-
Proveniente de uma família tradicional e nobre
da Itália, o Conde Don Luchino Visconti di Modrone, ou simplesmente Luchino Visconti,
antes de despertar para o dom para a direção, passou a juventude estudando artes e
literatura e criando cavalos, uma de suas paixões, mas logo se interessou pelo cinema
quando foi convidado para trabalhar com cenografia em um filme de Korda. A parceria não
se concretizou, porém se envolveu com o cinema inusitadamente aos 30 anos de idade, ao
ser convidado por Jean Renoir para ir a Paris e trabalhar como seu assistente no filme Une
Partie de Campagne (1936).
-
De volta a Itália, Visconti, que já havia se rendido aos ideais comunistas, reencontrou
Renoir e juntos filmaram La Tosca, que infelizmente foi concluído por outro
diretor. Contudo, em 1942, Luchino Visconti rodou sozinho o seu primeiro filme, Ossessione,
baseado no romance O Destino Bata a Sua Porta, de James Cain. Embora o filme
tivesse uma tendência esquerdista implícita, não fora proibido pela censura fascista,
pois a sua pretensa discussão sobre sexualidade não causou estranhamento ao establishment.
-
Dividido entre os palcos teatrais, onde criara inesquecíveis montagens operísticas,
trabalhando inclusive com Maria Callas, e a tela grande, o diretor italiano faz em 1947 a
sua terceira incursão pelo cinema como diretor, em La Terra Trema, considerado
por muitos um dos grandes filmes italianos. É um manifesto do neo-realismo que por vezes
Visconti adotou em suas obras, as quais sempre trouxeram uma discreta crítica
sócio-política.
-
Inspirado em uma música de Bruckner, Visconti juntou a sua percepção para a ópera ao
cinema, criando um espetáculo de rara beleza: Sedução da Carne (1954), a sua
obra-prima. Com esse filme, fica visível a posição de extrema importância que as artes
e a literatura ocupam em seus filmes, basta ver Morte em Veneza (1971), no qual
Luchino misturou música, literatura e outras artes.
-
Contudo, Visconti continuou fiel às suas temáticas sociais, políticas e
existencialistas (já que teve em sua obra grande influência dos pensamentos de Sartre),
imprimindo no imaginário do espectador a concepção de uma Itália de valores sociais
esquizofrênicos. Sem abandonar o neo-realismo, Visconti filmou Rocco e Seus Irmãos
(1960) e O Leopardo (1963), ambos sobre a crise existencial e as transformações
sociais da sociedade italiana. Mesmo em seus dramas históricos como Os Deuses
Malditos (1969) e Ludwig (1973), embora um tanto distante do vigor de seus
outros filmes, Luchino Visconti cobra uma resposta digna do homem frente a sua omissão
social, política e individual.
-
Comunista e existencialista, são duas expressões que não esgotam a essência dos filmes
criados por Luchino Visconti, que são obras inestimáveis do cinema italiano e de grande
profundidade dramática. A decadência, o estetismo, a crítica social e a análise
psicanalítica dos personagens são algumas das marcas deixadas por Visconti em sua
produção artística e intelectual, que reflete a personalidade e o espirituosismo desse
eminente diretor italiano.
-
|
Principais
Filmes:
-
-
-
-
|
- Ossessione (Ossessione, 1942)
- Giorni di Gloria (Giorni di Gloria, 1945)
- La Terra Trema - Episodio del Mare (La Terra Trema - Episodio
del Mare, 1947)
- Belíssima (Belissima, 1951)
- Nós, as Mulheres (Siamo Donne, 1953)
- Sedução da Carne (Senso, 1954)
- Um Rosto na Noite (Notti Bianche, 1957)
- Rocco e Seus Irmãos (Rocco
i Suoi Fratelli, 1960)
- Boccacio 70 (Boccacio 70, 1962)
- O Leopardo (Il Gattopardo, 1963)
- Os Deuses Malditos (La Caduta Degli Dei, 1969)
- Morte em Veneza (Death in
Venice, 1971)
- Ludwig, a Paixão de em Rei (Ludwig, 1973)
- Violência e Paixão
(Gruppo di Famiglia in Un Interno, 1974)
- O Inocente (L'Innocente, 1976)
|