Suavemente a névoa que era densa e pesada vai se dispersando e ouço claramente o ruído de água corrente. Meus olhos agora vêem o vertedouro da fonte, eternamente lançando água, sons de saparia distante. O Jorge é quem me ajuda a levantar, enquanto Romero recolhe os restos da fogueirinha que fez, lavando suas cinzas para um ralo próximo. Eu conto a experiência que ele chama de caminho e ele sorri, dizendo já ter imaginado isso. O Jorge ri muito da minha narrativa. Disse ter passado por coisas bem parecidas, se não iguais. Romero afirmou que podia ver o que tinha se passado só de olhar nos meus olhos, o que não duvido, a história deve estar mesmo escrita na minha cara. Romero me dá um leve tapa no ombro.
"O sul era decisivo", ele disse isso com tanta descontração que cheguei a duvidar que fosse assim tão decisivo, "e você conseguiu, junto ao Jorge, chegar à última fonte. Tomou a decisão certa ao procurar um caminho pacífico como esse."
Saímos do Parque das Águas de Cambuquira, lanternas acesas em meio à escuridão da noite, seguindo o rumo da Via-Láctea. Comentei o quanto o céu parecia vivo enquanto sob o efeito do chaquinam e Romero disse que a idéia era que ele fosse desse jeito sempre, com ou sem o chaquinam. Depois, contou algumas anedotas da região que eu só sabia serem anedotas por causa do riso do Jorge; eu estava ocupado demais olhando o céu estrelado.