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JESUS
E A SAMARITANA.
Pr. Ariovaldo Ramos
TEXTO BÍBLICO:
Jesus e a samaritana. João 4, 1-30:
-1 Os fariseus ouviram dizer que Jesus fazia mais discípulos
e batizava mais do que João
–2 embora não fosse Jesus que batizasse, e sim os discípulos.
-
3 Ao saber disso, ele deixou a Judéia e voltou para a Galiléia.-
4 Ele tinha de passar pela Samaria.
5Chegou assim a uma cidade da Samaria chamada Sicar, próxima
das terras que Jacó havia dado ao seu filho José.
6 Ali estava o poço de Jacó. Cansado da viagem, Jesus
sentou-se à beira do poço. Era quase meio-dia.
7 Uma mulher da Samaria veio tirar água. Jesus lhe disse: “Dá-me
de beber”.
8 Os discípulos tinham ido à cidade comprar mantimentos.
9 A mulher samaritana respondeu-lhe: “Como é que tu, um
judeu, pedes de beber a mim, que sou samaritana?”Pois os judeus
não se dão com os samaritanos.
10 Em resposta Jesus lhe disse: “Se conhecesses o dom de Deus
e quem é que te diz ‘dá-me de beber’, serias
tu que lhe pedirias, e ele te daria água viva”
11 A mulher disse: “Senhor, não tens com que tirar água
e o poço é fundo, donde tens pois essa água viva?
12 Por acaso és maior que nosso pai Jacó que nos deu o
poço do qual ele bebeu, junto com os filhos e os rebanhos?”
13 Jesus respondeu: “Quem bebe dessa água tornará
a ter sede;
14 mas quem beber da água que eu lhe der jamais terá sede.
A água que eu lhe der será nele uma fonte que jorra para
a vida eterna”.
15 A mulher pediu: “Senhor, dá-me dessa água para
que eu não sinta mais sede nem precise vir aqui buscar água”.
16 Jesus lhe disse: “Vai chamar teu marido e volta aqui”.
17 A mulher respondeu: “Eu não tenho marido”. Jesus
disse: “Respondeste bem: ‘não tenho marido’.
18 De fato, tiveste cinco e aquele que agora tens não é
teu marido; nisto disseste a verdade”.
19 “Senhor –disse a mulher –vejo que és um
profeta.
20 Nossos pais adoraram a Deus neste monte e vós dizeis que é
em Jerusalém o lugar onde se deve adorar”.
21 Jesus lhe disse : “Mulher, acredita em mim, vem a hora em que
nem neste monte e nem em Jerusalém adorareis o Pai.
22 Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos
o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus.
23 Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores
hão de adorar o Pai em espírito e verdade; estes são
os adoradores que o Pai deseja.
24 Deus é espírito, e quem o adora deve adorá-lo
em espírito e verdade”.
25 A mulher disse a Jesus: “Eu sei que o Messias, que se chama
Cristo, está para vir. Quando vier, ele nos fará saber
todas as coisas”.
26 Disse-lhe Jesus: “Sou eu, que falo contigo”.
27 Nisso chegaram os discípulos e se admiravam de que estivesse
falando com uma mulher. Mas ninguém perguntou o que ele queria
ou o que estava falando com ela.
28 A mulher deixou o cântaro, foi à cidade e disse a todos:
29 “Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Não
será ele o Cristo?”
30 Eles saíram da cidade e foram até onde estava Jesus.
Vimos em mensagens anteriores algumas realidades da
chamada pós-modernidade e agora veremos uma outra realidade desse
momento assim denominado: a busca incessante do prazer pelo prazer e
chegamos à conclusão de que nenhum prazer é prazer
pelo prazer, pois numa busca articulada não se encontra o que
se precisa.
Pelo texto de hoje revela-se uma situação já conhecida
entre judeus e samaritanos, a de que eles não se davam, por motivos
já bem antigos. De fato, mais ou menos em 750 a. C., os assírios
tinham invadido o Reino de Israel que tinha como capital a Samaria e
dali obrigaram os habitantes a se desalojarem da sua terra, fazendo-os
migrarem para outras regiões e levando para o Reino de Israel
outros povos de costumes e cultura diferente, para depois permitirem
que os migrantes retornassem com a perda da própria cidadania,
mas com a liderança dos assírios. Essa estratégia
visava enfraquecer o povo dominado pelo choque que sofria em sua nacionalidade,
em sua cultura e em sua língua. Foi o que aconteceu com o Reino
de Israel, situado na região norte da Palestina, que adorava
o mesmo Deus do Reino de Judá, este localizado mais ao sul. Os
samaritanos foram o resultado dessa miscegenação. Embora
adorando o mesmo Deus, os samaritanos, tendo perdido a sua identidade
pelos anos de dominação estrangeira, acreditavam apenas
nos cinco livros de Moisés, enquanto os judeus acreditavam em
todos os livros das Sagradas Escrituras. Em razão disso os judeus
odiavam os samaritanos e vice-versa.
Jesus, na verdade não tinha que necessariamente atravessar a
região da Samaria para chegar à Galiléia, pois
havia caminhos alternativos, mas Jesus passou por ali porque sabia que
tinha um encontro com uma mulher muito singular, a samaritana que buscava
água no local do poço em que encontrou-se com Jesus num
horário também alternativo, diferente e solitário
por causa da hora de calor intenso. Mas ela assim fazia de forma proposital
pela rejeição que vinha sofrendo por parte da sua comunidade
e do convívio com as outras mulheres, isso em razão da
sua condição civil em que se encontrava. Além de
ser uma mulher rejeitada por causa da sua conduta, a samaritana ainda
sofria a discriminação com que as mulheres em geral, inclusive
as judias, eram preteridas, sem direitos e praticamente consideradas
como coisas. Essa samaritana, porém, era uma mulher diferente,
independente e inquieta, porque logo iniciou um diálogo com Jesus,
que aliás lhe era proibido pelos costumes locais, ou seja, o
de falar com um homem e ainda mais o de discutir com Jesus acerca das
Escrituras. Mas ela era inteligente e sabia do que estava falando. Ela
era inquieta porque tivera 5 maridos e estava no 6º relacionamento
com um outro homem que não era o seu marido, pois não
lhe fora dada a carta de divórcio pelo quinto marido que a repudiara,
provavelmente por não suportar a convivência com uma mulher
tão bonita e brilhante. Se não tivesse sido repudiada
e tivesse obtido a carta de divórcio certamente ela estaria casada,
mas ela estava em busca de uma razão para existir e assumiu um
relacionamento sabidamente rejeitado pela sua comunidade.
Na verdade a samaritana queria se encontrar, buscar a felicidade e o
direito de se relacionar, agindo de forma corajosa e destemida em busca
de si mesma, da alegria de viver, em busca do existir por prazer e do
prazer de existir. Pois ela questionou por que Jesus estava contrariando
a lógica dos costumes judeus de não falar com os samaritanos
e muito menos com uma mulher samaritana. Ela estava curiosa também,
pois percebia que Jesus não era um judeu comum, mas aparentava
ser um mestre e os mestres jamais falariam com uma mulher com muito
mais razão. Quando Jesus falou em água viva ela continuou
questionando como e porque teria Ele essa água viva, mas já
estava percebendo que Cristo estava falando de um milagre, pois o poço
em si já era um milagre de Deus para com Jacó que o perfurara
em local onde era impossível se obter água. E Jesus começou
a falar ao coração da samaritana, quando disse que não
só era maior que Jacó como tinha a oferecer algo muito
melhor. Jesus de fato já estava falando da sede daquela mulher
em busca de algo que almejava ao se envolver em 6 relacionamentos apesar
do enfrentamento em que se viu diante da sua comunidade.
Ora, as mulheres inteligentes – e a samaritana, além de
bonita, era muito inteligente -, não querem homens para provedor
e amantes simplesmente, mas homens companheiros, que possam dar um amor
companheiro que vem e que permanece no relacionamento, enquanto que
os outros tipos de amor vêm e passam. Por isso a samaritana era
uma mulher muito especial.
Essas qualidades se revelam ainda mais quando ela diz: “Dá-me
de beber dessa água” e acaba colocando Jesus contra a parede.
Mas Jesus se saiu muito bem ao lhe dizer, em resposta: “Traz o
teu marido”. Foi aí que ela descobriu que Jesus era alguém
muito especial e o questiona a respeito de onde deveriam os samaritanos
adorar a Deus, no monte ou em Jerusalém? Jesus lhe responde ser
em Jerusalém, mas que Deus, porém, deve ser adorado em
todos os lugares em espírito e verdade e a mulher samaritana
concluiu que o único que podia afirmar isso seria o Messias esperado.
Jesus não a deixa sem resposta e o que nunca havia dito a ninguém
acabou dizendo a ela: “Eu sou o Messias”. E ela creu, recebeu
a água viva e em seu coração brotou uma fonte que
não parou mais de jorrar.
A história dessa mulher nos conta sobre muitas pessoas que estão
procurando uma vida interessante e são as mulheres que têm
acabado por procurar fazer as pessoas entenderem o que é ser
gente, nesta época em que a sociedade busca o prazer pelo prazer.
Na verdade, ainda que equivocados, nem tudo é devassidão,
pois muitos procuram apenas a razão de existirem, o sentido do
casamento ou o sentido da igualdade entre as pessoas. É que elas
não sabem que viver em Deus é prazeroso e quem inventou
o prazer foi o próprio Deus. Quando experimentamos a vontade
de Deus, encontramos tudo de bom, inclusive o prazer. A água
viva nos faz encontrar o prazer de existir e o existir por prazer, sabendo
que o prazer verdadeiro vem de Deus. Enquanto a sociedade indaga onde
está verdadeiro o prazer, nós sabemos que ele está
na água viva de Jesus. Talvez estejamos vivendo isso em nosso
casamento, nos nossos relacionamentos ou na própria Igreja, porém,
o verdadeiro prazer de viver com alegria está na água
viva do Senhor.
Há que se admitir: em regra, as mulheres não desistem
de procurar uma razão de viver e têm um poder muito maior
de resistência ao desânimo do que têm os homens.
Jesus nos veio como água viva, mas nós temos essa água
viva? Se a temos, vamos levá-la a todo o mundo. Jesus não
disse para a samaritana que fosse pregar, mas ela, cheia da água
viva, foi e pregou aos membros da sua comunidade. Façamos também
isso.
Não importa em que estado esteja a nossa vida, mas a água
viva pode jorrar em todos os nossos corações. Basta clamar
a Jesus e Ele a fará jorrar em quaisquer situações
que enfrentarmos. Eis aqui um desafio para todos que tiverem uma responsabilidade
missionária: vamos ao encontro dos que não sabem dessa
água viva, como o fez a mulher samaritana.
Pais
ou responsáveis,
Depois que passamos pelo problema, resolvi fazer este site como alerta
aos pais e avós. Sobre o perigo do 
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