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LUCHINO VISCONTI
(1906 - 1976)
 
 
                   Proveniente de uma família tradicional e nobre da Itália, o Conde Don Luchino Visconti di Modrone, ou simplesmente Luchino Visconti, antes de despertar para o dom para a direção, passou a juventude estudando artes e literatura e criando cavalos, uma de suas paixões, mas logo se interessou pelo cinema quando foi convidado para trabalhar com cenografia em um filme de Korda. A parceria não se concretizou, porém se envolveu com o cinema inusitadamente aos 30 anos de idade, ao ser convidado por Jean Renoir para ir a Paris e trabalhar como seu assistente no filme Une Partie de Campagne (1936).
                   De volta a Itália, Visconti, que já havia se rendido aos ideais comunistas, reencontrou Renoir e juntos filmaram La Tosca, que infelizmente foi concluído por outro diretor. Contudo, em 1942, Luchino Visconti rodou sozinho o seu primeiro filme, Ossessione, baseado no romance O Destino Bata a Sua Porta, de James Cain. Embora o filme tivesse uma tendência esquerdista implícita, não fora proibido pela censura fascista, pois a sua pretensa discussão sobre sexualidade não causou estranhamento ao establishment.
                    Dividido entre os palcos teatrais, onde criara inesquecíveis montagens operísticas, trabalhando inclusive com Maria Callas, e a tela grande, o diretor italiano faz em 1947 a sua terceira incursão pelo cinema como diretor, em La Terra Trema, considerado por muitos um dos grandes filmes italianos. É um manifesto do neo-realismo que por vezes Visconti adotou em suas obras, as quais sempre trouxeram uma discreta crítica sócio-política.
                     Inspirado em uma música de Bruckner, Visconti juntou a sua percepção para a ópera ao cinema, criando um espetáculo de rara beleza: Sedução da Carne (1954), a sua obra-prima. Com esse filme, fica visível a posição de extrema importância que as artes e a literatura ocupam em seus filmes, basta ver Morte em Veneza (1971), no qual Luchino misturou música, literatura e outras artes.
                      Contudo, Visconti continuou fiel às suas temáticas sociais, políticas e existencialistas (já que teve em sua obra grande influência dos pensamentos de Sartre), imprimindo no imaginário do espectador a concepção de uma Itália de valores sociais esquizofrênicos. Sem abandonar o neo-realismo, Visconti filmou Rocco e Seus Irmãos (1960) e O Leopardo (1963), ambos sobre a crise existencial e as transformações sociais da sociedade italiana. Mesmo em seus dramas históricos como Os Deuses Malditos (1969) e Ludwig (1973), embora um tanto distante do vigor de seus outros filmes, Luchino Visconti cobra uma resposta digna do homem frente a sua omissão social, política e individual.
                       Comunista e existencialista, são duas expressões que não esgotam a essência dos filmes criados por Luchino Visconti, que são obras inestimáveis do cinema italiano e de grande profundidade dramática. A decadência, o estetismo, a crítica social e a análise psicanalítica dos personagens são algumas das marcas deixadas por Visconti em sua produção artística e intelectual, que reflete a personalidade e o espirituosismo desse eminente diretor italiano.              
 
Principais Filmes:
 
 
 
 
Ossessione (Ossessione, 1942)
Giorni di Gloria (Giorni di Gloria, 1945)
La Terra Trema - Episodio del Mare (La Terra Trema - Episodio del Mare, 1947)
Belíssima (Belissima, 1951)
Nós, as Mulheres (Siamo Donne, 1953)
Sedução da Carne (Senso, 1954)
Um Rosto na Noite (Notti Bianche, 1957)
Rocco e Seus Irmãos (Rocco i Suoi Fratelli, 1960)
Boccacio 70 (Boccacio 70, 1962)
O Leopardo (Il Gattopardo, 1963)
Os Deuses Malditos (La Caduta Degli Dei, 1969)
Morte em Veneza (Death in Venice, 1971)
Ludwig, a Paixão de em Rei (Ludwig, 1973)
Violência e Paixão (Gruppo di Famiglia in Un Interno, 1974)
O Inocente (L'Innocente, 1976)

 

 
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