Evolução urbana do Porto (1ª Parte)
UM ESTUDO DE: PAULA MARQUES e JUAN VICENTE SANTAMARÍA
Porto, a cidade
invicta, localiza-se na foz do rio Douro. Não é nossa
intenção fazer um resumo das vicissitudes históricas
desta grande cidade, apenas pretendemos deixar umas notas
sobre a sua evolução urbanistica.

Igreja da Cedofeita
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As
planícies graníticas que dominavam o vale do
Douro eram acessíveis no ponto onde desaguava um
pequeno riacho (rio de Vila). Neste ponto, os
romanos fundaram uma vila: Cale, e seu porto: Portus-cale.
A primitiva povoação estava resguardada por uma
muralha (cerca velha) no alto de
um monte (Pena Ventosa) que dominava este vale
(onde actualmente) se encontra a Sé Catedral).
Posteriormente, na Idade Media (séc.XIV ), a
muralha ampliou-se consideravelmente para
permitir o crescimento da cidade: é a "cerca
fernandina". Podemos adivinhar o
seu traçado seguindo as actuais ruas de Augusto
Rosa, sul da Praça da Batalha, rua dos
Clérigos, Dr. Barbosa de Castro, Francisco da
Rocha Soares e a Ribeira. |
Cerca velha e Cerca Fernandina (desenho de Juan V. Santamaría)
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| Esta
cidade medieval, no século XVIII começava já a
transbordar pelos seus subúrbios. Ergue-se a
Torre dos Clérigos (1763) que vai permanecer
como um símbolo da cidade. Em 1710 a cidade contava
com 3 freguesias intramuros (Sé, Sao Nicolau e
Vitoria) e 4 extramuros (Miragaia, Sto.Ildefonso,
Massarelos e Cedofeita). Isto indica-nos que a
cidade expandia-se mais além das muralhas.
Ergueram-se edifícios públicos : Hospital de
Sto. Antonio (1770), o antigo Teatro de Sao Joao,
a Casa Pia, o Quartel do Regimento de Infantaria
nº 18 (1790).
Por sua vez, traçam-se novas ruas extramuros: a
Alameda das Fontaínhas, a rua de Sto. António
e, sobretudo, a rua do Almada que pretende ser o
eixo ordenador do crescimento a norte e que
chegava até ao Quartel de Infantaria e a
explanada (Praça Sto. Ovidio) que servia de
campo de manobras (a actual Praça da
República). Obviamente, os caminhos de saída da
cidade também povoaram-se de construções,
convertendo-se em novas ruas (Cedofeita, Sta.
Catarina ou Sto. Ildefonso).
Intramuros,
também há reformas como a abertura da rua de
São João, a Ribeira, etc.
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Século XIX
O
século XIX é de de uma grande riqueza comercial
que já transbordava o porto fluvial(de facto,
ampliam-se
os cais fluviais em Miragaia (1859) ). O Palácio
da Bolsa (1842) , a monumental Alfândega Nova
(1860) e
sobretudo o desaparecido edifício do Palácio de
Cristal, sede em 1865 da Exposição
Internacional de
Industria, testemunham esta importância da
cidade. Além de outros edifícios públicos como
a Universidade
(antiga Academia da Marinha, 1820), o Mercado
público do Anjo (1839), etc. |

Palacio de Carrancas (Museo) |
Com o abate das muralhas a
princípios do século, a cidade espalhava-se até leste,
a partir da Praça da
Batalha, para os lados do Bonfim e a estação
ferroviária do Norte. Com efeito, em 1877 a linha
ferroviária Lisboa-Porto chegou à cidade (a Gaia tinha
chegado muito antes, em 1864) quando se concluiu a ponte
ferroviária de D. Maria, com a estação do norte em
Campanhã e os depósitos em Contumil. (a outra
famosa ponte, a de D.Luis I data de 1886).
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Ao mesmo tempo, outra
linha férrea de via estreita, Porto Póvoa de
Varzim, tinha-se inaugurado em
1875 com a estação final (chamada Porto
Boavista) situada nas proximidades da actual rotunda da
Boavista (na Avenida de França). Para terminar estas
referências ferroviárias, importa acrescentar que
em finais do século construíram-se dois ramais da linha
do norte que iam em túnel, um para a zona da
Ribeira, os cais e a Alfãndega, e outro para o coração
da cidade onde terminava na monumental estação
final de São Bento (1900-1906), sem dúvida um dos
edifícios ferroviarios mais belos da Europa.
Como reformas interiores
mais importantes da segunda metade do séc. XIX
destacamos o traçado das
ruas Nova da Alfándega (1867) e Mouzinho da Silveira
(1878), esta última muito importante porque
conectava a parte baixa com a zona alta e a praça de D.
Pedro, centro cívico da cidade. Aproveitando
estas reformas interiores construiu-se um mercado
público de estrutura metálica nesta zona: o Mercado
Ferreira Borges (1888).
Temos de fazer constar que
pelos arredores da cidade existia uma cerca por motivos
fiscais, como era
arrecadar a taxa do "Real da agua" e outros
impostos municipais sobre compra-venda de mercadorias.
Ora, paralela a esta veda (desaparecida em 1932),
desenhou-se em 1895 a "Estrada de
cincunvalação"
que marcava, e marca até hoje, os limites do município
do Porto.

Antiguo Palacio de Cristal
(1865)
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Nessa data existiam ainda
outras frequesias: Campanha (1836), Lordelo (1836),
Paranhos (1837), Bonfim
(1837), etc. Todas elas de tipo rural, com a exepçao de
Sao Joao da Foz, que desde o séc. XVI defendia
a foz do Douro com um Castelo e um Farol.
Na Rotunda da Boavista
nascia o caminho para Matozinhos (a Avenida da Boavista
começou a fazer-se
em 1854) onde estava a erguer-se o grande porto comercial
e pesqueiro: o porto de Leixoes (1880 1908)
na foz do rio Leça.
Continua .....
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