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Leste

Eu tomo o rumo do corredor, atraído pelo retângulo que a luz de dentro desse quarto projeta para fora, para a escuridão do corredor. Quero saber o que há lá dentro, mera curiosidade, é para isso que estamos na experiência, explorar, conhecer, ver o que há. Meus olhos astrais não tomam conhecimento da penumbra densa, é como enxergar no escuro com infravermelhos por dentro do corredor.

Este corredor é revestido de madeira entalhada com frisos e detalhes parecidos com um trabalho paciente e artesanal. Penso que máquina alguma conseguiria reproduzir aquilo. É assim, perdido nesses pensamentos que eu chego à porta entreaberta. Minha sombra se projeta sobre o retângulo de luz formado no chão e o suspense me invade quando levanto minha mão e a encosto na porta. De repente, um grito. E eu conheço essa voz.

É a voz do Jorge. Sim, é dele a voz. Outro grito. Eu me volto para trás e, no caminho de volta para o saguão, encontro perto de uma das portas uma caixinha minúscula que se mexe sem parar. A caixinha dá pequenos saltos para lá e para cá. Mesmo aflito com os gritos do Jorge, que parecem estar vindo do andar de cima da casa, paro e me abaixo para abrir a caixinha. De dentro dela, sai um porco minúsculo e luminoso que me diz - com a voz de Romero - que eu devo evitar subir a escadaria. Este pequenino porco me olha diretamente nos olhos ao dizer isso.

Os gritos lá em cima continuam e eu acabo por ignorar completamente os conselhos do porco minúsculo. Algo muito esquisito está acontecendo e eu quero saber o que é. Olho para trás ao chegar ao saguão, nem sombra do porco minúsculo e da caixinha que o continha. Vou seguindo em direção à escadaria, ouvindo os gritos.


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