Tudo
que é bom é pecado?
Jaime Kemp
O
relacionamento físico também requer cuidados.
Criar oportunidades, planejar e fazer acontecer faz parte de
uma vida sexual saudável
O sexo - mais do que nunca - tem sido objeto de uma incrível
polarização. De um lado tornou-se escancaradamente
evidente, através da mídia lida, ouvida, vista,
e exorbitada pela pornografia, hoje quase palpável pela
Internet. Porém, o medo desse extremo levou ao outro,
onde pais nem conversam com os filhos sobre sexo e, quando o
fazem é só para abrir-lhes os olhos, para que
os fechem para toda e qualquer aparição deste,
em suas diversas formas. E aqui, também têm se
encaixado as igrejas que o encaram unicamente com o propósito
de procriação.
Há muita confusão, mesmo entre casais casados,
sobre sexo. Mais de quarenta por cento dos meus aconselhamentos
relacionam-se a problemas sexuais.
As
Escrituras, no entanto, reconhecem a intimidade sexual conjugal
como uma experiência normal na vida e possui, no mínimo,
três propósitos:
-
Procriar – Gênesis 1.28,29
-
Evitar imoralidade – 1 Coríntios 7.1-5
-
Dar prazer – Provérbios 5.15-19
O
livro Cânticos dos Cânticos é dedicado à
paixão entre os cônjuges. Alguns intérpretes
sentindo-se desconfortáveis com sua declarada sexualidade,
tentaram defini-lo como uma alegoria espiritual. No entanto,
o livro é realmente uma terna descrição
do romance entre o rei Salomão e sua esposa, Sulamita.
Neste
pequeno livro de oito capítulos encontramos algumas jóias
preciosas que mostram a exuberância de um relacionamento
íntimo com o cônjuge:
A
primeira descrição feita por Salomão de
sua amada está em Cânticos dos Cânticos 1.10,15.
É um breve e simples retrato de seus olhos, rosto e pescoço.
Na cultura da época o corpo inteiro das mulheres era
coberto, com exceção do rosto. Então, Salomão
começa a descrever o que era possível enxergar
em Sulamita.
A
segunda descrição partiu da noite de núpcias
(Cântico dos Cânticos 4.1-7), onde ele descreve
o corpo de sua esposa, começando por seus olhos, lábios,
pescoço e seios.
A
terceira descrição (7.1-9) vem após o casal
já estar casado há algum tempo e o quadro expõe
algum tipo de conflito. Esta narração é,
sem sombra de dúvida, a que revela maior intimidade.
Salomão descreve sua esposa da cabeça aos pés.
A intimidade sexual do casal cresceu na proporção
do tempo em que estiveram juntos
Tempo
A relação íntima de um casal desenvolve-se
através do tempo e cresce com o conhecimento mútuo.
A experiência é gradativa e varia de casal para
casal. Não é possível estabelecer regras,
embora ocorram semelhanças. Há pessoas que querem
criar uma intimidade artificial, porém, há coisas
que não dá para forçar. Deixe-me tentar
ilustrar: se você já tirou sua carteira de motorista,
com certeza se lembra das horas que passou treinando para o
exame prático. Creio que a maior dificuldade era coordenar
a embreagem com o acelerador. Você se lembra de quando
retirou o pé da embreagem e o carro começou a
dar trancos? Depois de anos de prática, tudo ficou mais
fácil, não é? Você aprendeu, mas
foi necessário investir tempo. O mesmo ocorre no que
diz respeito à intimidade que conduz a um relacionamento
sexual realizador.
Muitos
dos casais que tenho aconselhado confessaram que suas expectativas
sexuais eram altas demais. A idéia passada por Hollywood
é que quaisquer duas pessoas podem passar a noite juntas
e experimentar um barulhento orgasmo. Porém, não
é bem assim que as coisas funcionam... O cronômetro
varia de casal para casal, é único e não
há como padronizar ou generalizar. Só dá
para dizer que, quanto mais tempo com qualidade for investido
pelo casal, maior será a possibilidade de desenvolver
um bom relacionamento.
Planejamento
Já era madrugada quando Salomão bateu à
porta de sua casa. Ele havia ficado trabalhando até mais
tarde e além disso tinha esquecido as chaves de casa,
no palácio. Sulamita já havia se deitado e aborrecida
pela demora do marido e pela desconsideração que
ele tivera, não avisando-a de seu atraso, trancou a porta
do quarto (Cântico dos Cânticos 5.2-3).
Por
sua vez, ele também ficara aflito pois não tivera
como escapar da reunião que se estendeu além do
esperado. Salomão desejava ter relações
com sua esposa mas ela, cansada, desapontada e magoada, não
o recebeu (Cântico dos Cânticos 5.3).
Esse
problema não é prerrogativa dos casais dos tempos
bíblicos. Hoje, nas grandes metrópoles muitos
passam por situações semelhantes.
Alguns
maridos chegam a ligar para suas esposas avisando, com carinho,
que já estão encerrando o expediente. Deixam seus
escritórios ansiosos por chegar em casa. Porém,
nesse meio tempo começa a chover forte, o trânsito
simplesmente pára e ocorre uma inundação.
O pior de tudo é que o celular se recusa a funcionar!
Bom, não é preciso dizer que os planos vão
– literalmente – “por água abaixo”!
Ao
chegar em casa, um desses maridos encontra o jantar frio e a
esposa “congelada”, aborrecida e desanimada pela
espera.
Voltemos
para Salomão. Ele agiu tipicamente como um homem! Foi
insensível e não entendeu o mau humor da esposa.
Seu orgulho ferido o levou à uma noite solitária
no sofá! Sulamita, em seu quarto, também não
conseguiu dormir, arrependida por ter sido tão radical.
Salomão não consultou o relógio do sol
para saber as horas e Sulamita esqueceu o porquê de ter
se produzido tão esmeradamente!
Os
conflitos fazem parte de qualquer casamento. Os casais mais
sábios, porém, aprendem a lidar com eles e a utilizá-los
como aprendizado. Tendo em vista aprimorar nossa vida sexual,
devemos enfocar alguns pontos:
Boa
comunicação
No capítulo 4.12-15 Salomão diz a sua esposa o
que o atrai nela:
1.
sua fidelidade – ele se sente seguro com sua exclusividade
sexual
2.
seu perfume – ele se delicia com as fragrâncias
que ela exala
3.
seus frutos – ele desfruta de suas carícias
4.
sua fonte – ele mata ali sua sede sexual
Salomão
envolve sua esposa com elogios, palavras doces e suaves. Qual
o resultado? Uma entrega total da parte dela. O versículo
16 é um lindo convite para um “passeio” pelo
jardim, que na verdade é a sua sexualidade. Nada impedia
a liberdade que desfrutavam. Estavam livres de culpa e repressões.
E
é nesse clima que cada casal deveria desenvolver sua
intimidade. Muitas vezes isso não acontece por conflitos
e mal-entendidos não resolvidos, quebrando toda atmosfera
propícia. Os momentos de profunda intimidade entre o
casal proporcionam não somente maior envolvimento entre
eles, mas também um relaxamento físico, mental
e emocional, tão necessário nos dias de hoje.
Inclusive, creio ser este um dos objetivos de Deus ao criar
o sexo.
No
entanto, nada disso acontece por toque de mágica. Comunicação
é vital nesse processo e a transparência entre
o casal é um dos pontos principais. Precisamos trabalhar
nossos relacionamentos. Muitas vezes o casal já tem uma
abertura que leva naturalmente a esse ponto. Porém, nem
sempre isso ocorre e nesses casos, é importante dirigir
a conversa. Gostaria, então, de sugerir quatro perguntas,
que podem ser feitas periodicamente pelos cônjuges:
1.
Existe algo que eu esteja fazendo em nossa relação
que demonstre egoísmo?
2.
Existe algo que eu possa fazer para tornar você mais feliz
e realizado (a) na área física?
3.
Estou, de alguma forma, ofendendo você?
4.
Você está satisfeito (a) com nossa comunicação
no que diz respeito a nossa intimidade?
Você
tem coragem de fazer estas perguntas a seu cônjuge? Se
as respostas não forem as que você espera mudanças
serão necessárias. Coragem! Quem sabe não
partirá daí um relacionamento mais profundo, transparente
e duradouro?
Tempo
de lazer
Nossa
sociedade tecnológica criou uma diversidade de aparelhos
visando poupar o tempo do usuário. Porém, muitas
vezes em que começamos a utilizá-los acabamos
nos deixando dominar por eles. Conheço casais que além
da televisão, colocaram também o computador no
quarto. E a Internet acaba se tornando uma grande rival do casal!
Se
quisermos desenvolver uma vida sexual recompensadora devemos
aprender a diminuir o ritmo, fazer intervalos e criar oportunidades.
Em
Cânticos 7.10-12, a Sulamita verbaliza seu amor por Salomão
e em seguida sugere que tirem umas férias no campo. Ela
sabia a importância do tempo a sós com o marido,
longe de casa, das responsabilidades, para que ambos pudessem
relaxar e um ser o centro da atenção do outro.
Esse
tempo de férias a dois precisa ser planejado, e colocado
na agenda familiar. Ele pode até parecer algo impraticável,
egoísta e não espiritual. Porém, com toda
a pressão que sofremos em nossa sociedade, é absolutamente
necessário. Os casais precisam dedicar algum tempo exclusivo
para sua intimidade e desfrute sexual.
O
mesmo Deus que oferece as boas novas de salvação
ao mundo também criou o sexo. E o colocou no contexto
do casamento para que o casal possa celebrar seu relacionamento,
com total liberdade e satisfação. Deus deseja
que cada casal casado aprofunde sua intimidade em todos os níveis
e desenvolva entre si uma intimidade sexual que glorifique aquele
que a idealizou.
Fonte:
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e-mail. Caso o autor não deseje que seu texto esteje
nesta página escreva-me que eu o retiro prontamente.
Selecenei-o porque acho que é muito útil.