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O ciúme, o desejo de sucesso
e de amor exclusivo estão na origem dos vínculos
daninhos. Há seres tóxicos capazes de nos
infectar com sua negatividade, mas também antídotos
e técnicas para livrar-se do que nos amarga a vida
e nos impede de crescer
Há pessoas em nosso entorno familiar, laboral ou
social, cujos comentários e atitudes nos complicam
a existência. Gente perigosa para nossa saúde
mental, emocional e física, das quais convém
manter distância, ou pelo menos limites definidos,
se não temos mais remédio que conviver ou
nos encontrar com essas pessoas tóxicas.
Quem quer que nos aflija com sua atitude, que não
nos deixa crescer, não se mostra contente com nosso
sucesso e que põe barreiras a nossos esforços
para sermos mais felizes, pode ser considerado uma pessoa
tóxica para nossa vida, embora para qualquer outro
indivíduo seja inofensiva.
Para a psicóloga americana Lillian Glass, a raiz
de toda toxicidade nas relações humanas são
o ciúme. Por que algumas pessoas próximas,
queridas ou amigas, nos ferem, se enfadam, tentam vencer-nos,
buscam nos desagradar ou tentam prejudicar-nos com frases
sarcásticas ou respostas que desanimam ou ao alegrar-se
falsamente de nossa felicidade ou êxito?.
Por que nos fazem críticas destrutivas?, "Devido
aos ciúmes e sua concomitante inveja", comenta
Glass, para quem o descontentamento e os sentimentos de
insuficiência provocam a ânsia de posse, de
êxito e do amor de outras pessoas, assim como o desejo
de tê-las para si mesmo, exclusivamente.
Caldo de cultivo: o ciúme
A frustração de outras pessoas que nos vêem
como vencedores e consideram a si mesmas perdedoras, os
impulsiona a machucar-nos mental e verbalmente, e às
vezes inclusive mediante a violência física.
Também os levam a envolver-nos em jogos maliciosos,
palavras cruéis e comportamentos sujos.
O ciúme ou a falta de amor próprio são
a razão de muitos comportamentos negativos em relação
a nós, mas também a causa encoberta de condutas
similares de nós para com os demais.
Para reconhecer as condutas tóxicas é preciso
olhar para si mesmo ou fazer com que a outra pessoa o faça.
Quem é crítico em relação a
outro indivíduo deve examinar suas razões;
uma pessoa honesta normalmente encontrará algum motivo
para sentir ciúmes: por exemplo, possuir algo que
o outro deseja ou lhe falta, ou o sentimento que a outra
pessoa tem mais ou lhe seria melhor.
A doutora Lillian Glass, que faz uns anos publicou um livro
sobre as relações tóxicas que rapidamente
virou sucesso de vendas, evidenciando a magnitude deste
tipo de comportamentos, sugere empregar de certas técnicas
para que os ataques emocionais de pessoas tóxicas
não repercutam sobre nossa saúde física
e mental.
Para o especialista, isto é uma questão de
sobrevivência, porque boa parte do bem-estar e sucesso
em nossa vida dependem de nossa força psicológica
e emocional.
Às vezes, para resistir à toxicidade alheia
ou tentar que não nos afete, se recorre ao consumo
de drogas, tranqüilizantes ou alimentação
compulsiva. Mas isso só é uma forma de autodestruição
inconsciente, que só ocasiona que essa situação
negativa se aprofunde quando passaram os efeitos aparentemente
prazerosos desses métodos para fugir da realidade.
Também não é preciso responder com
a violência física, já que as agressões
aos indivíduos tóxicos só conseguem
convertê-los em vítimas, enquanto que de fato
são os verdadeiros agressores, o que realimenta seu
papel negativo em nossa existência: é como
tentar apagar um incêndio jogando mais combustível.
A ameaça em casa
Quando as pessoas tóxicas fazem parte
da própria família, podem constituir um verdadeiro
problema psicológico, devido à continuidade
da convivência e do vínculo. Se estão
no trabalho, podem colocar em risco nossa continuidade laboral,
pois os contínuos conflitos influenciam em nosso
rendimento.
Sejam nossos pais, filhos ou cônjuges, nossos chefes
ou colegas de trabalho, às pessoas tóxicas
é preciso aprender a tratá-las, para que não
transtornem nosso equilíbrio vital.
Segundo a pesquisadora Lillian Glass, a fórmula magistral
para desintoxicar nossas relações consiste
em comunicar-se para enfrentar o que nos incomoda do outro
e dizê-lo às claras.
Se você tem um chefe, amigo ou familiar que o faz
sentir inferior. Se sua mãe, pai ou ambos o ralharam
ao longo de toda a vida. Se está em contato com um
médico, professor ou cliente que o insulta ou simplesmente
o deixa doente. Se mantém algumas destas ou outras
relações tóxicas, precisa sobreviver
a elas.
Para conseguir uma convivência tranqüila e feliz,
o especialista sugere aplicar uma série de antídotos
contra a negatividade.
Uma solução consiste em manter
o senso de humor. Relaxar as tensões e divertir-se
com isso permite responder ao sujeito tóxico e conseguir
o benefício do riso. Primeiro é preciso relaxar,
respirando lentamente uns segundos e exalando enquanto se
lembram as palavras e ações tóxicas,
como para expulsá-las do corpo junto com o ar. Depois
é preciso dizer algo divertido, que ponha em evidência
o agressor verbal. Isto serve para expulsar a tensão
acumulada.
Também é importante deixar de
pensar todo o tempo no problema, o que só contribui
para amplificá-lo, já que a mente é
como uma lupa: aumenta aquilo que foca.
Existem momentos em que uma pessoa tóxica
parece colapsar nossa mente, convertendo-se na única
coisa em que podemos pensar, o que é prejudicial.
É preciso gritar ou dizer mentalmente Pare de pensar!
e apoiar esta expressão com frases positivas, como
"sou importante", "minha vida é valiosa"
ou "me sinto feliz".
A técnica do espelho
A doutora Glass também aconselha atuar
como se fôssemos um espelho. É possível
fazer as pessoas tóxicas ver refletidos seus comportamentos.
Se alguém não pára de falar impedindo
que os demais o façam, a resposta pode ser colocar-se
a latir. Quando o tóxico se irritar e perguntar "O
que há?", basta explicar que esta é a
atitude que ela mantém com os demais.
Outra tática conveniente consiste em
perguntar com tranqüilidade. Para que os indivíduos
tóxicos vejam quão absurdas são suas
idéias, comentários e atitudes, o melhor é
formular dúvidas simples que se convertam em uma
progressão lógica que vá desbaratando
seus argumentos, um depois de outro.
A aqueles que odeiam os negros pergunte se
conhecem muita gente de cor?, conviveu com ela?, alguém
o odeia por ser quem é?. Suas respostas evidenciarão
o ridículo de suas idéias. E sempre haverá
mais perguntas para colocar-lhes em evidência.
Embora pareça difícil, é
preciso tentar empregar a cordialidade. Converter o enfado
em amabilidade é uma resposta ideal frente a muitos
que são duros. Os motivos de sua atuação
costumam ser a insegurança e a falta de amor próprio.
Ao saber que essas são as causas de
sua toxicidade, pode controlar a injúria e transformá-la
em amabilidade. Muitas pessoas que tratam com o público
fazem uso desta capacidade, que dá frutos assombrosos.
Outro antídoto para a toxicidade mental,
consiste em desprender-se de qualquer emoção
a respeito da pessoa venenosa: tirá-la de nossa vida,
não preocupar-se com ela, não desejar-lhe
nem bem nem mal, visualizar a desconexão com ela,
deixá-la para trás.
Catálogos de pessoas venenosas
Segundo Glass, estas técnicas são
efetivas para resistir ao que ela denomina "trinta
tipos de terrores tóxicos", entre os quais inclui
o falador, o piadista, o cortante, a vítima sombria
e condenada, o apunhalador de duas caras, o brincalhão,
o pistoleiro rancoroso e autoritário, e o mentiroso.
Todas são distintas formas de personalidades que
coincidem em intoxicar a vida alheia.
Outras versões de indivíduos
tóxicos, que podemos descobrir em nosso entorno,
são o indivíduo intrometido, o fanático,
o pretensioso, o competidor, o maniático do controle,
o crítico acusador ou o arrogante sabichão.
Às vezes, a presença de conflitos
contínuos, pode indicar que o ser tóxico é
você mesmo, em vez dos demais. O que não muda
excessivamente as coisas, porque o resultado é similar:
um contínuo mal-estar e dificuldades para relacionar-nos.
Nesse caso é preciso reconhecer o problema
e deixar de amargar os demais com nossos ciúmes mais
ou menos encobertos. A chave, como sempre, é a comunicação:
consigo mesmo, para descobrir a verdadeira raiz de nosso
comportamento, e com os demais, para deixar de atormentar
suas vidas.
Por María Jesús Ribas
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