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Cineasta extremamente talentoso e denunciador das
atrocidades cometidas por regimes autoritários, Constantins (Konstantinos) Costa-Gavras,
diretor francês de origem grega, soube como poucos tratar de assuntos polêmicos com
serenidade e astúcia. Dos filmes policiais aos filmes de cunho político e social,
Costa-Gavras sempre deu um enfoque crítico às suas obras e questinou correntemente a
atitude anti-democrática dos regimes comunistas e totalitaristas.
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Diferente do estilo que adotaria mais tarde, Constantins Costa-Gavras iniciou sua carreira
de diretor com o thriller de suspense Crime no Carro Dormitório (1965),
à maneira de Hollywood. Mas é a partir do seu segundo filme que Gavras começa a
demonstrar sua atenção por temáticas mais complexas. Em Um Homem a Mais - Tropa de
Choque (1966), a devoção do diretor francês pela combinação entre assuntos
políticos e pessoais aparece pela primeira vez de forma mais visível. Devoção que se
tornaria o sustentáculo da extraordinária obra de Costa-Gavras.
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Em 1969, Costa-Gavras dirige a sua terceira obra, a mais famosa e vigorosa de todas, Z.
Vencedora do Oscar de melhor filme estrangeiro e uma das poucas produções estrangeiras a
serem indicadas ao Oscar de melhor filme, Z surpreende pelo peso de suas
acusações políticas. Através desse filme baseado no romance de Vassilikos,
Costa-Gavras denuncia a corrupção e a opressão promovidas pelo regime militar grego e
que, por isso, fora censurado por países que adotavam na época a ditadura como foma de
governo, como o Brasil, por exemplo.
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Com o estrondoso sucesso e fama internacional alcançados com Z, Costa-Gavras
continuou a trabalhar em produções de contexto político como A Confissão
(1970), que faz uma crítica aos regimes comunistas dos países do Leste Europeu, Estado
de Sítio (1973), acerca do seqüestro de um agente americano por um grupo terrorista
no Uruguai, e Seção Especial de Justiça (1975), excelente filme sobre o
julgamento injusto de militantes antinazistas durante o governo colaboracionista do
Marechal Pétain.
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Em Um Homem, Uma Mulher, Uma Noite (1979), uma produção mais convencional,
Costa-Gavras abandona por um momento os filmes "políticos" e se volta para o
universo feminino nesse filme que obteve grande êxito comercial, mas que não possui a
visão crítica e provocadora que marcou a filmografia do diretor francês.
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Contudo, Costa-Gavras retorna ao mainstream de sua obra, a temática política,
no polêmico filme Desaparecido - Um Grande Mistério (1982), baseado na
história verdadeira de um americano que durante anos luta para descobrir o paradeiro de
seu filho desparecido no Chile durante a ditadura de Pinochet. Com esse relato verídico
das barbáries cometidas durante o governo do General Pinochet, Costa-Gavras arrebatou o
Oscar de roteiro e voltou a receber as honras dos admiradores do seu trabalho.
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Após o lançamento de Muito Mais Que Um Crime (1990), filme de suspense sobre um
criminoso de guerra que esconde a sua identidade, infelizmente Costa-Gavras não conseguiu
mais repetir o sucesso e a presteza de obras como Z e Desaparecido. No
entanto, seu nome sempre será lembrado por sua consciência política, por seu espírito
desafiador e por sua responsabilidade social, qualidades que ele imortalizou em seus
filmes, que não são mera panfletagem política, mas documentos que registram a
petulância e a injustiça de regimes e governantes tirânicos.
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Principais
Filmes:
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- Crime no Carro Dormitório (Compartment Tueurs, 1965)
- Um Homem a Mais - Tropa de Choque (Un Homme de Trop, 1966)
- Z (Z, 1969)
- A Confissão (L' Aveu, 1970)
- Estado de Sítio (État de Siège, 1973)
- Seção Especial de
Justiça (Séction Speciale, 1975)
- Um Homem, Uma Mulher, Uma Noite (Clair de Femme, 1979)
- Desaparecido - Um Grande Mistério (Missing, 1982)
- Atraiçoados (Betrayed, 1988)
- Muito Mias Que Um Crime (Music Box, 1990)
- La Petite Apocalypse (La Petite Apocalypse, 1993)
- Mad City (Mad City, 1997)
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