
DOM
Cristina Pilan Oliveira.
Aquilo que fazemos de bom.
Todos se impressionam.
Encerra uma luta constante.
Um dom para criar.
Mãos calejadas que choram,
a amargura do barro frio.
Moldam asas na argila.
Rezando para um dia,
chegarem ao mármore.
Anjos que subirão ao céu.
Ou sonhos que virarão pó...
Voz que canta.
Nas ruas, esquinas da vida.
Esgotam o amor.
No auge do calor da voz.
Até o anoitecer na tapera vazia.
Mãos que escrevem.
Imaginam um mundo de sonhos.
Personagens vivos.
Dramas que querem vir à tona.
Do pensamento para o papel.
Do bloco para a gaveta.
Um mundo vibrante,
amarelado pelo tempo...
Mas o dom fala mais alto.
A persistência é o molde.
O desafio traçando o destino.
A determinação conquistando o final.
Dom que é Deus presente.
Despontando no lixo.
Milagrosamente...
Encontrado pelas ruas.
Dom é arte pura.
Ser tomado por estranha percepção.
Um surto, surgindo das entranhas.
Incorporação de algo maior.
Sentir que a vontade divina,
guia as mãos.
Escolhe as palavras.
Afina a voz.
Num instante de loucura santa...
Agarrar e sentir
essa força descomunal.
Centrar-se no poder do amor.
Furor abençoado de criação.
Carregado de inspiração a fluir.
Arrebentar-se de emoção.
Esquecer-se um pouco da razão.
Guiar-se pela intuição.
Acreditar...
Deus dará a direção...
