas. E a chuva de modo algum parecia incomod�-lo. Na verdade, almejava estar muito longe dali, poder trancar-se num mundo s� dele, n�o ter que dar satisfa��es ou justificar atos continuamente. Ocorreu-lhe que a agita��o ao seu redor diminuiria � medida que se afastasse da �rea central da cidade. Enveredou por uma rua de m�o �nica, longa, podia avistar os carros vindo em sua dire��o com dificuldade, vidros emba�ados e limpadores de p�ra-brisas que n�o venciam tanta chuva. A roupa encharcada grudava em seu corpo, sentia os cabelos escorridos grudados no rosto e as gotas d'�gua que ca�am na pele, no pesco�o e penetravam por dentro da camisa. Os pensamentos novamente come�aram a atorment�-lo. Sentia-se fr�gil diante do dom�nio que a m�e exercia sobre si, desejava ardentemente livrar-se daquilo que considerava uma escravid�o da mente, uma brutal imposi��o de limites para seus atos. Ela interferia no mais insignificante detalhe do cotidiano, j� estava ficando insuport�vel viver como um rob�, tinha que dar um jeito de colocar um ponto final naquilo tudo! Ou em sua pr�pria vida, quem sabe esse n�o seria o caminho correto, a sa�da mais f�cil? Mas, apesar de tudo, ele adorava a m�e. Tinha consci�ncia plena de que uma solu��o tr�gica seria um �nus demasiadamente grande para ela. Passou a imaginar seu sofrimento, a torrente de l�grimas derramadas, o vel�rio, a fam�lia inteira reunida em torno de seu corpo inerte dentro de um caix�o cheio de flores, as velas queimando durante toda a vig�lia, o cemit�rio, a tumba, o enterro. Horror dos horrores! Um �nibus el�trico passou, distribuindo fagulhas pelo cabo e espalhando �gua pela cal�ada. Resolveu contornar a esquina seguinte, seguindo seu caminho por uma rua mais tranq�ila. Lembrava-se bem do bairro onde se encontrava, habitado por estrangeiros em sua maioria. Turcos ou judeus? Nunca conseguia distinguir uma ra�a da outra. Sempre ouvira falar que eram excelentes trabalhadores, criaturas de terras long�nquas que vieram para vencer nos tr�picos. A verdade � que todos fazem o que acham melhor com suas vidas e, se erram, o problema � deles. A gente s� trope�a com o pr�prio p�. Estava farto de ser compreensivo, de tentar suprir a aus�ncia do pai com sua permanente presen�a. O filho querido jamais decepcionara, para o que for preciso ele estar� ali sempre presente, sorrindo. Fa�a chuva ou fa�a sol. Em seu rumo indefinido, uma fileira de sobrados antigos despertou-lhe a aten��o. Eram todas casas geminadas de ambos os lados, com pequeno jardim na frente e protegidas por muros em p�ssimo estado de conserva��o. Ele levantou os olhos para admirar a fachada mas a chuva continuava impiedosa. O vento fazia os galhos das �rvores se movimentar de um lado para o outro, e os mais fracos acabavam envergados quase at� o ch�o. Protegido sob uma marquise, ele correu os olhos sobre os detalhes do telhado �nico daquelas resid�ncias. As pequenas esculturas que decoravam as paredes superiores ainda se mostravam intactas e eram muito belas. Viu-se voltando no tempo, o tropel de cavalos na rua de paralelep�pedos e as casas rec�m-constru�das. S�o Paulo antiga, quarenta, cinq�enta anos atr�s. Cavalheiros engravatados e damas com seus longos vestidos, esbarrando no ch�o, e protegidas por delicadas sombrinhas de colorido suave. Olhares furtivos, o respeito e o medo de perd�-lo estampado nas faces ruborizadas, pelo motivo mais pueril que se possa imaginar. Era de surpreender a moral da �poca, a disciplina r�gida imposta aos filhos, a severidade dos mestres, a total impossibilidade de conquistar um espa�o quando jovem. Ele suspirou aliviado por voltar � realidade e n�o estar vivendo nos tempos antigos. O povo n�o era mais ing�nuo, h�bitos provincianos faziam parte das coisas definitivamente relegadas ao passado, a atualidade contrastava violentamente com aquele tipo de procedimento. Nesse aspecto, infelizmente, sua m�e n�o tinha no��o da mudan�a dos tempos. Logicamente, o personagem principal dessa hist�ria toda era a genitora. Ele n�o ag�entava mais desperdi�ar tempo meditando, n�o havia um �nico racioc�nio que apresentasse alguma utilidade, algo que fosse a resposta para aquele miser�vel quebra-cabe�a. N�o restava mais nada sen�o praguejar, gesticulando as m�os contra o ar, na �nsia de agarrar algum inimigo oculto. Um leve arrepio percorreu-lhe o corpo molhado mas ele n�o se importou. A �gua fazia bem para sua mente, um resfriado seria apenas uma conseq��ncia sem grande import�ncia. Contudo, contrair uma pneumonia s� iria complicar a situa��o, pensou. Seria apenas recolhido a um sanat�rio por alguns dias, antes de seguir para o asilo de loucos. Sim, porque de tanto remoer seu drama internamente, iria acabar ficando maluco. Ele retomou seu caminhar lento no meio da chuva intermitente. Uma senhora que vinha na dire��o oposta, protegida pelo guarda-chuva, capuz e uma capa que quase chegava aos calcanhares, espantou-se com o pouco caso que aquele desconhecido fazia do temporal. Depois, um homem de meia-idade cruzou-lhe o caminho, n�o conteve o sobressalto, fez men��o de dirigir-lhe a palavra, talvez para preveni-lo ou repreend�-lo, mas desencorajou-se. Outros pedestres surgiam. Uma mulher alarmou-se com seu estado e at� vacilou em passar na mesma cal�ada. Quando ela o fez, ele a provocou com uma careta. Ela resmungou algo incompreens�vel e desapareceu. Ningu�m tentou ajud�-lo, ningu�m lhe ofereceu uma palavra de apoio, ningu�m indagou-lhe a raz�o de seu aspecto t�o deprimente. Eram apenas curiosos, nada mais. Finalmente a chuva come�ou a cessar. Os fios de �gua desciam pelas sarjetas e as �rvores livravam-se dos �ltimos pingos que escorriam pelas folhas verdes. A alameda tornou-se mais bonita, as casas pareciam se refazer do temporal que pouco antes desabara sobre elas. Recuperava-se a profunda sensa��o de tranq�ilidade que o lugar oferecia, apenas aquele curioso errante, absorto em seus pensamentos, continuava com o semblante tristonho e preocupado. O problema sem solu��o agravava ainda mais a situa��o. Era desanimador. Se n�o descobrisse logo uma maneira de livrar-se da m�e castradora, poderia explodir de aborrecimento, odiando a si mesmo pela falta de coragem em tomar alguma iniciativa na dire��o correta. Seu comportamento com a fam�lia sempre fora absolutamente exemplar, educado com todos, disciplinado, obediente, ordeiro e, de acordo com a imposi��o da m�e, um indiv�duo destitu�do de vontade pr�pria. Para si, aplicava-se perfeitamente a afirmativa: da casa para o trabalho, do trabalho para a escola, da escola para casa. N�o se tolerava a possibilidade da exist�ncia de um amigo �ntimo, algu�m em quem pudesse confiar seus segredos, suas d�vidas, seus valores. Para todos os efeitos, seus relacionamentos eram apenas superficiais, pessoas em que a m�e n�o atribu�a a m�nima import�ncia. Mas dessa vez ele n�o iria voltar para o lar, n�o iria se submeter novamente, n�o iria render-se a seus caprichos, como sempre fazia. N�o passava de um fantoche, um boneco, cujos movimentos dependiam exclusivamente de outros que lhe manipulassem os cord�es... Um barulho interrompeu seus pensamentos. Era um c�o faminto que acabara de derrubar uma lata de lixo, � procura de comida. A sujeira se espalhou pela cal�ada enquanto o animal farejava ansiosamente entre os detritos. O port�o da casa em frente se abriu e um grito de raiva p�de ser ouvido. O pequeno intruso fugiu, espantado. - Esse animal vai se ver comigo qualquer hora! Voc� viu para onde ele foi? - uma mulher de meia idade lhe dirigia a palavra. Estava mal vestida e sua fisionomia demonstrava grande irrita��o. Assustado com a s�bita manifesta��o diante de si, ele n�o respondeu nada, apenas limitou-se a observ�-la, sem se mover do lugar. - Voc� � mudo, �? - a falta de resposta fez com que ela se tornasse mais ainda encolerizada, revelando uma impaci�ncia caracter�stica daqueles que n�o gostam de perder tempo com conversas fiadas. - Ele foi por ali - apontou numa dire��o qualquer, sem se importar. Tratou de continuar em seu caminho, na �nsia de se afastar daquele olhar cheio de rancor. Contudo, antes teve tempo de notar nitidamente o �dio da mulher, sabia o que era aquele tipo de sentimento. Uma sensa��o de que o sangue est� correndo mais r�pido pelas veias, uma indigna��o na mente, uma impetuosidade de palavras nem todas lisonjeiras, que explodem muitas vezes sem raz�o de ser. Mas, consigo, as coisas tinham uma raz�o de ser, o motivo era muito mais s�lido do que simplesmente uma lata de lixo ca�da na cal�ada. De repente, ele deteve-se. Pensou um instante mais e voltou-se. Se todo o drama da mulher se reduzisse apenas aquele epis�dio, n�o havia segredo em como resolv�-lo com a maior facilidade do mundo, raciocinou. Ele aproximou-se mas n�o ligou para o que ela resmungava. Agachou-se e foi recolhendo com as m�os a sujeira e colocando de volta na lata. At�nita com um tipo de rea��o nada usual em cidade grande, ela esbo�ou um sorriso, ainda que meio for�ado. Ele lavou as m�os na torneira do jardim e logo em seguida afastou-se, sem emitir um �nico som de sua boca. Em contrapartida, a mulher gritou uma palavra de agradecimento, por�m ele n�o respondeu. Praticara uma boa a��o, reconheceu. Mas isso n�o significava de modo algum que deveria agir com um generoso sorriso nos l�bios e cheio de falat�rio. Jamais tivera quaisquer inclina��es para rela��es p�blicas ou atividades benem�ritas. N�o era um religioso angariando a simpatia de seus fi�is e muito menos um pol�tico na ca�a de votos. Ele colocou as m�os nos bolsos para ver se ainda havia algum trocado. Pensou num caf� bem quente, os arrepios de frio voltavam a incomod�-lo. Esperava que a roupa secasse no pr�prio corpo, mas o calor costumeiro do m�s de mar�o sumira, e ele se sentia molhado at� os ossos. O bom senso alertava-o para o fato de que ele deveria evitar um resfriado, se realmente desejasse passar a noite fora de casa. Do outro lado da rua havia um botequim e ele deteve-se, aguardando que o movimento de carros diminu�sse e houvesse condi��es de atravessar. A certa altura, notou a mulher da lata de lixo caminhando em sua dire��o e acenando com as m�os. Ofegante, ela conseguiu se aproximar: - Nossa, como voc� anda depressa. Estava quase desistindo de cham�-lo. Foi embora t�o rapidamente que nem deu tempo para que eu pensasse direito. Sugiro que volte at� minha casa, pois vou te servir uma bebida forte. Deve estar gelado dentro dessas roupas molhadas. Ele espreitou-a fixamente por um instante, ia recusar a gentileza mas, sem saber muito bem porqu�, resolveu aceitar o convite. Retornaram em passos mais lentos e ele imaginou que aguardaria no port�o enquanto ela providenciava a bebida, mas enganou-se. Ela convidou-o a entrar. A casa era imensa, bastante antiga, como todas daquela regi�o. Ele cruzou o terra�o cheio de vasos e jardineiras floridas, os grandes ladrilhos j� gastos pelo tempo, os degraus de m�rmore. Reparou nas janelas enormes, o p� direito muito alto, portas maci�as. Num instante foi envolvido pelo inexplic�vel encanto do lugar. - Voc� vai ficar parado a�? Vamos, entre. Sentiu-se na obriga��o de tirar os sapatos diante do assoalho t�o bem encerado. A mulher tentou impedi-lo, mas ele fez quest�o. Encontravam-se na sala de estar, m�veis escuros e pesados, tapetes com desenhos esmaecidos e um imenso lustre pendurado no teto. Era decorado com uma enorme quantidade de pingentes ao redor dos soquetes e em sua parte central, formando uma art�stica montagem. Na certa, a pe�a inteira deveria ter sido entalhada em cristal. Ela conduziu-o � copa e serviu-lhe um c�lice de conhaque, oferecendo uma cadeira para que sentasse. Ao mesmo tempo, recostou-se em outra, do lado diametralmente oposto da mesa. Edgar sorveu o l�quido lentamente, sentindo a garganta queimar. A mulher nada falou, limitando-se a observ�-lo em sil�ncio. Apesar do estado desleixado, reparou que tinha na frente de si algu�m de rara beleza. O desenho do nariz era perfeito, permitindo um perfil bastante atraente. Os cabelos escuros, lisos, lembravam o tipo �rabe, como j� vira em filmes. A altura e os gestos indicavam que talvez tivesse sangue italiano correndo nas veias. E o modo de olhar, desconfiado, s� podia fazer-lhe recordar a forte personalidade portuguesa. Enfim, era uma leg�tima representante da ra�a brasileira. O convite para entrar em sua casa talvez revelasse uma atitude um pouco precipitada, pensou. Entretanto, ela tinha certeza de n�o estar correndo nenhum risco, confiava cegamente em seu sexto sentido. N�o via maldade nele, era quase uma crian�a. N�o conseguindo controlar a curiosidade, perguntou: - Voc� mora na vizinhan�a? - Nem tanto. - � de poucas palavras... Confesso que fiquei encantada com uma ajuda prestada com tanta efici�ncia. � raro hoje em dia encontrar algu�m que se disponha a gastar alguns minutos assim, de gra�a... - N�o tinha pressa, n�o havia compromisso algum que me impedisse de dispensar um favor, principalmente porque n�o me passou despercebido seu nervosismo. - Ah! Aquele cachorro me enlouquece. Cada vez que coloco o lixo l� fora, ele aparece n�o sei de onde e faz toda aquela arrua�a. Como voc� viu. Mesmo deixando a lata em cima do muro, o miser�vel � capaz de alcan��-la. Enquanto a mulher falava, ele reparava no ambiente, um tanto carregado de austeridade. Tudo muito limpo, lou�as cuidadosamente ordenadas nas prateleiras de um arm�rio de madeira, o fog�o coberto com uma toalha de linho, a geladeira antiga num dos cantos da cozinha impecavelmente asseada. Da janela, por cima da pia, percebeu que o quintal tamb�m era cheio de plantas. Quanto espa�o! - Voc� n�o deveria andar todo molhado desse jeito, � capaz de contrair uma doen�a grave. J� imaginou o sofrimento de sua m�e? - Sei me virar sozinho - respondeu secamente. Ela empregou palavras que lhe trouxeram o drama de volta � mem�ria. Temendo que seu aborrecimento se fizesse notar, desviou o olhar para a janela. Ela insistiu no assunto: - Tenho um filho que deve ser quase de sua idade. N�o escuta a gente. S� faz o que lhe vem na cabe�a. Ser� que voc� tamb�m � t�o obstinado? Edgar tomou o �ltimo gole da bebida, consciente de que o assunto abordado pela mulher causava-lhe grande desconforto. N�o se via na obriga��o de dar satisfa��es a ningu�m, muito menos a estranhos. Assim mesmo, resolveu ser mais af�vel: - � dif�cil o relacionamento entre pais e filhos. Especialmente quando a gente chega aos dezoito anos. A m�e sempre fica pensando que somos beb�s ainda. Incentivada pela abertura concedida, ela perguntou: - Est� estudando? - Completei o cient�fico no ano passado - ele levantou-se e colocou o c�lice sobre a pia - creio que j� est� na hora de ir. Obrigado pelo conhaque. - N�o, espere, � cedo - ela denotou ansiedade nas palavras - voc� mesmo disse que tinha tempo de sobra. - Acontece que se eu ficar parado, volto a sentir frio. Levantando-se abruptamente, retrucou: - Mas � l�gico, que est�pida eu sou! Vou procurar algum agasalho que meu filho n�o usa mais, deve servir em voc�. Desse jeito � que n�o pode ficar. - N�o, por favor, prefiro ir embora. Uma preocupa��o a menos para a senhora. - Ora, n�o custa nada. Prestou-me um favor e agora desejo retribuir. Al�m do mais, n�o me incomoda de forma alguma - sorriu amistosamente. - Por favor, n�o se d� a esse trabalho. Qual seria o motivo de toda aquela insist�ncia? - Edgar perguntou a si pr�prio - Tudo levava a crer que seus objetivos estavam longe de significar apenas uma despretensiosa caridade, como queria fazer aparentar. Provavelmente era v�tima de um ass�dio sexual e ele ca�ra como um patinho! L�gico, da� a raz�o de tantos cuidados e aten��es. Ele, que chegara a desconfiar de suas inten��es no in�cio, agora tinha certeza. Mas, com aquela idade? Pervertida! Ele podia ser seu filho, como ela pr�pria afirmara! Encorajado a livrar-se da situa��o de uma vez por todas, ele levantou-se e tratou de arranjar uma desculpa, enquanto caminhava em dire��o a sa�da: - A senhora vai me desculpar, mas agora lembrei-me de um compromisso. E estou super atrasado. - Tudo bem, ent�o. Mas cuide para arranjar logo roupas secas. - N�o moro muito longe daqui, em menos de meia hora a p� alcan�arei minha casa. |
| Cap�tulo 01 - Edgar encontra Olga |