- Um professor
senil, cujo prazer é contemplar a solidão, vê a sua tranqüilidade ser abalada com a
chegada, ao apartamento no andar acima do seu, de um enigmático inquilino e seu estranho
grupo de amigos. O inquilino é um jovem rebelde e misantropo, que se relaciona
sexualmente com uma marquesa casada e a filha desta. Para completar o grupo, ainda há o
amigo da filha da marquesa, um rapaz envolvido com o marxismo. São pessoas completamente
diferentes que vivem sob o mesmo teto, embora se odeiem mutuamente. As desavenças desse
grupo acabam invadindo a privacidade do Professor, o qual ensaia uma reação enérgica
quando a situação torna-se para ele insuportável.
- Penúltimo filme
de Visconti, Violência e Paixão impresiona pela sensatez e erudição com que
trata algumas questões sociais e morais, como o choque entre o tradicional e o novo, a
tecnologia vs. Humanidade, a dificuldade dos homens em se relacionarem
pacificamente, o embate entre esquerda e direita, as frivolidades da aristocracia, a
solidão, a morte e as relações familiares. Contudo, o filme peca ao sobrecarregar o
público com excesso de informação e com uma estória difícil de ser compreendida. Mas
esse "defeito" peculiar a Luchino Visconti é rapidamente superado pela
maestria de seu estilo cinematográfico.
- Além da
excelente atuação do veterano Lancaster, como o Professor, também enchem os olhos e os
ouvidos a fotografia, a direção de arte e a belíssima trilha sonora com canções de
Mozart, que guardam o perfeccionismo de Visconti. Poderia ser uma obra perfeita se não
fosse a mão pesada de Visconti. É certo que Violência e Paixão não é a
obra-prima do cultuado diretor italiano, porém é um filme respeitável porque oriundo da
mente de um grande realizador.
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