Evolução urbana do Porto  (2ª Parte)
                          Século XX

O Porto das primeiras décadas do século XX formava um quadrilátero cujos limites eram a sul o rio, a oeste
o Palácio de Cristal e a rotunda da Boavista, e a leste Bomfim e a estaçao de Campanha.
Fora deste "núcleo duro" da cidade, apenas algumas agrupaçoes alguns agrupamentos de casas à beira
dos principais caminhos (Francos, Paranhos, Fonte da Moura), etc).

As principais transformaçoes tiveram lugar no interior da cidade: construcçao de edificios públicos como o
Novo Teatro de Sao Joao (sustituindo o antigo incendiado em 1908) o Mercado do Bolhao (1914), e
reformulaçao das areas mais congestionadas do centro urbano: Praça de D. Pedro e, sobretudo, o grande
projecto da "Avenida dos Aliados" (Barry Parker, 1916) com o objectivo de ser o espacio central e cívico,
uma "sala de visitas" da cidade, rodeada de edificios monumentais desenhados pelos arquitectos de
destaque do momento (Marques da Silva, Moro Coutinho) e coroada na sua parte superior pelo edificio da
Camara Municipal (Correia da Silva , 1919 – 1956 ).

 
   
                 Av.  dos  Aliados.                    (Desenho do autor)

Com o Estado Novo chegou a "Lei de Casas Económicas" (1933), habitaçoes modestas financiadas pelo
Estado com terrenos e infraestruturas suportados pelos municipios. Na cidade construíram-se 1562 casas distribuídas em 9 grupos de moradías de familia, com quintal:

    • Condominhas
    • Amial
    • Gomes da Costa
    • Corujeira
    • Paranhos
    • Ramalde
    • Ilhéu
    • Sao Roque da Lameira
    • Costa Cabral

No anos 30 começa a urbanizaçao do troço entre a Av. da Boavista e a Foz: a Av. Marechal Gomes da Costa, desde a praça do Imperio até a Av. da Boavista constituiu-se na residencia predilecta da burguesía industrial portuense, que edifica umas elegantes e senhoriais moradas ajardinadas. Uma delas , a de Serralves obra do arquiteto Marques da Silva, serve hoje como fundaçao-museu de arte e possui uns belíssimos jardins.

Em 1939 desenha-se uma nova estaçao terminal ferroviaria para a linha da Póvoa: a Estaçao de Trindade,
com uma maior centralidade e um troço em túnel até as proximidades da rotunda da Boavista onde se instala
um apeadeiro (estaçao de França), seguindo a partir deste a linha em superficie para a Senhora da Hora
(de onde partem as linhas para Matosinhos, Póvoa e Fafe).

Nos anos 40 continua a politica de habitaçao económica com uma serie de bairros e grupos de iniciativa
municipal, mas agora em forma de blocos:

    • Duque de Saldanha
    • Sao Joao de Deus
    • Sao Vicente de Paulo
    • Rainha Dª Leonor
    Paralelamente começa uma vasta actuação no saneamento do tipo de habitaçao típica das zonas mais velhas da cidade: as "Ilhas" (infravivenda em patios interiores de 25 – 30 m2 ). Sao saneadas, dotadas de agua corrente e, em alguns casos derrubadas e reurbanizada toda a zona (plano de derrubes na zona da Sé para melhorar o acesso à ponte D. Luis I ).

    O "Plano de Melhoras" (1956) era um Decreto-lei do governo que financiava bairros de habitaçao económica. O mais característico destes bairros construidos foi o do "Carvalhido" (1957) com estrutura em blocos lineais de 4 andares e com uma densidade habitacional baixa, de uns 400 h/Ha.
    Com efeito, dentro de este plano derrubaram-se mais de 4500 ilhas no centro da cidade, para além de outros edificios "insalubres e degradados" como o Mercado do Anjo e o Mercado do Peixe.

       
         Sé Catedral.   © Fotos de Portugal

Por um lado, uma vez resolvido o problema do realojamento destes moradores com os bairros de habitaçao economica anteriormente citados do Plano de Melhoras (mais de 6000 casas em grupos como Carvalhido, Pasteleira, etc), a segunda fase era a reformulaçao urbanstica das areas centrais saneadas, o que se fez
a base de blocos de edificios para escritorios e comercios, para além de serviços públicos: o Palácio de
Justiça (na antiga lonja do peixe), Correios ou o original "Silo-Auto" elevado (7 andares) na praça de D. Joao I.

Desde os anos 50 começam a aparecer jovenes arquitetos (F. Távora, J.C.Loureiro, Siza) que vao arquitectar edificios muito espetaculares à cidade. Um dos que, pessoalmente mais me impresiona, é o Palacio dos Desportos (J.C.Loureiro, 1955) construido no lugar do demolido Palacio de Cristal para albergar o Campeonato
do Mundo de Hockey em Patins. A sua cupula hemiesférica de betao foi, para seu tempo, toda uma novidade
que aínda mantem toda a sua beleza (embora o seu interior fosse remodelado em 1991 e hoje se chame
Pavilhao Rosa Mota). Podemos citar também o Mercado do Bom Sucesso (1952) ou a Ponte da Arrábida
( 1963 ) de Edgar Cardoso com o maior arco de betao construido entao (270 m.) e que dava lugar à
Via Rápida que atravessava a cidade de sul a norte.

 
 
 Planta da cidade do Porto em 1965.             © Carta de Estradas Firestone

Entretanto, a Avenida da Boavista convertia-se no grande eixo de crescimento e expansão da cidade para
oeste, para o mar. Se desde os anos 40 tinha-se convertido no local de residencia preferido das classes
altas da cidade, a partir dos anos 70 foi uma zona de localizaçao preferencial de hotéis de luxo, shopping
centers, etc.
O vazio do final da avenida, vai-se transformar numa grande zona verde: o Parque da Cidade,
ao mesmo tempo que que a saída para Matosinhos (entre Marechal Carmona e o caminho de ferro de Póvoa)
se vai povoando de oficinas e naves industriais.A zona entre o Palacio dos Desportos e o Bairro da Pasteleira
vai-se converter no polo Universitario de Campo Alegre: Estadio universitario, Faculdade de Arquitetura
( A. Siza, 1985), Faculdade de Psicología (Antiga Faculdade de Letras), UAP (Pulido Valente, 1993).
A outra zona universitaria será instalada a norte: Hospital Clinico de Sao Joao (onde também funcionam actualmente várias faculdade como a faculdade de Medicina e Farmácia), Faculdade de Economía
(Viana de Lima, 1966) e, mais tarde, em finais de 2000 é terminada a obra de faculdade de Engenharia.

Os ultimos anos vao trazer a nova ponte ferroviaria sobre o Douro ( Sao Joao, 1991 ) e a Ponte do Freixo
que completará uma primeira ronda da cidade (via de cintura interna). Assim mesmo, depois de uns tímidos intentos apos o 25 de Abril foi continuada a recuperação de alguns bairros de ilhas degradados a conta da
SAAL (Bº Sao Vítor, Siza Vieira 1977) conservando a arquitetura tradicional (Bº do Leal, S.Fernandes 1976), implantou-se a finais dos anos 90 um vasto plano de regeneraçao das areas degradadas que ainda
subsistíam na Ribeira, Miragaia, Barredo, que tem recuperado para a cidade a antiga zona do porto fluvial,
também com motivo da celebraçao da Capital Europea da Cultura em 2001.

Novos projectos (Metro ligeiro) preparam o Porto do futuro: o programa POLIS, a celebraçao do
EURO – 2004 que provoca uma renovaçao dos recintos desportivos dos principais clubes da cidade;
longe ficou a desapariçao a desaparição do estadio da Constituição (anos 50). Vai-se construir um
novo estadio das Antas, muito perto do actual. O estadio do Bessa foi remodelado (1999-2002)
incluindo uma reformulaçao urbanística das areas adjacentes (projecto de uma nova via rápida paralela
à actual Av. da Boavista) e o popular clube S.C. Salgueiros, no Bairro de Paranhos, vai abandonar o
velhinho campo Vidal Pinheiro para construir um novo estadio na zona de Arca d´Agua.


Vista aérea de Porto

BIBLIOGRAFIA

Atlas de Ciudades Ibéricas. Cap. Oporto (Anni Guthier e Rui Tavares). Ed Salvat. Barcelona 1994.
Arte Portugués. Col. Summa Artis. Ed. Espasa Calpe. Madrid 1986
Guía Turística do Porto. Ed. Cámara Municipal do Porto 1996
PORTO. Suplemento do jornal Expresso (14-9-96)
Revista Civitas. Camara municipal do Porto. 1947

                                                                                                       
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