Sofia Cerqueira

Escola EB2,3 de Gualtar

"Natal Diferente" (conclusão)

.

Os professores espantaram-se com esta decisão súbita dos alunos. No seu entender, as festas normais eram boas e muito divertidas. Por que razão as queriam eles mudar? Mas os alunos é que  não tinham a mesma  opinião. Todas as festas eram iguais: cantava-se, brincava-se, recitavam-se poemas, representava-se... enfim, sempre as mesmas coisas que dantes eram divertidas, mas que depois, com o tempo, se começam a desgastar, perdem o entusiasmo e tornam-se maçadoras e repetitivas. Queriam um Natal fora do vulgar.

Pensaram, durante o caminho da escola à paragem do autocarro, como tornar esse Natal numa festa original. Mas ninguém conseguiu arranjar uma ideia que todos aprovassem. Já estavam tão habituados aos Natais ” normais” que não conseguiam elaborar um plano novo para a festa.

Quando chegaram à paragem, começaram a perguntar uns aos outros o que costumavam fazer no Natal. Todos os alunos que estavam na paragem falaram do seu Natal, menos a Margarida, que se manteve calada a um canto. Foi então que a Lena  do 6ºA lhe perguntou:

- E tu, Margarida, o que costumas fazer no Natal?

- O quê? – quis saber, curioso, o António.

- A minha mãe faz a melhor sopa que sabe fazer, comemos um naco do pão melhor, acendemos a lareira e conversamos. – afirmou, baixando a cabeça.

- E as prendas, e os jogos, e os grandes jantares com toda a família, e a árvore de Natal, e o presépio? – espantaram-se os amigos. – Não tens nada disto?

Margarida abanou a cabeça.

- Porquê?

- Não temos dinheiro. Os meus pais não têm trabalho.

Foram calados todo o caminho da escola a casa. Nunca tinham pensado que o Natal da Margarida fosse assim. Ela estava sempre tão alegre e parecia tão despreocupada...

No dia seguinte, no recreio:

- Temos de fazer qualquer coisa para a ajudar – declarou a Madalena – mas o quê?

Nesse momento, Maria explicou a sua ideia:

- E se organizássemos uma grande festa com os professores e toda a gente da aldeia? Assim, estaríamos a ajudá-la e faríamos um Natal diferente!

- Sim! Com bolos, rebuçados, rabanadas, filhós, aletria, uvas passa, bacalhau cozido... – sonhou Francisco, o glutão da turma.

- -... E enfeites de Natal: uma árvore de Natal com luzes faiscantes, flores, azevinho, um presépio muito bonito e uma grande e brilhante estrela em cima da árvore, velas... – imaginou Maria.

- ... E muitas prendas! – concluiu Madalena.

-Trriimmm!!! – a campainha trouxe-os de volta à realidade e, entusiasmados com a ideia de alegrar o Natal da amiga, entraram para a sala de aula.

No dia 24 de Dezembro, à tarde, a aldeia andava numa azáfama. A festa iria ser na escola.Crianças corriam, felizes, levando enfeites de Natal para pendurar na entrada da escola. Esta parecia ter vida, toda luzidia e bonita.

 Via-se fumo a sair das chaminés das casas em que as mães,tias e avós, solícitas, cozinhavam bolos e doces para a grande festa de Natal. Os homens da aldeia colocavam mesas e transportavam lenha para  a lareira. Os jovens enfeitavam a sala e a entrada enquanto cantavam canções de Natal.

À noite iniciou-se a festa. Acenderam-se a lareira, as luzes da árvore de Natal e as velas. Todas as pessoas se reuniram à volta da mesa e cearam enquanto conversavam alegremente. Por volta das onze horas, começaram as peças de teatro, as canções, os jogos e toda a gente se divertiu imenso.

Para Margarida e os seus pais, aquele Natal era como um sonho. Os olhos dela brilhavam de emoção e alegria. A árvore de Natal estava belíssima e tinha muitos enfeites e a estrela, no cimo da árvore, luzia como fogo, iluminando as vidas daquelas pessoas que tanto tinham feito por ela. As velas cintilavam e aqueciam seus corações e todos aqueles enfeites davam-lhe tanta alegria!

Foi então que apareceu um senhor de bigode preto e cabelo e fato impecáveis. Aproximou-se da família dela e sorriu. Era o Presidente da Câmara Municipal. Tinha arranjado trabalho para o seu pai e a sua mãe, que o aceitaram, satisfeitos. Que homem bom! Margarida saltou para os seus braços e abraçou-o com toda a força que tinha.

À meia-noite todos abriram as prendas e viram surgir à sua frente peluches, bonecas, carros, trotinetes, bicicletas, carteiras, roupa, “CDs” e muitas outras prendas.

Então formaram uma roda e cantaram todos juntos canções natalícias.

 Margarida estava felicíssima e sentiu, a certa altura, lágrimas a escorrem-lhe pela face. Lágrimas de felicidade...

 

Sofia Cerqueira  - nº 23   - 6ºA

 

HomeHome
Hosted by www.Geocities.ws

1