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A Privatizacao do ensino publico ira' extinguir a bolsa-moradia. O
pessoal ira' pagar para morar. Uma lenda, porque o crusp nao e' mantido
com recursos da Usp, mas de herancas vacantes. Quer dizer, toda a grana
de gente que morreu sem herdeiros ate' 75. Mas o medo existe e acredito
que a intencao tambem exista. O mais próximo que aconteceu
até agora foi a cobrança de taxa pra exame médico
na piscina e um regimento excluindo alunos na 2a graduação
e Pós-graduandos de terem tratamento médico gratuito no Hospital
Universitário.
Existe muita gente com carro do ano morando no CRUSP: Acontece.
Tanto porque conseguiu economizar pra comprar como porque melhorou de situacao
financeira que entrou. Existem aquelas que conseguiram entrar Deus-sabe-
como e os que usam o carro como instrumento de trabalho.
Tem muito filho de fazendeiro no que deveria ser moradia para carentes:
Bom, tem muita gente de fora de Sao Paulo, capital, morando no CRUSP. Reza
a lenda que facilita um pouco, ser de fora, para entrar la'. O fato do
morador ser ou nao da zona rural, nao quer dizer que ele seja rico. Ha'
os "ricos" do CRUSP, mas nao sao a maioria. Normalmente, quem
ta' acostumado com luxo e' rejeitado na Selecao Socio-economica, e acaba
se virando com um quarto alugado ou moradia externa, ver mais abaixo.
La' so' mora doidao: Dizia o Caetano que de perto, ninguem e' normal.
O fato e' que perto da epoca de prova, o stress toma conta do pedaco. A
convivencia com pessoas diferentes, a falta de privacidade, dificuldades
com grana, amor, familia, etc, tudo isso contribui para gerar stress. O
problema e' que e' uma comunidade. O pessoal adora exagerar os casos que
acontecem. As vezes pintam algumas situacoes engracadas, outras vezes,
tem casos especiais. Mas e' arriscado generalizar, porque muitos so' usam
a vaga ou quarto para dormir. Passam o dia todo fora.
O CRUSP e' responsavel por parte do nome da USP: Nao sei. Durante
o tempo da ditadura, o nome da comunidade foi associado a luta contra a
repressao do governo militar e o lugar abrigou elementos da guerrilha.
Se nao me engano existe referencia a isso no livro "Brasil: nunca
mais". Algumas das maiores cabecas da Universidade de Sao Paulo e
parte do Corpo Docente, como o professor Roncari, autor do livro "Rum
para Rondonia", morou la'. Existe um documentario, chamado "Uma
Experiencia Cruspiana", comentando esses detalhes, disponivel para
exibicao e emprestimo no Museu da Imagem e do Som.
Existem moradores que ficam la' por anos: Esta e' uma grande lenda. Sim, houve alguns que chegaram a ficar dezessete anos. Deus sabe como, porque o CRUSP atravessou tres expulsoes e ocupacoes. Pessoalmente conheci o Julinho 13 anos que era o morador mais antigo, inclusive aparece no documentario relatado acima. O novo regulamento parece estar limpando os casos de longa permanencia.
Apos se acostumar com o esquema, existe uma certa dificuldade para
o individuo enfrentar o mundo la' fora. Uma por conta dos precos, em Sao
Paulo. So' para se ter uma ideia, alguns precos para quem pensa em se mudar
para a cidade que nao pode parar:
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