CUBA, UM SONHO POSSÍVEL?
Na verdade, realizar um filme documentário, ficção, sobre Cuba é um desafio, inclusive em termos de linguagem. O principal desafio é, sem dúvida, é o de tornar a película acessível a todos os públicos, sem imposições de verdades absolutas.
Em "Cuba, um sonho possível?", como o próprio título sugere, o espectador é que vai concluir se é viável a possibilidade.
Os realizadores apresentam fatos e mostram o sonho de um jovem da periferia sobre um país do Caribe, não conhecido e com carência de informação e até mesmo com informação manipulada.
Foram semanas a fio de filmagens, num trabalho diuturno, realizado recentemente. Cerca de 100 horas de gravação, em Havana e em outros locais, onde o projeto político cubano é posto sob holofotes, via depoimento de autoridades e entrevistas com gente comum, do povo.
As novas reformas impostas por Raul Castro, que substituiu seu irmão, após 49 anos de governo Fidel, estão na ordem do dia. A Havana metrópole, com a liberalização de produtos como eletrodomésticos – telefones celulares já são uma constante na capital cubana – o acesso de cubanos aos hotéis da ilha, a reformulação do programa médico de família e o fim dos tetos salariais são colocados em discussão
As gravações foram feitas sob a coordenação do jornalista brasileiro Mário Augusto Jakobskind. E realizadas por uma equipe de exímios profissionais da Latin TV, a televisão da agência cubana Prensa Latina. A narrativa e os efeitos visuais desenvolvidos pelo diretor Antonio Castigliola e o designer Fabio Rios, da RioProd, mostram os percursos entre muitos registros do documentário. Desmantelando a fronteira do que é documentário ou ficção
Gerald Thomas participa ativamente do projeto colhendo depoimentos de cubanos residentes em Miami e opina sobre Cuba É o jeito maluco-beleza do controvertido teatrólogo, impondo uma nova linguagem cinematográfica, aparentemente desleixada no dizer, mas contundente no falar Gerald Thomas é o Glauber Rocha dos novos tempos. ..
"Cuba, um sonho possível?", é dirigido por Antonio Castigliola Uma obra impessoal, na visáo do artista, mas personalíssima nos depoimentos da população, Castigliola faz a trajetória entre registros do documentário que, ora remetem ao cinema-verdade, ora perpassam pela ficção As duas definições – documentário ou ficção –nunca estanques na obra, as vezes se entrelaçam no momento em que o contexto social da nova Cuba que emerge se torna uma forma de expressão da realidade-ficção Ou ficção-realidade É nessa nova gramática cinematográfica que surge a manifestação popular de superação social
Participação especial de Gerald Thomas, Letiicia Spiller e do ator mirim Leandro Meira.