
ANGELUS
Cristina Pilan Oliveira
Neblina repleta
Grandes blocos de escuridão
Machucavam os pés
Deturpavam a visão
"Tribulatiónes"
Do córrego negro
Ao céu carregado
Noite refletida em cumes nevados
O espírito exposto, em dor revelado
"Humilitátem"
Ira, fogo, escárnio
Lágrimas marcavam a face
Profundo abismo
Derradeira prece
"Rédime me, Dómine"
Tempo obscuro, indefinido padecer
Ventos tempestuosos, trovoada
O corpo perdeu o medo de sofrer
A alma em busca apaixonada
"Inclína ad me aurem tuam"
A luz em olhar de majestade
Divina oratória
Súplica como história
altos relevos em sangue
Ao infinito, com asas misteriosas
Sopro de paz, canto suave, honra em rosas
"Angelus..."
