A luz dos faróis ou seja lá o que for vai crescendo em meio ao mato e o meu medo vai crescendo na mesma proporção. Não vou encarar, sabe lá o que pode ser isso no estado de torpor e percepção em que me encontro. Sem pensar mais eu viro, sem nenhuma inércia ou resistência do ar, à direita e já me preparo para seguir rumo às fazendas quando a minha perna esquerda sente uma fisgada.
Quando eu olho para baixo, uma coisa medonha chama minha atenção: o mata-burros, como uma espécie de armadilha para ursos, uma dentadura enorme saindo do chão retalhando minha perna. Eu grito de dor, uma esquisita dor astral que me envolve e me traz lembrança de uma ratoeira na qual prendi meus dedos quando eu era garoto. Antes que a névoa cubra completamente a minha visão, vejo, no caminho onde eu me encontrava um Ford bigode de um azul fluorescente, passando na direção da Lavra, tingindo de azul luminoso todo o interior da floresta.