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AMA A DEUS COMO DAVI AMOU? PARTE 1 (*) As citações bíblicas são das traduções: Bíblia de Jerusalém e da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas. |
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Eu te amo!
Vista isoladamente a declaração acima, nos remete a pensar na cena onde um rapaz apaixonado expressa seus mais sinceros sentimentos à mulher que escolhera para ser a sua companheira por toda a vida. Contudo, é assim que a Bíblia de Jerusalém começa a tradução do Salmo 18:1. O Salmo 18 é um dos que foram escritos pelo lendário rei Davi por volta de 450 AC. A pergunta que surge é: A
quem se dirigiam as declarações de amor encontradas neste salmo? Lemos: –
Eu te amo, Iahweh (Jeová), minha
força, meu salvador... Como
descrito acima, Davi estava declarando seu amor a seu Criador e Deus,
Jeová. Como começou esta relação de amor entre um ser humano e o
Deus altíssimo? Ele realmente amou a Deus de verdade? Foi Davi
correspondido neste amor? DAVI
- UM HOMEM ESCOLHIDO POR DEUS
Em certo momento da história de Israel, o seu primeiro rei, Saul, foi rejeitado por Deus. Deste modo a sua linhagem não o sucederia na casa real. “Arrependo-me de haver dado a realeza a Saul, porque ele se afastou de mim e não executou as minhas ordens” (1 Samuel 15:10) – Disse Jeová ao profeta Samuel. Após a rejeição de Saul, Jeová deveria escolher o próximo rei da nação. “Eu
te envio à casa de Jessé, o belemita, porque escolhi um rei dentre
seus filhos” – Disse Ele a Samuel (1 Samuel 16:1). Assim,
Samuel se dirigiu à Belém com a missão secreta de ungir o próximo
rei de Israel ainda durante o reinado de Saul. Jeová não identificara
qual dos filhos de Jessé seria o novo rei. Chegando
à presença de Jessé, Samuel pediu que chamasse seus filhos, pois
tinha algo importante a tratar com eles. Quando Samuel viu o primeiro,
chamado Eliabe, ficou impressionado com o porte do rapaz e disse consigo
mesmo: – Certamente Iahweh (Jeová) tem o seu ungido perante ele. “Não
te impressione a sua aparência nem a sua elevada estatura: eu o
rejeitei. Deus não vê como o homem vê, porque o homem toma em
consideração a aparência, mas Iahweh (Jeová) olha o coração”. (1
Samuel 16:7) – Disse Jeová. E
assim, Samuel foi passando em revista todos os filhos de Jessé.
Abinadabe, Samá, e outros quatro filhos. E Samuel disse a Jessé: –
Jeová rejeitou a todos os sete. São estes todos os rapazes?, a que
Jessé disse: – O mais moço foi deixado de fora até agora. Está
tomando de conta do rebanho. Então disse Samuel a Jessé: “Manda deveras trazê-lo, porque não nos
assentaremos para a refeição até ele chegar.” Por conseguinte,
mandou que viesse. Ora, ele era ruivo, rapaz de belos olhos e
bem-parecido. Jeová disse então: “Levanta-te, unge-o, pois é
este!” Conseqüentemente, Samuel tomou o chifre de óleo e ungiu-o no
meio dos seus irmãos. E o espírito de Jeová começou a tornar-se
ativo em Davi daquele dia em diante. – 1 Samuel 16:8-13. Sete homens altos e fortes foram preteridos e o escolhido para governar a
inteira nação não passava de um jovem rapazinho pastor de ovelhas. Deste modo, as Sagradas Escrituras narram o primeiro encontro de Davi com
aquele que seria a razão de seu viver – o grande amor de sua vida. UM HOMEM DE TALENTO
Davi era um homem talentoso. Era pastor de ovelhas, músico e
também se tornou um estrategista militar. O registro bíblico diz que ele abateu com o fio da espada dezenas de milhares de inimigos. Quando voltava das batalhas, as mulheres cantavam cânticos de vitória onde uma das estrofes está registrada em 1 Samuel 18:7 “Saul golpeou os seus milhares, E Davi as suas
dezenas de milhares.” Tal era a eficiência militar das campanhas que Davi empreendia que
alguns historiadores têm inclusive afirmado que ele foi o responsável
pela extinção da nação dos filisteus da face da terra. Sob este
aspecto, o quadro que se pode pintar de um homem como este é o de um déspota
sanguinário, bruto, implacável – incapaz amar alguém. Mas ele também era um artista e como todo bom artista era alguém
sensível. Davi era um exímio harpista. Quando
tocava, a sua música tinha o poder de tranqüilizar, de acalmar até
mesmo a alma mais atormentada. Durante certo período da sua vida, o Rei Saul vivia atormentado por um
“espírito mau da parte de Jeová”. Talvez ele estivesse sofrendo de
algum transtorno psicótico como esquizofrenia ou até mesmo estivesse
sob a real influência de algum ente espiritual maligno. Procurando alívio
ele solicitou que seus servos trouxessem perante ele alguém que tocasse
harpa. A idéia era acalmar a sua mente com música relaxante. Após
pesquisa, descobriram que Davi era perito em harpas e o trouxeram
perante o rei. Com que resultado?
TRIBULAÇÕES
ANTES DO REINADO Quando
Saul soube que Davi fora escolhido por Deus para sucedê-lo no trono ele
passou a tramar a morte de Davi. Certa vez, enquanto Davi tocava harpa
para acalmar-lhe o espírito, Saul procurou traspassar Davi com uma lança.
Esta foi a primeira de muitas tentativas de assassinato que Saul
desferiu contra ele. Na
mesma noite o rei despachou emissários para que o vigiassem e o
matassem pela manhã. Ele teve de fugir ajudado por sua esposa Mical. (1
Samuel 19:11-17) Davi
tornou-se um errante e foi continuamente caçado por Saul em campanhas
militares pelas montanhas. Numa destas campanhas o jogo se inverteu e
Davi teve a vida de Saul em suas mãos, mas desistiu de pagar o mal com
o mal e o poupou. O
GRANDE PECADO Após
a morte de Saul em uma batalha, Davi é coroado rei de Judá e Israel.
Muitos tentaram usurpar o trono mas por fim ele conteve todas as
insurreições e a passou a governar com estabilidade. Mas isto não significou que sua vida iria ficar livre de tribulações. O
relato que segue descreve a armadilha que Davi, sem perceber, armou para si
mesmo. Este foi de fato o grande divisor de águas da sua vida - o pecado
que começou como lascívia mas que terminou com traição, deslealdade
e morte.
2
Samuel 11:1-17: “E sucedeu, pela volta do ano, no tempo em que os
reis fazem surtidas, que Davi passou a enviar Joabe e seus servos com
ele, e todo o Israel, para que arruinassem os filhos de Amom e sitiassem
Rabá, enquanto Davi morava em Jerusalém. 2 E sucedeu, pela hora da noitinha, que Davi foi
levantar-se da sua cama e andar pelo terraço da casa do rei; e do terraço
avistou uma mulher a banhar-se, e a mulher tinha aparência muito boa. 3 Davi
mandou então indagar a respeito da mulher e alguém disse: “Não é
esta Bate-Seba, filha de Elião, esposa de Urias, o hitita?” 4 Depois
Davi enviou mensageiros, a fim de tomá-la. De modo que ela entrou até
ele e ele se deitou com ela, enquanto ela se santificava da sua
impureza. Mais tarde ela voltou para a sua casa. 5 E a mulher ficou grávida. Portanto, mandou informar
Davi e disse: “Estou grávida.” 6 Em vista
disso, Davi enviou [recado] a Joabe, dizendo: “Envia-me Urias, o
hitita.” Joabe, pois, enviou Urias a Davi. 7 Quando
Urias chegou a ele, Davi começou a perguntar como Joabe estava passando
e como o povo estava passando, e como ia a guerra. 8 Por
fim, Davi disse a Urias: “Desce à tua casa e lava teus pés.” Por
conseguinte, Urias saiu da casa do rei e o presente de cortesia do rei
saía atrás dele. 9 No entanto, Urias deitou-se
à entrada da casa do rei com todos os outros servos do seu senhor e não
desceu à sua própria casa. 10 Informou-se,
pois, a Davi, dizendo: “Urias não desceu à sua própria casa.” Em
vista disso, Davi disse a Urias: “Não chegaste duma jornada? Por que
não desceste à tua própria casa?” 11 Urias
disse então a Davi: “A Arca, e Israel, e Judá estão morando em
barracas, e meu senhor Joabe e os servos do meu senhor estão acampados
na superfície do campo, e eu — entraria eu na minha própria casa
para comer e beber, e para me deitar com a minha esposa? Assim como tu
vives e assim como a tua alma vive, não farei tal coisa!” 12 Davi disse então a Urias: “Mora aqui também hoje, e
amanhã te mandarei embora.” Por isso, Urias ficou morando em Jerusalém
naquele dia e no dia seguinte. 13 Além disso,
Davi o chamou para que comesse e bebesse diante dele. De modo que o
embriagou. Todavia, ele saiu à noitinha para se deitar na sua cama
junto com os servos do seu senhor e não desceu à sua própria casa. 14 E
sucedeu, de manhã, que Davi passou a escrever uma carta a Joabe e a
enviá-la pela mão de Urias. 15 Escreveu, pois,
na carta, dizendo: “Ponde Urias na frente das mais fortes cargas de
batalha e tereis de retirar-vos de detrás dele, e ele terá de ser
golpeado e morto.” 16 E aconteceu que, enquanto Joabe manteve a cidade sob guarda, ele
manteve Urias no lugar onde sabia haver lá homens valentes. 17 E
saindo os homens da cidade e lutando eles contra Joabe, caíram então
alguns do povo, servos de Davi, e morreu também Urias, o hitita.” Após
este grande pecado, Jeová, através do profeta Natã, proferiu uma
maldição contra Davi, e a partir deste ponto, sua vida mudaria
novamente... para pior. 2
Samuel 12:11-14 Assim
disse Jeová: ‘Eis que suscito contra ti uma calamidade provinda da
tua própria casa; e hei de tomar as tuas esposas debaixo dos teus próprios
olhos e dá-las ao teu próximo, e ele se há de deitar com as tuas
esposas sob os olhares deste sol. 12 Ao passo que
tu mesmo agiste às escondidas, eu, da minha parte, farei esta coisa
perante todo o Israel e diante do sol.’” 13 Davi disse então a Natã: “Pequei contra Jeová.” A isto Natã
disse a Davi: “Jeová, por sua vez, deixa passar o teu pecado. Não
morrerás. 14 Não obstante, visto que
inquestionavelmente trataste a Jeová com desrespeito por meio desta
coisa, então o próprio filho, que te acaba de nascer, positivamente
morrerá.” Aquilo que Davi fizera às escondidas - seria feito em público; Aquilo que fizera a noite, seria feito em plena luz do dia. Suas esposas e concunbias o trairiam perante todos. A sua moral, a sua postura real seria tratada com desprezo pelos seus súditos. E o mais cruel para ele, a vida de um inocente e íntegro homem seria paga com a vida de outro, que acabara de nascer, como fruto do pecado.
Este
episódio na vida de Davi o marcou profundamente e é provável também
que as marcas destes acontecimentos tenham desencadeado dentro dele um
processo que resultou em uma profunda depressão, da qual ele jamais se
recuperou. ELE
TENTOU REVERTER O DECRETO DIVINO... MAS NÃO CONSEGUIU O
profeta Natã, havia dito a respeito do pecado do rei: Não
morrerás. Não obstante, visto que inquestionavelmente trataste a Jeová
com desrespeito por meio desta coisa, então o próprio filho, que te
acaba de nascer, positivamente morrerá. Pouco tempo depois, o relato bíblico diz que Jeová
passou a ferir o menino com uma doença. Davi então procurou reverter a
sentença que atingira o menino, conforme lemos: 2
Samuel 12:16-23 E Davi começou a procurar o [verdadeiro] Deus a
favor do rapazinho, e Davi foi fazer um rigoroso jejum, e entrou e
passou a noite, e deitou-se no chão. 17 Portanto,
os anciãos da sua casa puseram-se de pé sobre ele para o levantarem do
chão, mas ele não consentiu nisso e não comeu pão com eles. 18 E
sucedeu, no sétimo dia, que o menino por fim morreu. E os servos de
Davi tinham medo de o informar de que o menino tinha morrido, pois
disseram: “Eis que lhe falamos quando o menino estava vivo e ele não
escutou a nossa voz; então, como podemos dizer-lhe: ‘O menino
morreu’? Ele certamente fará então algo mau.” 19 Quando Davi chegou a ver que seus servos
cochichavam entre si, Davi começou a compreender que o menino tinha
morrido. Davi disse, pois, aos seus servos: “Morreu o menino?”
Disseram-lhe, pois: “Morreu.” 20 Então Davi
se levantou do chão e se lavou, e ele se esfregou com óleo e trocou as
suas capas, e entrou na casa de Jeová e prostrou-se; depois entrou na
sua própria casa e pediu, e puseram prontamente pão diante dele e ele
começou a comer. 21 Por conseguinte, seus servos
disseram-lhe: “Que significa esta coisa que fizeste? Jejuaste e
estavas chorando por causa do menino enquanto vivia; e assim que o
menino morreu te levantaste e começaste a comer pão.” 22 A
isto ele disse: “Enquanto o menino ainda vivia jejuei e estava
chorando, pois dizia a mim mesmo: ‘Quem sabe se Jeová me mostrará
favor e o menino há de viver?’ 23 Agora que
ele morreu, por que jejuar? Posso novamente trazê-lo de volta? Eu vou a
ele, mas ele é que não retornará a mim.” Assim
o rei entra numa fase introspectiva e volta-se para compor canções que
exprimam seu amor e admiração a Deus, seu pesar pelos seus muitos
pecados e o ardente desejo de receber perdão e morar eternamente na
companhia daquele que sempre foi a razão de seu viver.
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