V. Feminismo e Revoluçom
[1.O PENSAMENTO REVOLUCIONÁRIO E A OPRESSOM DAS MULHERES]
Podemos fazermo-nos umha idea de até que ponto o pensamento revolucionário rachou coas limitaçons que impunha a sua herdança liberal vendo em que medida tem sido capaz de incorporar o concepto de opressom da mulher. Como temos visto, as ideas de liberdade e de libertaçom da mulher opunham-se no pensamento liberal do século XIX. A estrutura política do liberalismo, que dominou o pensamento radical até a época de Marx, baseava-se na separaçom da esfera pública e privada, da indústria e a família-. Assi, a pesares dos escritos de John Stuart Mill e Mary Wollstonecraft, a liberdade do home adquiriu em realidade o seu sentido na primeira esfera meiante a restricçom da mulher à segunda. Mas dentro do pensamento revolucionário do século XX as ideas de liberdade e de libertaçom da mulher permaneceram dissociadas. Ainda que Marx e Engels efectuaram um estudo histórico sobre a opressom da mulher, deixaram incompleta a análise da relaçom estratégica entre a luita pola libertaçom da mulher e a revoluçom proletária. Quais som, entom, os passos necessários para decifrar essa relaçom?
O primeiro passo foi proporcionado indirectamente polos escritos de Freud. O seu inseguro liberalismo veu recordar o esquecimento em que se tinha deixado o aspecto sexual da opressom na relaçom do home e a mulher, que era um rasgo comum do pensamento radical e revolucionário. Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir ajudaram a avançar um pouco nesta mesma linha através da importáncia que deram ao fracasso da relaçom sexual entre o home e a mulher, pola sua desintegraçom nas formas de subjectividade e alteridade.
O home define-se a si mesmo frente à mulher, mas ao reduzi-la a um objecto, nom consegue confirmar a sua humanidade. Mas o passo decisivo era converter a opressom da mulher em ponto central das relaçons básicas do capitalismo, é dizer, extender o concepto marxista de alienaçom para explicar esta relaçom de subjectividade e alteridade entre o home e a mulher. Mentres a alienaçom reduz ao home a um instrumento de trabalho dentro da indústria, reduz à mulher a um instrumento para o seu prazer sexual no seo da família. Desta forma, a definiçom de feminidade na sociedade capitalista convirte-se num aspecto clave da forma alienada que a actividade produtiva adquire dentro das relaçons de produçom de mercadorias. De acordo com isto, qualquer desafio à posiçom da mulher na sociedade deve ser parte integrante dum assalto revolucionário ao sistema capitalista. Mas, mentres assi se da umha resposta teórica ao problema da relaçom entre a opressom da mulher e a opressom de classe: Que forma deveria tomar na prática esta luita? E, em concreto: Qual devería ser a relaçom da classe trabalhadora co movimento feminista?
Tradicionalmente, o movimento marxista tentou incluir este último no primeiro, e foi mui cauteloso respeito à autonomia do movimento da mulher. Isto causa, de forma imediata, problemas porque o actual movimento da mulher encontra-se firmemente arraigado desde as suas origes em grupos autónomos, grupos cuja conscientizaçom aumenta de dia em dia. Foi nestes grupos de mulheres, onde a mulher começou a observar-se a si mesma cos seus próprios olhos, em lugar de cos olhos dos homes. Noutras palavras, foi aqui onde a mulher começou o processo, muitas vezes doloroso, de ruptura, através da sua experiência da feminidade. Meiante a discussom e comparaçom da sua experiência individual, a mulher desenrolou um conhecimento da estrutura emocional da sua dependência.
Fixeram-se conscientes de que os seus problemas individuais eram ao mesmo tempo problemas políticos, de que a sua posiçom de Outro na sociedade era o produto histórico da sociedade capitalista. E assi, através de discussons colectivas, as mulheres foram capazes de ir mais alá da experiência de reificaçom nas suas relaçons interpersoais, porque a discussom em termos políticos, dos sentimientos sexuais e emocionais, foi despojando-se gradualmente do seu carácter de ser seres imediatos, e por tanto os mais naturais da sociedade.
Mas esses grupos, cuja consciência ía em aumento, nom produziram mulheres cumha prática política. Quando as mulheres tentaram definir-se como indivíduos autónomos e independentes nas suas relaçons cos homes, xurdiu umha tendência cara a introversom. Algumhas mulheres comenzaram a sugerir que o caminho para rachar definitivamente coa experiência da feminidade e as suas estruturas de dependência emocional era cortar toda relaçom cos homes. Para elas, o movimento da mulher convirtiu-se em algo que era ao mesmo tempo o começo e a fim da luita pola libertaçom. De acordo com isto, algumhas feministas començaram a interpretar o movimento da mulher como umha senda separatista; a separaçom da mulher de todas as áreas da vida que eram dominadas polos homes.
[2. PERSPECTIVA TRADICIONAL OU SEPARATISMO]
Nom se podem, sem embargo, dissociar estas discussons sobre a forma do movimento da mulher do problema da sua composiçom. Como temos visto, foram as contradiçons cada vez maiores do estereotipo femenino, junto coa crise estrutural da posiçom da mulher na sociedade, o que deu ímpetu ao crescimento do movimento da mulher no capitalismo avanzado; um processo que afecta tanto à mulher da classe trabalhadora como à das classes meias. E contudo, as primeiras mulheres que se uniram ao movimento da mulher, e que, em geral, continuam dominando-o, som mulheres jovens, da classe meia e cumha boa educaçom. Pode-se explicar isto parcialmente polo facto de que a experiência inicial desta contradiçom é diferente para a classe meia que para a classe trabalhadora. As mulheres da classe meia experimentaram esta contradiçom como um conflito entre as tradiçons de feminidade e as suas aspiraçons e capacidades. Ao mesmo tempo, especialmente se eram moças e solteiras, desfrutavam dumha certa liberdade para explorar as contradiçons da posiçom da mulher. Mas para as mulheres da classe trabalhadora, que estavam ligadas aos seus familiares com fortes laços materiais, essa nom semelhava umha perspectiva mui atrainte, sobretudo porque a cultura da classe trabalhadora tem sido sempre mais hostil às desviaçons individuais que a da classe meia, o que nom quere dizer que nom houvesse umha resposta das mulheres da classe trabalhadora às contradiçons cada vez maiores da sua situaçom. As luitas dos últimos anos na Grande Bretanha (por umha igualdade salarial e em contra da discriminaçom laboral) tenhem sido iniciadas em grande medida polas mulheres da classe trabalhadora, dado de grande importáncia já que estas luitas continuaram durante um período no que o resto da sua classe permanecera relativamente passiva.
Resultou, entom, que as feministas tinham que eleger entre continuar discutindo nos grupos ou, se queriam entrar em contacto coas mulheres das classes trabalhadoras e extender o ámbito do movimento da mulher, abandona-los em favor de organizaçons para levar a cabo determinadas campanhas (1). Na Grande Bretanha muitas feministas tomaram a decissom quando lançaram todas as suas energias na campanha pro-aborto, mas um número considerável delas sentiram-se cedo descontentas. Ainda que reconheciam que a luita polo aborto gratuito, como a luita pola igualdade salarial e de oportunidades, era necessária para que as mulheres acadassem um certo grado real de liberdade, sentiram, sem embargo, que faltava algo. As suas demandas pareciam estar separadas da experiência que começaram a sentir nos grupos. Dava-lhes a impressom de que a actividade desenrolada arredor desses temas podia aventurar-se alegremente por acima das verdaideras estruturas opressivas da feminidade. Formuladas como demandas formais, resultavam um avanço pequeno respeito às manidas fórmulas às que sempre recurrira a esquerda quando tentava enfrentar-se ao problema da mulher. E por riba de tudo, a sua presença como feministas na campanha foi ensombrecida pola da esquerda organizada.
Por conseguinte, iam as mulheres chegar à conclusom de que nom havia nengumha forma de actividade aberta ao movimento de mulheres que puidera revelar a totalidade da opressom das mulheres? Em outras palavras, enfrentavam-se as feministas co dilema inevitável de escolher entre a perspectiva tradicional da esquerda ou a das separatistas, de acadar umha serie de demandas formais e ter fe na victoria final da revoluçom do proletariado, ou deixar que o movimento da mulher se voltasse cara si mesmo numha espiral de introversom? Quando o observamos mais de perto, sem embargo, o problema da perspectiva política do movimento da mulher descobre, ao mesmo tempo, o problema da definiçom clássica da política.
[3. A DIVISOM ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO, ENTRE O POLÍTICO E O PERSOAL]
Ainda que os marxistas revolucionários romperam o domínio do liberalismo sobre o pensamento político coa sua conclusom de que a liberdade humana nom podia alcançar-se realmente reformando a sociedade, senom através dum processo revolucionário, eles seguiam aceitando até certo ponto, sem embargo, a definiçom liberal de que havia assuntos políticos e outros que nom o eram. Em geral, consideravam que a sua própria experiência subjectiva, as suas relaçons individuais, nom estavam relacionadas coa política. Para dize-lo doutro modo, a velha separaçom liberal do público e o privado, o político e o persoal, encontrou umha nova cobertura na prática da esquerda. Em tempos recentes, para as mulheres cuja radicalizaçom tivo lugar principalmente no movimento de mulheres, isto levou-nas a umha forma de opressom especialmente intolerável. Nas organizaçons da esquerda foi-se relegando às mulheres da forma mais brutal às funçons de fazer o té e escrever a máquina, e, em geral, servir as necessidades 'revolucionárias' dos homes. Mas as suas formas menos óbvias eram (e som), em muitos sentidos, muito mais insidiosas. Ao nom saber considerar a interacçom persoal como umha questom política, as formas de organizaçom e discussom que adoptaron os grupos da esquerda, tanto internamente como nas campanhas que iniciavam, impediam a completa participaçom da mulher. O modo de proceder agressivo, e, muitas das vezes destrutivo, dos homes no debate político, reflicte a sua habilidade tradicional para distanciar-se da sua prática política. Historicamente, as vidas políticas e persoais dos homes tenhem estado estruturalmente separadas. A diferência das mulheres, o seu compromisso político nom lhes tem exigido pôr em entredito a sua própria individualidade. Os grupos de esquerda, coa sua falta de sensibilidade face à interacçom persoal, reproducem o modo de proceder político tradicionalmente masculino e, com el, umha exclusom efectiva das mulheres dumha verdadeira participaçom política.
Mas, como temos visto, a perpetuaçom desta separaçom entre a vida pública e a privada nom se limita à prática dos grupos da esquerda, é um rasgo geral e restrictivo da vida política dos países capitalistas avançados. Na Grande Bretanha, os governos laboristas, tenhem evitado reconhecer os temas que relacionam directamente a vida familiar coa política. A legislaçom que nos tenhem transmitido assume a estrutura do Informe Beveridge de 1942, ao definir às mulheres enmarcadas na família. Dada esta premissa, os governos laboristas tenhem mantido que a funçom da mulher como esposa e mai está por riba de toda interferência política. Quando se enfrentam cum tema que ameaça esta definiçom, como a utilidade do aborto, tentam dar de lado o problema referindo-se a el como um assunto que atinge à "consciência individual". O movimento sindical mantém tamém esta separaçom à sua maneira, ao traçar umha linha entre a indústria e a família. Ainda que os temas do aborto e de lograr facilidades para o cuidado dos nenos som de crucial importáncia para as mulheres sindicalistas, o movimento sindical os tem classificado como alheos ao seu campo de acçom, já que a tradiçom dos sindicatos descansa nas actuaçons sobre aqueles temas que xurdem directamente das condiçons de trabalho dos seus membros, e mais concretamente, das condiçons de trabalho dos seus membros masculinos. Desde começos dos anos sesenta, as mulheres sindicalistas, principalmente nos sectores administrativos, tenhem alcançado algum resultado ao conseguer que os seus sindicatos tomem partido para conquerir temas como o aborto ou a obtençom de facilidades para o cuidado dos nenos. Mas, ainda que esta seja umha tendência alentadora, o peso da tradiçom, especialmente nas secçons mais antigas e melhor organizadas da classe trabalhadora, bloquea as suas acçons.
Esta definiçom da actividade política em termos da separaçom da indústria e a família limita, obviamente, a efectividade da luita da classe trabalhadora ao exacerbar a divisom no seu seo em base ao sexo. Ademais, ao reforçar a experiência da alienaçom e reificaçom sobre a que se basea, frea o desenrolo da consciência revolucionária da classe trabalhadora, já que o desenrolo de dita consciência depende de que a classe trabalhadora seja capaz de aprehender a realidade capitalista mais alá do nível em que se apresenta de modo imediato. Em outras palavras, deve começar a entender a experiência de reificaçom e alienaçom a fim de traspassar a image externa da ideologia burguesa.
É aqui onde a intervençom do movimento das mulheres poderia ser um factor capital, porque ao experimentar a dissociaçom entre indústria e família, as mulheres podem ser uns agentes mais eficazes para acabar com esta separaçom em todas as suas formas. Isto, por conseguinte, começa simultaneamente a resolver o problema da perspectiva política do movimento das mulheres e acrescenta umha nova dimensom à luita política.
[4. O POTENCIAL TRANSFORMADOR DO MOVIMENTO DAS MULHERES NA LUITA POLÍTICA]
Em primeiro lugar, o movimento das mulheres pode ajudar a transformar a ubicaçom da luita política, tradicionalmente limitada. Quando sectores da classe trabalhadora assumam um problema, as feministas poderiam luitar para que se extenda mais alá dos meros grupos de eleitores do sindicato ou do Partido Laborista. Poderiam argüir que deveria formularse no próprio movimento de mulheres, asociaçons vizinhais, organizaçons estudantis, etc.
Em segundo lugar, o movimento das mulheres pode transformar o conteúdo tradicional da luita política. Obviamente, como um primeiro passo, terám que convencer ao movimento obreiro da importáncia de incorporarem-se a campanhas dirigidas em contra dos aspectos materiais da opressom da mulher, tais como o aborto, anticonceptivos e guardarias. Mas ao mesmo tempo, podem-se utilizar estas campanhas como um ponto de partida para ponher em dúvida a polaridade da masculinidade e feminidade na sociedade capitalista. Assi, por ejemplo, a campanha actual em favor do aborto tem atacado a idea de que o sexo é só para procriar. Por outra banda, ao sacar à luz o problema do controlo da mulher sobre a sua própria fertilidade e sexualidade genital e das relaçons home-mulher. Isto é, ao começar cumhas demandas políticas formais, as feministas podem, no transcurso da campanha, desafiar as limitaçons normais dos temas políticos.
Em terceiro lugar, o movimento das mulheres pode transformar a forma tradicional da luita política. Aqui o problema da autonomia adquire grande trascendência, porque manter a importáncia da autoorganizaçom das feministas pode converter num tema político a forma de organizar campanhas. Podem faze-lo luitando por que se estableçam juntas de elecçons para mulheres em todas as áreas da vida política, desde as organizaçons tradicionais da classe trabalhadora até as campanhas da esquerda revolucionária. Neste sentido, o problema da autonomia pode utilizar-se para ampliar as fronteiras do movimento da mulher mais que para encerra-lo em si mesmo e assi, começar a solucionar o problema da sua composiçom limitada à classe meia. Ao unirem-se, as mulheres podem fazer-se fortes para luitar nessas organizaçons às que já pertenecem em vez de alonjar-se delas (#17). Às mulheres da classe trabalhadora ofrece-se-lhes a oportunidade de criar de forma independente a sua própria resposta à opressom sem que lhes venha imposta polas mulheres que actualmente dirigem o movimento da mulher. A autoorganizaçom, entom, facilita a uniom entre mulheres da classe trabalhadora e da classe meia sobre umha base política, cada umha desde a sua própria posiçom de força. Esta sensibilidade à experiência individual pode, ao mesmo tempo, aplicar-se a todas as formas de discussom política. Quizais, gradualmente, pequenas discussons informais características do movimento da mulher que permite ao indivíduo participar e que reconhece a validez da sua experiência persoal, poderiam reempraçar certos tipos de debates formais. Em resumo, a presença organizada das mulheres nas suas formas brutais ou sofisticadas. E ao afirmar o dereito da mulher a definir a sua própria identidade dentro das estruturas políticas, a autoorganizaçom das mulheres dirige-se ao centro da atitude feminina de alteridade na qual descansa dita exclusom. Finalmente, por conseguinte, a autonomia proporciona um vínculo político e nom simplemente organizativo, entre a luita das feministas e a da classe obreira.
Os marxistas revolucionários tenhem afirmado que a questom da autoorganizaçom é decissiva para o desenrolo da consciência revolucionária dentro da classe trabalhadora. Tenhem considerado o desenrolo das organizaçons de tipo soviético, que oponhem o poder de tomar decisons da classe obreira ao do Estado burgués, como a forma mais importante de luita. Marx sentou as bases desta discussom quando afirmou que a consciência revolucionária dependia de que a classe trabalhadora se convertisse numha classe para si mesma: é dizer, através do reconhecimento da sua posiçom na sociedade, compreende a sua tarefa histórica como agente do cámbio social. O movimento das mulheres, através do seu verdadeiro desenrolo e a sua forma de organizaçom expressa mui claramente a necessidade desta atitude auto-consciente respeito da luita política e pode, por isto, assegurar que a transformaçom da classe trabalhadora numha classe para si mesma tenha lugar ao nível político mais elevado.
(#17) A perspectiva da autora é unir a luita feminista e a luita proletária através da ligaçom organizativa entre os grupos e militantes feministas e as organizaçons tradicionais do movimento obreiro. Isto provou ser erróneo ao longo dos últimos quase que 30 anos, que mediam entre o escrito de Foreman e o momento presente da luita de classes e em particular da luita feminista. Por suposto, aqui o problema da composiçom, ou com mais precisom, da orientaçom de classe do movimento feminista e dos seus objetivos, é determinante à hora de valorar umha táctica ou outra.
As luitas feministas tenhem conseguido, durante o período sinalado, avanços importantes a nível jurídico e ideológico, mas nom tenhem questionado realmente o capitalismo e a divisom de género existente dentro das próprias relaçons de produçom capitalistas, dentro do trabalho assalariado. Convertirom a força de trabalho feminina em mercadoria de livre circulaçom, mas nom suprimirom a sua explotaçom nem a sua alienaçom específicas, que cambiarom a sua forma e se combinarom coas comuns a toda a classe obreira. Por outra parte, as organizaçons do movimento obreiro tradicional apoiarom em maior ou menor medida esta política de igualdade jurídica e ideológica dentro do campo da actividade pública, e até certo ponto na vida privada, mas de nengum modo empreenderam luitas sérias contra as relaçons de género. Se tenhem limitado às declaraçons de intençons e à apologia dum igualitarismo abstracto.
A conclusom, pois, é que as mulheres proletarias tenhem que separar-se desse feminismo burguês tanto como das organizaçons obreiras tradicionais, e organizar-se autónomamente para luitar contra a dominaçom de classe e de género em todas as suas formas. Criando as suas próprias organizaçons de luita nos sectores feminizados da produçom, impulsando a autonomia de classe e combinando-a coa autonomia de género nos sectores mixtos. A luita das mulheres trabalhadoras somentes pode avançar lançando-se a um enfrentamento aberto e total co capitalismo, considerando que:
1) a única razom determinante de que se mantenha às mulheres como instrumentos de reproduçom social da força de trabalho é a incapacidade do capitalismo para absorver estas funçons dentro do trabalho assalariado sem implicar um incremento inassumível nos salários, que detonaria umha crise crónica de acumulaçom e provocaria o derrube da economia capitalista (a magnitude enorme que, em termos económicos de valor, supóm o tempo global de trabalho doméstico na sociedade capitalista desenvolvida, ilustra suficientemente as implicaçons potenciais de converte-lo em trabalho assalariado);
2) a situaçom de segregaçom e discriminaçom laboral a escala global da economia capitalista nom pode resolver-se no capitalismo decadente sem implicar um igualamento à baixa do proletariado masculino e provocar un conflicto dentro da própria classe obreira;
3) as organizaçons feministas burguesas e as estructuras sindicais e partidarias de mulheres nom som os meios para construir umha verdadeira autonomia das proletárias. No seu lugar, som os meios para mante-las atadas ao capitalismo, para desviar cara o reformismo a sua luita dos seus verdadeiros objetivos, e para aturdir a sua consciência coa crítica superficial e inoperante da ideologia "antipatriarcal". A luita de classe e a luita de género som inseparáveis.
Em realidade, volvendo ao texto de Foreman, hai que dizer que a táctica que propóm está em contradiçom coa sua própria tese fundamental, de que o capitalismo nom pode superar a divisom entre a esfera da produçom e a esfera da reproduçom, entre a organizaçom da produçom capitalista e a organizaçom da vida familiar. Por conseguinte: a autolibertaçom das mulheres somentes pode consistir no derrube do capitalismo.