BIOFÍSICA
TRANSFUSÃO SANGÜÍNEA
DISTÚRBIOS DO EQUILÍBRIO ÁCIDO-BASE
CONCEITOS GERAIS
Os desvios da concentração de íons hidrogênio são ocorrências relativamente comuns nos pacientes graves, nos pacientes sob regime de terapia intensiva, especialmente quando a ventilação depende de respiradores mecânicos e nos que apresentam doença significativa pulmonar ou renal, devido á interferência com os mecanismos reguladores naturais. São ainda comuns em pacientes com doenças sistêmicas severas, de qualquer natureza, em que haja comprometimento das funções metabólicas ou respiratórias.
DESVIOS DO pH
O pH é o indicador do estado ácido-base do organismo. Os desvios do equilíbrio ácido-base refletem-se nas alterações do pH do sangue. O pH normal do sangue, situa-se entre 7,35 e 7.45. Quando o pH está abaixo do valor mínimo normal, existe acidose. Se o pH está acima da faixa normal, existe alcalose.
A prática tem demonstrado que o organismo humano tolera um certo grau de alcalose, melhor que graus idênticos de acidose.
A severidade dos distúrbios do equilíbrio ácido-base pode ser apreciada pelo grau de alteração do pH. Quanto mais baixo o pH. mais severa é a acidose; do mesmo modo um pH muito elevado, indica a presença de alcalose grave.
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Figura 5. Representa o pH na acidose e na alcalose. Demonstra também os limites de tolerância do organismo aos desvios do pH. |
Desvios extremos do equilíbrio ácido-base, em geral se acompanham de alterações profundas da função dos órgãos vitais e podem determinar a morte do indivíduo. Em geral, o valor mínimo do pH, compatível com a vida nas acidoses é de 6,85; nas alcaloses, o valor máximo de pH, tolerado pelo organismo é de aproximadamente 7,95, conforme representado na figura 5.
As variações da concentração dos íons hidrogênio no organismo podem ser de origem interna (endógena) ou externa (exógena).
O acúmulo de ácidos no organismo pode ser conseqüência da retenção do C02 no sangue por dificuldade de eliminação nos alvéolos pulmonares, pode ocorrer em conseqüência do aumento da produção de ácido Iático e por incapacidade de eliminação de ácidos fixos pelos rins (causas endógenas). Pode também ocorrer, em conseqüência da ingestão acidental de grande quantidade de ácidos, como o ácido acetil-salicílico (aspirina) ou outros agentes de natureza ácida (causas exógenas).
A redução dos ácidos no organismo pode ser conseqüência da eliminação excessiva do C02 (causa endógena), da perda de ácidos fixos ou da administração excessiva de bases, como o bicarbonato de sódio, por exemplo (causa exógena).
Sempre que há tendência a desvios do equilíbrio ácido-base, o organismo intensifica a atuação dos mecanismos de compensação, na tentativa de impedir grandes desvios do pH. Nestas circunstâncias os desvios podem ser parcialmente compensados. A compensação completa do desvio, entretanto, depende da remoção da sua causa primária.
PRÓXIMO TEXTO: CLASSIFICAÇÃO DOS DESVIOS DO EQUILÍBRIO ÁCIDO-BASE
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