Esperei que a névoa se dissipasse e eu poderia novamente ver o interior da fonte sul, a Fonte Ferruginosa Dr. Fernandes Pinheiro. Mas o que vi foi luz, muita luz. Meu corpo inerte, caído por cima de panos, coisa que eu demoro a sentir, dentro do torpor e cansaço que ainda estão comigo. Estou moído. Vejo rostos embaçados na minha frente, dois eu reconheço como sendo Jorge e Romero. Mas quem são os outros?
"Você está num hospital em Três Corações", foi o que o Jorge disse assim que a minha visão clareou de vez. Olhei em volta. Os rostos a mais eram de dois médicos, me olhando com um certo ar de preocupação.
Minha perna esquerda. Não se recupera, não volta do torpor e formigamento; a insensibilidade permanece nela, como se ela estivesse morta. O meu olhar varre os rostos presentes em um pedido mudo de explicação, mas nem Romero explica nada. Diz que eu vou ficar internado para observação por não poder mexer a perna. que ele vão vir me visitar todo dia, mas que eu não poderei continuar com a experiência. Quando os médicos nos deixam a sós, ele explica que a minha perna voltará ao normal, assim que o meu corpo astral estiver em ordem, o que por certo vai levar alguns dias.
Sozinho no quarto, fico olhando para o teto, pensando em tudo o que eu tinha passado, rostos, vozes, tudo. Senti uma depressão muito grande naquele momento de solidão. Já não sei se deveria mesmo ter ido em viagem pelo Brasil como tinha originalmente planejado. O que eu sei é que a experiência, pelo menos para mim, chegou a seu final.