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Um Pouco de História
Antes de serem conhecidas, as chinchilas viviam em harmonia
nas encostas rochosas dos Andes no Chile, Peru, Bolívia
e Argentina.
No Séc. XV, uma tribo de índios chamados “Chinchas”
caçava este pequeno animal para lhe servir de alimento
e usava as suas peles macias como colchões e como mantos.
Tempo depois, os índios Chinchas foram conquistados
pelos poderosos Incas. Sob as leis Incas, os Chinchas foram
proibidos de usar as peles das Chinchilas, estas passaram
a ser a pele favorita da realeza Inca e servia para adornar
somente os índios Incas que eram nobres de berço.
Por sua vez, no Séc.XVI, os Incas foram conquistados
pelos Espanhóis que ao chegarem aquelas terras, baptizaram
aqueles pequenos animais de “Chinchilas” por causa
do nome dos índios.
Conta-se que um emissário espanhol, querendo ganhar
a confiança e favores da sua rainha, lhe mandou uma
caixa repleta de jóias e ouro. Para protecção,
ele envolveu as jóias num manto de pele de Chinchila
que tinha pertencido a um líder Inca. No entanto, o
mensageiro roubou todas as jóias e mandou à
rainha somente a caixa e a pele de Chinchila. A rainha ficou
tão contente com a qualidade da pele que mandou procurar
o mensageiro para ser levado à corte. Em vez de torturado
como esperava, o mensageiro foi tornado cavaleiro da rainha
como forma de agradecimento pela mais luxuosa pele que jamais
fora vista.
Tão grande popularidade ganhou a pele das Chinchilas
e os pedidos eram tantos, que os espanhóis começaram
a caçar e a comercializar o produto.
Entretanto, mais tarde, os ingleses também chegaram
à região onde era o habitat da Chinchila por
causa dos minérios existentes na zona. Várias
empresas mineiras foram criadas e trabalhadores ingleses foram
chegando. Junto com eles chegou também o seu desporto
favorito, a caça à raposa. Como as raposas não
eram um animal nativo, várias raposas foram levadas
para o habitat das Chinchilas, que rapidamente se reproduziram
porque a alimentação era abundante. O alimento
principal – Chinchilas! Enquanto os ingleses caçavam
as raposas nas manhãs de Domingo, as raposas caçavam
as Chinchilas todos os dias, de dia e durante a noite. Ao
virar do Século as Chinchilas encontravam-se quase
extintas.
Somente em 1918 o governo do Chile, Peru e Bolívia
acordou em proibir a exportação de peles e a
caça destes pobres animais. No entanto o mal já
estava feito.
Todos nós que gostamos de Chinchilas, temos que agradecer
ao Sr. M. F. Chapman pelos belos amigos peludos que temos
nas nossas casas.
Em 1918, este senhor trabalhava no Chile como engenheiro de
minas para uma empresa chamada “Anaconda Copper”.
Um dia, um índio nativo trouxe ao acampamento onde
estava o sr. Chapman, uma Chinchila dentro de um cantil para
tentar vender. O sr. Chapman comprou a Chinchila e tornou-se
cada vez mais interessado neste pequeno animal. Depois de
estudar o exemplar que tinha comprado, fez um estudo afim
de capturar e levar para os Estados Unidos o maior número
de Chinchilas que fosse possível. De início
ele pensou na criação para animais de estimação
mas depois desenvolveu a ideia para a produção
de peles, onde o mercado era maior.
Nessa altura as Chinchilas estavam praticamente extintas e
foram precisos cerca de 3 anos para que, com vários
batedores e depois de várias viagens no vale do rio
Juncal no Peru, fossem encontradas somente 11 Chinchilas.
Destes onze animais sabe-se que eram alguns da espécie
Lanígera e outros da espécie Costina, representavam
diferentes tipos de diferentes àreas e só três
eram fêmeas.
O transporte e a autorização para a importação
das Chinchilas também foi difícil. Para gradualmente
se adaptarem à mudança de altitude, foram transportadas
em caixas de madeira fechadas para não deixar entrar
a luz do sol e arrefecidas com gelo devido ao aumento da temperatura.
Finalmente, em 1923, Chapman conseguiu autorização
do governo do Chile para exportar as Chinchilas e depois de
terem viajado de comboio até à costa, embarcaram
num barco japonês que os levaria até San Pedro
na Califórnia. Para entrarem no barco sem serem declaradas,
Chapman, a sua esposa e alguns amigos levaram as Chinchilas
dentro dos bolsos. Só depois de estarem ao largo, Chapman
disse ao capitão do navio que tinha os animais no seu
camarote. Por causa do calor a bordo, o Sr. Chapman e a sua
esposa tiveram que fazer turnos para fornecer os compartimentos
de gelo que foram construídos nas gaiolas e embrulharam
as gaiolas com toalhas frias.
A 22 de Fevereiro de 1923 chegaram a San Pedro com 12 Chinchilas.
Um dos adultos tinha morrido mas duas crias tinham nascido
durante a viagem.
As 12 Chinchilas ficaram em Los Angeles até que a primeira
“Quinta de Criação de Chinchilas”
fosse construída. No entanto alguns problemas atrapalharam
os planos do senhor Chapman: o roubo de algumas Chinchilas,
que acabaram por morrer quando foram enviadas para a Europa,
e a contaminação da nascente de àgua
que era fornecida aos animais atrasaram e tornaram mais complicados
os planos.
O Sr. Chapman e Peter, o chinchila favorito.
Com a construção de uma nova “Quinta”,
desta vez em local não divulgado. Chapman estudou uns
edifícios inovadores na sua construção
e na sua qualidade. Tanto o edifício principal como
as gaiolas e até as ‘caixas – ninho’
foram isoladas de maneira a que os animais se sentissem como
no seu habitat natural. A idéia não apontava
para o lucro, mas sim para o sucesso da criação
destes animais em cativeiro. Graças a todos estes cuidados
as Chinchilas proliferaram. Anos depois de Chapman morrer,
em 1934, mais alguns exemplares foram trazidos do habitat
natural para cruzamentos. De qualquer maneira, todas as Chinchilas
são descendentes do primeiro grupo de 11 do Sr. Chapman.
Fonte: Clube Chinchila Portugal - CCP
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