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6ª etapa -
GP de
Cleveland
Allmendinger vence na Champ Car após grave acidente
Depois de perder asa traseira em confusão na largada, Bruno Junqueira
termina em segundo lugar
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Allmendinger
vence a segunda consecutiva
após fantástica recuperação. |
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O norte-americano A.J.
Allmendinger venceu a sua segunda corrida seguida, desta vez o Grande
Prêmio de Cleveland, na Champ Car. Allmendinger bateu o recorde da pista,
que resistia há oito anos (Vasser em 1998), e desde 2001 um
norte-americano não vencia duas provas consecutivas na categoria (Michael
Andretti foi o último, quando venceu Vancouver e Elkhart Lake). O segundo
colocado foi o brasileiro Bruno Junqueira, a pouco mais de três segundos
atrás do vencedor.
A prova foi marcada
pelo acidente espetacular com o líder do campeonato, o francês Sebastien
Bourdais, logo na primeira volta. Logo na primeira volta, Bourdais tentou
fechar a porta de Paul Tracy, mas não reparou que Justin Wilson vinha
disputando a posição com o canadense. Com isso, o carro de Tracy acabou
parando por cima do monoposto do francês. Durante um minuto, a Newman Haas
tentou entrar em contato com Bourdais por rádio, mas o piloto não
respondeu. Foi constatado que o francês estava desacordado. O líder do
campeonato foi levado para o hospital, onde não foram constatados maiores
problemas. Bourdais inclusive já estava nos boxes da Newman Haas nas
voltas finais e pôde acompanhar a corrida. "Eu desmaiei, já que a pressão
(do fundo do carro de Tracy) foi forte. Talvez seu pneu tenha batido em
mim, mas foi o fundo que estava no topo da minha cabeça", explicou
Bourdais, logo após voltar do hospital. "Eu provavelmente perdi um pouco a
consciência porque, depois que tudo parou, eu não sabia se era um sonho ou
onde eu estava, o que tinha acontecido. Não consegui perceber o que houve.
Por exemplo, não me lembro do Kenny (Siwieck, assistente do chefe da
equipe) me chamando três vezes ou de respondê-lo. Em algum ponto, eu
comecei a ver as pessoas em volta do carro. Não sei o que aconteceu. Não
vi o vídeo ainda, então não posso fazer comentários. Sei que não mudei
minha linha, mas não sei como o Tracy veio parar na minha cabeça. Isso é o
que pode acontecer quando você está roda a roda. Eu virei e a próxima
coisa que eu sabia é que um carro estava no topo da minha cabeça. O
projeto do carro me ajudou porque a cabeça não fica muito exposta. Se
fosse o carro do Nigel (que o piloto andou antes da prova), de doze anos
atrás, eu estaria com problemas".
Allmendinger, o único norte-americano disputando a temporada, havia
vencido o último Grande Prêmio realizado em Portland. O piloto havia sido
demitido Rusport e acertou com a Forsythe pouco antes de sua primeira
vitória no campeonato. O norte-americano completou as 95 voltas da corrida
em 2h00min22s619. Junqueira veio logo atrás, com 3s279 para Allmendinger.
O espanhol Oriol Servia completou o pódio 3s505 atrás do vencedor. Em
quarto chegou o canadense Alex Tagliani, e o belga Jan Heylen foi o
quinto.
Com o resultado, Allmendinger foi a 135 pontos na terceira colocação da
classificação do campeonato. O líder, apesar do acidente, ainda é
Bourdais, com 166. Junqueira foi a 88 e está em sexto. Cristiano da Matta,
que terminou a prova em décimo quarto lugar após ter o cabo do acelerador
quebrado e ficar parado nos boxes por 20 voltas, ficou com 83 pontos e é o
décimo. O inglês Justin Wilson, que também ficou pelo caminho depois de
bater por causa da quebra de uma suspensão, segue como vice-líder com 140
pontos.
Logo no início da prova, Allmendinger, que largou na pole, perdeu a asa
frontal de seu carro, foi parar na grama e teve que parar nos boxes. "Eu
não sei se foi um pesadelo inicial ou um conto de fadas", disse o
vencedor.
Apenas onze carros, dos dezoito que largaram, terminaram a corrida. A
prova teve 35 voltas sob bandeira amarela, sendo acionada por nove vezes
no total. O público do evento foi considerado
excelente, quase 118 mil pessoas (51 mil no domingo), o melhor desde 2001.
Allmendinger feliz com
segunda vitória e Tracy já pensando em Toronto
A.J. Allmendinger (Forsythe) conquistou sua segunda vitória ao cruzar na
frente a linha de chegada do GP de Cleveland. "Tenho que agradecer toda a
equipe Forsythe, todos tiveram uma parte nisso. Eles me deram um carro de
corrida absolutamente fantástico durante o fim de semana. Achei que nosso
carro em Portland era bom, mas esse superou. Tentei fazer o máximo que eu
pude para não deixar a vitória escapar, porque rodei na curva 2. Oriol
(Servia) fez uma grande largada e veio para cima de mim. Eu o vi e saí do
caminho, porque não queria bater. Acabei rodando. Felizmente, a amarela
veio. Consegui entrar nos boxes e consertar a asa. A partir daí, foi uma
briga feia. As primeiras vinte voltas foram provavelmente as piores que eu
já tive. O carro estava brilhante e toda a equipe Forsythe também. Sabia
que a equipe era a melhor e sabia que conseguiria chegar entre os cinco
primeiros se conseguisse ficar na pista. Com todas as amarelas, voltei
para a liderança. Absolutamente incrível!".
Seu companheiro de equipe, o canadense Paul Tracy, não teve a mesma sorte.
Já na largada, Tracy tocou o carro de Sebastien Bourdais (Newman Haas),
passando por cima do piloto francês, que foi levado ao hospital, mas
liberado em seguida. O canadense chegou a tocar Nicky Pastorelli
(Rocketsports) mais tarde na prova e acabou abandonando algumas voltas
depois, quando bateu no muro. "Saí da curva 1 e estava brigando com os
carros da Newman Haas na reta oposta quando toquei um deles e a próxima
coisa que vi era que estava voando. A equipe fez um grande trabalho
consertando o dano, mas o carro estava muito difícil de dirigir após isso.
Bati no muro saindo da curva 8 e isso acabou com o meu dia. Estou feliz
que o fim de semana tenha terminado, só quero esquecer isso e ir para
Toronto, minha cidade natal, e brigar pela minha primeira vitória da
temporada".
Bruno Junqueira comemora volta
ao pódio
A maldição da curva 1 quase tirou do brasileiro Bruno Junqueira a chance
de um bom resultado no GP de Cleveland, mas acabou proporcionando a chance
ideal para que o piloto da Newman Haas conquistasse seu primeiro pódio do
ano com um desempenho brilhante. Bruno, que largava em sétimo, foi
atingido no acidente em que Paul Tracy literalmente voou sobre o carro do
bicampeão Sebastien Bourdais. Na confusão, que tirou o companheiro de
equipe do brasileiro da corrida, Bruno acabou perdendo a asa traseira do
carro e caiu para o 15º lugar. Com um desempenho agressivo, mesmo sem
contar com um carro perfeitamente equilibrado, ele superou as armadilhas
do traçado do Burke Lakefront Airport e recebeu a bandeirada em segundo,
igualando seu melhor resultado nessa pista. O vencedor, como na semana
anterior, em Portland, foi A.J.Allmendinger, da Forsythe.
O GP de Cleveland foi uma das provas mais confusas e acidentadas da
categoria nos últimos anos, com nada menos do que 7 bandeiras amarelas.
Mesmo com a lateral de seu Lola avariada, Bruno, com uma estratégia de
paradas para reabastecimento e trocas de pneus diferente da adotada pelos
líderes, logo começou a recuperar posições, andando no mesmo ritmo dos
primeiros. Na 23ª volta, com uma nova neutralização, foi para a ponta e,
mesmo perdendo a liderança para A.J.Allmendinger na relargada, manteve-se
no primeiro pelotão. Ele voltaria a liderar a prova entre as voltas 64 e
71 e, depois de seu último pit stop, se aproximava do inglês Dan Clarke
(CTE HVM). Na última volta, acabou escapando do toque entre Clarke e o
mexicano Mario Dominguez (Dale Coyne). Ao cruzar a linha de chegada, muita
alegria pela segunda posição, o primeiro pódio desde a vitória no GP de
Monterrey de 2005.
"Do começo ao fim uma prova muito louca para mim. Na largada, quando o
Sebastien e Tracy se tocaram o Paul acabou usando o meu carro como rampa e
o danificou muito. Perdi a asa traseira e tive muitos danos na lateral
esquerda, mas por sorte a bandeira amarela foi muito longa e pude então
fazer os reparos em um pit stop. Depois, com uma segunda parada, voltei a
estar na volta dos lideres, mas o carro esteve ruim, saindo incrivelmente
de frente a corrida toda. Com uma estratégia diferente da dos lideres,
cheguei a liderar, mas mais tarde uma confusão em relação a minha terceira
parada quase me deixou sem combustível, só para aumentar o drama. Estou
muito contente e satisfeito, subi para a oitava posição no campeonato e
começo a traçar novamente meu caminho para a vitória, sinto que estou de
volta à competição", comemorou.
Preocupado com a impressionante cena do carro de Paul Tracy voando sobre o
de Bourdais, Bruno foi tranqüilizado pela equipe ainda durante a corrida,
com a confirmação de que o francês, levado para exames em um hospital de
Cleveland, não sofreu nenhuma lesão. Bourdais inclusive já estava nos
boxes da Newman Haas nas voltas finais e pôde acompanhar o ótimo
desempenho do brasileiro.
Wilson e Da Matta
desapontados com o GP de Cleveland
O GP de Cleveland foi ruim para os pilotos da equipe
Rusport.
O inglês Justin Wilson abandonou a prova na volta 78, com uma quebra no
carro. "Foi muito triste", lamentou o piloto, que ficou com a 13ª posição
na prova. "Estávamos economizando combustível e tudo dependeria de quem
conseguisse ir até o final sem fazer um último pit stop. Recebi a
informação de que eu conseguiria e ninguém mais não, então estava bom.
Mas, infelizmente, alguma coisa quebrou na frente do carro e travou o
volante. Estou muito chateado, porque poderíamos ter terminado no topo do
pódio".
Cristiano da Matta foi forçado a ficar 20 voltas nos boxes por causa da
quebra do cabo do acelerador, enquanto sua equipe consertava o problema. O
brasileiro voltou para a corrida e terminou na 14ª posição. "É péssimo
perder tantas voltas no início. Tínhamos um bom carro de corrida, então
isso me deixa mais frustrado. Mesmo não tendo uma boa posição de largada,
do modo como a corrida aconteceu, seria uma corrida fácil para marcar
alguns pontos e perdemos uma boa oportunidade. Indo na curva 3 na primeira
volta, consegui passar pela bagunça da largada e pisei nos freios para
evitar bater na Katherine Legge, que tentou evitar alguém à sua frente, eu
acho. Quando fiz isso, o carro rodou. Virei o carro novamente e, quando
pisei no acelerador, o cabo quebrou. Foi um dia difícil".
Apesar dos problemas, Clarke
e Philippe animados para o futuro
Dan Clarke (CTE HVM) perdeu a chance de conquistar seu primeiro pódio na
Champ Car. O piloto ocupava o terceiro lugar no GP de Cleveland quando, na
última volta, se envolveu em um acidente com Mario Dominguez (Dale Coyne),
segundo colocado. "Foi frustrante. Saímos de 11º para o terceiro lugar.
Com uma volta faltando, eu tentei passar para ficar em segundo e perdi o
controle no final, acabando em sétimo. Ainda assim, aumentei minha
liderança pelo 'Rookie of the Year' (novato do ano) e mostramos que temos
um forte ritmo de corrida. A CTE HVM me deu um ótimo carro e foi
decepcionante não manter minha posição de pódio, mas está feito, vamos em
frente e voltar fortes novamente em Toronto".
Seu companheiro de equipe, o francês Nelson Philippe, terminou a prova em
décimo lugar. "Estou muito desapontado, mas, ao mesmo tempo, animado para
o futuro, já que sei que somos capazes de ótimas coisas. Acho que provei a
todos que estou preparado para brigar por pódios a cada semana. Odeio
falar assim, mas esta foi a minha corrida. Tivemos a volta mais rápida e o
carro esteve consistente o tempo todo, mas, infelizmente, é assim que o
automobilismo é algumas vezes. Vamos voltar fortes em Toronto e mal posso
esperar para correr no Canadá".
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