Harry Potter e a Luz Sagrada
Capítulo 3
CARTAS
Harry acordou muito mais cedo do que esperava, graças a alguns barulhos
irritantes de Errol, que queria voltar para casa. Harry levantou impaciente,
pegou uma folha de pergaminho e uma pena. Aproveitaria para escrever um bilhete
para Rony.
“Rony,
Sua coruja estava querendo voltar para casa logo, então estou escrevendo
esse bilhete rápido. Adorei o presente! Foi realmente uma coisa maravilhosa! E
não se preocupe com os jogadores, Mione me deu. É o time da Grifinória do 3º
ano! Vai ser muito legal. Estou ansioso para jogar uma partida contra você.
Snuffles ainda não me deu permissão de Dumbledore, disse que só quando o próprio
desse um ok, e ele não disse nada sobre o assunto. Depois falo com você, senão
Errol pode ter um ataque.
Harry”
Dobrou rapidamente o pergaminho e colocou na pata de Errol, que saiu pela
janela cambaleando, subindo e descendo toda hora. Harry deu um suspiro, e já
que começara, terminaria de responder às cartas. Pegou primeiro a de Sirius,
que sem favor nenhum era a mais importante. Molhou a pena no tinteiro e pensou.
Como iria pedir ao padrinho? Queria ir para a casa de Rony, a vida na Rua dos
Alfeneiros não podia estar pior. Mas como? Acabou se decidindo dez minutos
depois, e começou a escrever:
“Caro
Sirius,
Como está? Os dementadores ainda não te encontraram, né? Obrigado
pelas notícias do Profeta Diário, já estava ficando sem informações do
mundo bruxo. Guardei bem a capa, mas não entendi o que ela faz, e nem qual a
sua utilidade. Tem algo a ver com Voldemort?
A vida aqui com os Dursley está cada dia mais chata. Não vejo a hora de
ir passar o resto das férias na casa de Rony, nem de começar o ano letivo
logo! O Dumbledore ainda não autorizou? Aposto que hoje nem vão se lembrar do
meu aniversário, mas tudo bem, minha vida é assim...
Espero que esteja tudo bem aí e que nos encontremos logo.
Harry”
Amarrou a carta na pata da coruja parda, que logo levantou vôo, passando
por cima da cabeça de Harry. Edwiges ficou o encarando com seus enormes olhos
âmbar, como se pedisse uma correspondência para entregar também. Harry a
olhou em censura e disse:
- Edwiges, não precisa ficar com ciúmes. Depois do café eu termino de
escrever. Estou morrendo de fome.
E desceu para tomar café.
Os Dursley já estavam todos sentados, inclusive Duda, que devorava um
pudim de leite. Harry sentou-se, serviu-se de leite e torradas, e quando foi
pegar um pedaço do pudim, tia Petúnia ralhou:
- Não toque neste pudim! Ele é do meu Duda! Você come torradas! – e
empurrou mais quatro para Harry, mas percebendo que dava muita comida, retirou o
prato logo – Vamos, quero que limpe a casa para mim.
- Mas eu ainda não comi! – exclamou Harry, batendo o pé.
- Ora moleque! Obedeça sua tia! – gritou tio Válter, por debaixo do
jornal.
Harry teve vontade de ter uma varinha naquele momento para transformar os
tios no bicho mais bisonho da face da terra. Subiu as escadas batendo o pé e se
trancou no quarto. Encontrou uma Edwiges com um olhar de profundo nojo. E logo
Harry entendeu porque. O bichinho que recebera de Hagrid, o grymbool, saltitava
na cama de Harry, carregando uma folha de pergaminho na minúscula boca.
- Devolva isso aqui! – disse
Harry correndo para agarrar o grymbool.
O bicho pulou na cama e ficou dando risada, se é que podia chamar aquilo
de risada. Ficou fitando Harry com um olhar divertido, como se perguntasse: “O
que você esqueceu que era importante?”. Em um estalo, Harry arrancou o
pergaminho da boca do grymbool, que agora pedia comida. Abriu cuidadosamente a
folha e leu. Era seu sonho com Voldemort, e precisava avisar a Dumbledore
urgentemente.
Pegou um outro pedaço e escreveu, com uma letra sem capricho, mas com
muita pressa.
“Dumbledore,
Ontem à noite tive um sonho com Voldemort. Ele está procurando alguma
coisa, e parece que quer muito ela. Na outra folha estou mandando os detalhes do
sonho. Aguardo resposta.
Harry”
Pensou em pedir para ficar na casa de Rony, mas acabou desistindo.
Enrolou as duas folhas e prendeu em Edwiges, que logo ficou mais feliz.
- Edwiges, entregue isto a Dumbledore. O mais rápido possível, certo?
É muito importante – Edwiges deu uma bicadinha carinhosa na orelha de Harry,
em sinal positivo. E logo levantou vôo, sumindo no horizonte.
- E agora? O que eu faço com você? – perguntou, olhando para o
grymbool.
Foi um momento mágico, como se o grymbool entendesse e falasse a língua
humana. Apontou para a comida no prato de Edwiges, fingiu comer um pouco (grymbool’s
não gostam de comida de corujas), depois foi correndo para a cama de Harry,
pegou o pedaço de pano que dormira e entrou dentro do armário. Harry, temendo
que ele fizesse algo de errado, abriu a porta, e viu o bicho em cima do malão,
agora aberto, segurando o pedaço de pano. Tinha um olhar um pouco triste, pois
sabia que teria que ficar confinado dentro do malão.
Harry se sentiu mal. Pegou o bichinho, o colocou na cama e disse, numa
voz acolhedora, como de pai para filho:
- Sabe, acho que você pode dormir na minha cama. E quando formos para
Hogwarts, pode ficar dentro do bolso das minhas vestes.
Um brilho surgiu nos olhos do grymbool. Foi como se ninguém nunca
tivesse oferecido nenhuma proposta desse tipo a ele. Começou a acariciar a mão
de Harry, em forma de agradecimento. Mas agora o problema era outro: o que dar
de comida ao pequeno grymbool.
- Mas o que exatamente você come? – perguntou pensativo.
O grymbool correu novamente até o malão, e apareceu minutos depois
empurrando um livrão encadernado: era o “Livro Monstruoso dos Monstros”.
Harry o pegou, sorrindo. Como era esperto, pensou, enquanto procurava nas páginas.
Encontrou na página 350: Aprenda a cuidar
de grymbools. Folheou um pouco e parou em um parágrafo que lhe chamou a
atenção:
“O principal alimento para um grymbool são sentimentos positivos. Essa
espécie rara tem o dom de melhorar o ambiente em que se encontra, fazendo pelo
menos a pessoa dar um sorriso sem sentido. Amizade, coragem, felicidade, amor,
perseverança são alguns sentimentos que os grymbool gostam. Conseqüentemente,
gostam de coisas doces. Se você der algo doce a um grymbool, ele lhe dará
confiança, e fará muito que você pedir”.
- Doces, né? – perguntou Harry. O grymbool saltitou positivamente –
Certo, vamos ver o que eu tenho aqui. – e levantou a taboa solta do assoalho.
Harry tinha guardado alguns doces de Hogsmeade, um povoado totalmente
bruxo. Sapos de chocolate, feijõezinhos de todos os sabores, caramelos e muito
mais. Ofereceu uma boa parte ao grymbool, que comeu tudo muito animado. Terminou
minutos depois, esboçando um enorme sorriso, que fez Harry sorrir também. Foi
um sorriso sem sentido, e logo Harry se lembrou do que dizia no livro.
O grymbool pegou uma pena e começou a escrever em uma folha de
pergaminho. Harry, curioso, foi ver o que ele se escrevia, e se espantou ao ver
que ele formava palavras que faziam sentido: “Gostei muito de te conhecer,
Hagrid estava certo. Já te considero um amigo. Meu nome é Grymby”. Harry
arregalou as sobrancelhas, perplexo. Grymby pulava alegremente sobre a folha.
- Bom... agora vejamos. O que posso usar de cama para você? – disse,
ainda levemente desconcertado. Pegou uma veste que já estava apertada e cortou
um grande pedaço, que acomodou Grymby totalmente.
Depois Harry desceu as escadas. Se esquecera completamente da tarefa de
limpar a casa. Tia Petúnia estava muito irritada, pois quebrou dois copos
enquanto os limpava. Ralhou com Harry, o culpando pelo acidente, e depois o
mandou trabalhar. Ficou o dia todo trabalhando, e só terminou ao anoitecer.
Comeu rapidamente e voltou para o quarto, comer um pouco dos doces da Dedosdemel
Ficou o resto da noite terminando o dever de História da Magia, com a
ajuda ocasional de Grymby, que parecia saber tudo. Foi dormir muito tarde, mas
satisfeito; finalmente terminara.
As duas semanas seguintes passaram rapidamente, mas não para Harry, que
achava que aqueles dias não iam acabar nunca. Foi nesse dia que Harry recebeu
uma resposta de Sirius e Dumbledore, que haviam chegado ao mesmo tempo. Logo,
Harry pensou, os dois estavam juntos. Leu a de Dumbledore primeiro, que era
muito curta.
“Harry,
Obrigado por me avisar sobre seu sonho. Ainda não descobrimos o que
Voldemort quer. Se tiver qualquer outro sonho, mande me procurar. Pode ser muito
urgente.Você já pode ir à casa dos Weasley. Já mandei comunicá-los, eles
devem ir te buscar no final de semana. Mande lembranças a todos.
Atenciosamente,
Alvo
Dumbledore”
Harry sentiu-se muito feliz. Finalmente poderia ir para a casa de Rony, e
não podia esperar para chegar logo sábado. Pegou a carta de Sirius, e a leu
calmamente:
“Olá
Harry,
Não, os dementadores nem se aproximaram de mim, ainda bem. A capa é
algo muito importante, não a perca. Sinto muito mas não posso lhe dizer se tem
a ver com Voldemort, tanto porque eu não sei direito. Mas não se preocupe que
Dumbledore irá te explicar tudo.
Dumbledore me disse que você teve outro sonho. Você está bem? Tem
certeza que Voldemort não disse o que estaria procurando? Os aurores estão
procurando algo que possa interessar o Lord das Trevas. Se tiver outro sonho,
avise-nos, é de extrema importância.
E como foi seu aniversário? Seus tios não te maltrataram, certo? Espero
que continue tudo bem, e que passe um agradável final de férias na casa de
Rony.
Sirius”