Contos

1ªfase - Conto a concluir

Os primeiros frios já se tinham feito sentir. Os ventos já tinham varrido as últimas folhas de Outono. Dormiam esquilos nas tocas e apareciam as primeiras romãs maduras. As neblinas desciam com a noite e coavam o luar, transformando os campos em jardins de fadas. Foi então que os meninos começaram a sentir no ar um cheirinho a Natal.

  Cheirinho feito de neve, que se espreita da janela
   de manhã
                 ao levantar.
  Perfume feito de chuva, que vem cair de mansinho
   no telhado
                 a tilintar.
  De relva bem orvalhada
  De lareira a crepitar
  Que o tempo, sempre veloz, vem a correr transformar
  em cheirinho de castanhas e canela nas filhós.

Nessa altura, vozes dispersas começaram a soar de vários cantos da escola:
__ Meninos, há que conversar muito a sério com os avós para lhes perguntar tudo o que sabem sobre os costumes de Natal. Costumes... e cantares ... e textos ...e receitas ....e ... e ... e tudo o que puderem saber. Tudo muito bem escrito, já sabem. _ é claro que era a voz da professora de Português.
E os meninos fizeram a lista do que era preciso recolher.
__ Meninos, temos que começar rapidamente a construir o presépio ... e decorações para as mesas da ceia ... e a árvore de Natal .. e velas ... e cartões...  _ os meninos já não ouviram o resto, mas escreveram tudo numa enorme lista. Desta vez, eram os professores de EVT  e de  EV.
Quando os meninos pensavam que já tinham registado tudo, uma curiosa voz  ( seria em sol maior ?  ) anunciou:
__ Temos que cantar canções de Natal. É melhor começarem já a aprender algumas que seja costume cantar nas vossas aldeias. Perguntem aos avós...
É escusado dizer de quem era esta voz. Só que agora os meninos já não fizeram lista, o que foi um alívio.
Mas não ficou por aí. As vozes continuaram:
__ Cartões ... Vitrais ... Cartazes...
__ A história do presépio... da árvore de Natal...
__Tradições dos países estrangeiros ... Ementas inglesas... receitas francesas ...  A lenda do bolo-rei ... e de S. Nicolau ...

E aí os meninos já começaram a ficar completamente " baralhados ", como eles costumam dizer. Felizmente que alguém que gostava muito de organização se lembrou de fazer uma circular dizendo, muito laconicamente:     " É preciso planificar a Festa de Natal ". Planificar era uma palavra que os professores usavam muito entre eles, mas que os meninos, à força de tanto a ouvirem, acabaram por perceber também o que queria dizer: no fundo, no fundo, era preciso começar a pensar na festa para depois, ensaiar, expor, recitar, representar, dançar e outros tantos verbos da área dos festejos que o dicionário costumava desarrumar nesta época. Tudo muito certo. Só que, naquele ano, os meninos não quiseram uma festa destas, igual à de todos os anos, parecida com as que os pais lhes descreviam ao relembrarem a infância, muito idêntica às que os avós relatavam ao reviver o seu tempo ( aqueles avós que tinham tido a felicidade de ter ido à escola ... e  escola com festas, claro ).

Queriam uma festa diferente.

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