A Poção
Capítulo 18
SURPRESAS E MUDANÇAS
Voldemort ficou em silêncio por alguns instantes, vendo a inquietação e raiva de Carla de um modo muito prazeroso. Ela estava prestes a explodir, tamanha vontade tinha de lançar o pior feitiço do mundo naquele homem. Ele continuou algum tempo ainda em silêncio, até que julgou que era suficiente.
- E então, não quer saber o que tenho a te propor?
- Estou esperando apenas você dizer – disse Carla entre dentes, tentando manter a voz o mais imparcial que conseguiu.
- Quero que a senhorita se junte a mim – disse o Lorde simplesmente, deixando a garota de queixo caído, surpresa e pasma ao mesmo tempo.
- Como é? – ela perguntou, totalmente descrente da objetividade de Voldemort.
- É isso mesmo que ouviu. Acabei percebendo que é muito mais útil mantê-la viva do que a matar, não esqueci daquela profecia – disse Voldemort fria e calmamente.
- Ao menos uma vez pensou sabiamente, não é? – troçou a garota.
- Não venha com esse sarcasmo, garota, você deveria saber que posso mudar de idéia a qualquer momento – retrucou Voldemort em voz perigosa.
- Mas sei também que dessa vez você não o faria, já que eu sou importante para o triunfo das Trevas e blá, blá, blá.
- Não me tente a mudar de idéia, menina – sua varinha já estava em posição de ataque, e era visível que estava levemente alterado.
- O que quero saber, na realidade – recomeçou Carla, caminhando lentamente na direção do Lord, até ficar a apenas alguns palmos de distância -, é o que vou ganhar em troca de te ajudar a dominar o mundo mágico.
- Eu sabia que iria ceder – comentou com um sorriso frio. – Posso te dar poder, muito poder. Ouros, jóias, os mais caros vestidos já existentes. Você poderia ter tudo o que quisesse... Eu tenho a te oferecer 10% de tudo o que conseguirmos.
- 10%? – perguntou, parecendo horrorizada – Isso não dá nem para o começo. Se quiser algum tipo de cooperação da minha parte, eu não aceito menos que 50%.
- Você não acha realmente que irei te dar metade de tudo, acha? Não quero que seja uma espécie de sócia minha, isso está completamente fora de cogitação – disse Voldemort impassível.
- 40% e eu ainda tenho o direito de aprovar qualquer ataque que for feito, antes de ser posto em ação – concluiu Carla, olhando seriamente para Voldemort.
- Apenas isso? – perguntou sarcasticamente.
- Já que tocou no assunto, não. Também quero que faça parte do trato que nem você nem nenhum Comensal toque em Severo, Remo e Sirius.
- O que te leva a crer que irei aceitar essa exigência?
Carla encarou Voldemort profundamente. Incrivelmente não estava com medo dele, sentia que estava tratando sobre o assunto de igual para igual, e sentiu uma surpresa ao ver as coisas absurdas que estava propondo. Era simplesmente impossível que Voldemort aceitasse qualquer espécie de trato que fosse favorecê-la, e ainda não sabia até onde iria a boa vontade do Lord.
- Então... é isso? – perguntou lentamente, caminhando em tono da garota – Acha que agora o acordo está justo?
- Também não quero receber a Marca Negra – interrompeu a garota subitamente, lembrando-se do que Severo sofrera com a “tatuagem”. – Se quiser se comunicar comigo, arranje outro jeito.
- Você é uma garota muito exigente, sabia? – perguntou Voldemort friamente – Está certo, terá suas exigências. Mas não pode se esquecer que terá de fazer tudo o que eu quiser, exatamente do jeito que eu mandar.
- Está certo, você tem o direito – ela deu de ombros.
- Então vamos logo, não quero que o velhote nos pegue aqui – decidiu Voldemort, apontando para um local no chão escuro da enfermaria. – Accio Varinha – a varinha de Carla voou até onde os dois estavam, e ela a pegou rapidamente.
- Se tentar usar essa varinha para me atacar, eu lhe garanto que será a última coisa que terá feito, entendeu? – disse ameaçadoramente – Agora, suponho que já sabia aparatar, não?
- Claro que sei – ela respondeu de mau-humor, como se a pergunta lhe ofendesse profundamente.
- Ótimo – comentou indiferente. – Siga minhas coordenadas, suponho que não irá se enganar.
Carla concordou com a cabeça. No instante seguinte, Voldemort fez um movimento com sua varinha e uma fina faixa de pó verde começou a correr em volta dos dois, e a garota pôde sentir exatamente para onde Voldemort pretendia aparatar. Estava concentrada no local até uma voz interrompê-la, junto com um barulho de porta batendo.
- Carla, não!
Ela só teve tempo de olhar para trás e ver a expressão desesperada no rosto de Severo Snape, antes de desaparecer completamente dali.
- Não acredito no que está me contando! – exclamou um furioso Sirius Black, que não parava de andar de um lado para o outro na sala de DCAT.
- É verdade Black, eu não estaria brincando com uma coisa dessas – retrucou Snape impaciente.
- Mas ainda sim é impossível! Pra quê diabos ela tinha de se juntar a Voldemort? Por quê? – ele gritou – Dumbledore, me responda a essa pergunta agora!
Sirius Black, Remo Lupin, Severo Snape e Alvo Dumbledore estavam reunidos na sala pessoal dos dois primeiros, e Sirius estava particularmente alterado com a situação. Snape e Dumbledore haviam acabado de presenciar a saída de Carla e Voldemort da enfermaria, e vieram diretamente relatar suas suposições aos responsáveis pela garota.
Remo estava calado, seu rosto completamente pálido, exatamente o oposto de Sirius, que falava em altos brados e tinha o rosto completamente vermelho, mas de fúria.
- Não há nada que possamos fazer, Sirius – disse Dumbledore em voz piedosa. – Certamente houve um grande motivo para ela aceitar Voldemort, mas ainda espero que ela esteja com a cabeça no lugar.
- É claro que não está! – exclamou Sirius, inconformado – Você não leu a droga da profecia? Não sabe que ela é fascinada pelas Artes Negras? Não sabe que...
- Cale-se, Black – cortou Snape, sua voz séria e letal. – Tenho absoluta certeza de que Alvo sabe tudo sobre a garota.
- Mas Dumbledore, você também sabe que ela não tem força o suficiente para não deixar se dominar pelas Trevas? – questionou Remo com um fio de voz.
- Infelizmente sei, Remo – concordou Dumbledore, pesaroso. – Mas volto a repetir que tenho fé de que ela saiba no que está se metendo.
Snape soltou um som parecido com um muxoxo, e Sirius deu uma risada irônica. Voltava agora a andar em círculos pela sala, aparentemente se segurando para não explodir novamente.
- Contudo, não podemos nos dar por vencidos. Precisamos avisar a Harry o perigo que ele está correndo e avisar a todos os aurores. Não podemos deixar ninguém fora de alerta. E também precisamos entrar em contato com os outros espiões, precisamos saber o que Voldemort está tramando.
- Você ainda tem outros espiões no círculo? – perguntou Snape surpreso.
- Sim, Severo – concordou o diretor. – Mas tive o cuidado de escolher pessoas que não pudessem ser afetadas pelas emoções, como tem acontecido nos últimos tempos com você. Não posso correr o risco de que outros informantes sejam descobertos facilmente.
- Então quer dizer que Snape foi pego por Voldemort graças aos sentimentos? – perguntou Sirius incrédulo, mas com uma grande nota de sarcasmo na voz.
- Quando a pessoa tem sentimentos muito presentes em seu corpo, fica mais fácil para Voldemort descobrir se estão falando a verdade ou estão mentindo – explicou Dumbledore.
- Então minha afilhada está perdida – murmurou Remo por entre as mãos, que cobriam seu rosto por completo.
- Ela é forte, Remo, não deixará que as emoções a atrapalhem – disse o diretor.
- Certamente seria se esse desalmado do Snape não tivesse a afetado tão profundamente, ao ponto de chorar a cada cinco minutos! – alfinetou Sirius, incapaz de conter a frase.
- Pois saiba, Black, que quem quis terminar tudo desta vez foi ela, eu não fiz absolutamente nada – retrucou Snape com azedume.
- Realmente – disse Sirius em voz alta. – Mas seu plano era com certeza acabar com tudo, já que fez mais um pacto idiota com Voldemort!
- Parem de discutir – interrompeu Dumbledore sério. – Temos outros assuntos a tratar, pouco me importa quem é que terminou tudo da última vez.
Com esta frase ambos se calaram, e Dumbledore pôde expor suas teorias com mais facilidade.
- Onde estou?
Essa era a pergunta que martelava a cabeça de Carla, ao chegar em um aposento sujo e mal-acabado, como se não fosse usado há anos. A sala era escura, iluminada apenas pelo fogo da lareira e um archote à porta. Próximo à lareira, estava uma grande cadeira de veludo branco, sobre um enorme tapete. Ao canto, uma mesa com um punhado de pergaminhos desorganizados parecia ser sustentada apenas por três pés, e havia um grande mapa afixado na outra extremidade do local.
“Aqui só pode ser o quartel-general de Voldemort, não há outra explicação” cogitou, observando a tudo muito atentamente.
- E então, gostou de minha sala de planejamentos? – perguntou Voldemort friamente, se aproximando da garota e pondo uma mão em seu ombro.
Carla teve um arrepio ao sentir a mão fina e fria de Voldemort a tocar.
- Para ser sincera, achei um lixo. É muito fria e escura, é quase impossível enxergar direito por aqui.
- Pois sinta-se à vontade para mudar no que lhe agradar – disse suave e perigosamente. – Te dou dez minutos, voltarei para checar após esse tempo.
Ele foi saindo lentamente do aposento, sua longa capa negra se arrastando atrás de si. Assim que saiu, fechou a porta, e Carla teve a certeza de que a trancara lá dentro. Só não conseguia entender qual era o motivo de deixá-la arrumar a sala de planejamento sem supervisão alguma.
Passou os dois minutos seguintes examinando o ambiente, e cogitando qual seria a melhor maneira de arrumar tudo.
Sua primeira decisão foi a de colocar uma janela, certamente ela ajudaria a iluminar um pouco a sala. Colocou uma enorme ao fundo da sala, e teve imediatamente seu resultado: as coisas estavam muito mais claras e menos sombrias.
Sua segunda medida foi a de arrumar a mesa de pergaminhos, ordenando por data e local todos os ataques e planejamentos de ataques realizados nos últimos dois anos. Também substituiu o velho mapa da parede por um mais novo e atualizado, visto que o primeiro não tinha a localização do Ministério da Magia e de Hogwarts. Colocou umas duas cadeiras próximas à mesa e conjurou algumas penas a mais, junto com muitas tintas coloridas.
Depois deu uma rápida limpeza em tudo, retirando teias de aranha e poeira de todos os cantos possíveis. Por último, deixou a grande poltrona com uma aparência mais agradável, e acrescentou mais toras à lareira, esquentando mais o ambiente.
Nem teve tempo de respirar e Voldemort já estava de volta, trazendo agora algo oculto em sua mão esquerda. Ele observou rapidamente o resultado da arrumação da sala, mas não disse nada. Apenas caminhou até sua poltrona e se sentou.
- O que achou da nova decoração? – perguntou Carla, inquieta com o silêncio de Voldemort.
- Se ela lhe agrada assim, sou completamente indiferente.
- Ahn...
Carla ficara levemente desconcertada com a resposta do Lord, e não sabia o que dizer, nem o que fazer. Ficou parada a alguns passos da poltrona, esperando as próximas orientações de Voldemort.
- Wetts, venha aqui – ordenou ele, sem se mover.
- Sim, o que quer? – ela perguntou, se aproximando e ficando à vista de Voldemort, mas sem nenhuma cortesia em sua voz.
- Primeiramente quero que me trate com respeito. Nenhum Comensal me chama de outro nome a não ser Milorde. E é bom que o mesmo se enquadre em você.
- Me desculpe, mas eu não sou uma de seus Comensais, que podem ser mandados e desmandados como você quiser – retrucou Carla, impaciente. – Não se esqueça que estou aqui por livre e espontânea vontade, não fui intimidada a entrar em seu ciclo da Trevas.
- Como quiser – disse Voldemort indiferente. – Mas lembre-se que eu ainda sou a autoridade aqui, e você irá me servir, quer queiras ou não – completou em tom ameaçador.
- Já disse que somos quase parceiros, você não tem mais direito do que eu – desafiou a garota, destemida.
- Não fale deste jeito novamente, sua impertinente – exclamou Voldemort, apontando sua varinha na direção de Carla. – Crucio!
A maldição imperdoável atingiu bem no peito da garota, e ela caiu no chão, gemendo de dor. Aquela era a pior sensação que já sentira na vida, e era surpreendente como o golpe lançado por Voldemort podia ser mil vezes mais doloroso do que o que Snape lhe lançava em seus treinamentos.
O Lord parecia se divertir com o sofrimento da garota, e só cessou o feitiço depois de alguns minutos, quando julgou que a garota não agüentaria mais. Ela se levantou com dificuldade, e já segurava firmemente a varinha em seu bolso, para se defender em algum futuro ataque.
- Gostou da recompensa por me desafiar, garota? – perguntou ironicamente, dando um sorriso prazeroso no canto da boca torta – Agora espero que seja mais compreensiva, as coisas só tendem a andar mais rapidamente.
- Como quiser, Milorde – disse com a voz embargada, não se sabia se por puro despeito ou por causa do recente golpe que recebera.
Voldemort ficou em silêncio, examinando e brincando entre os dedos uma espécie de cordão muito negro, balançando uma pedra que estava pendurada. A pedra parecia pesar alguns quilos, pois balançava pesadamente conforme o movimento da mão de Voldemort. Era completamente preta, e lembrava vagamente uma bela opala em forma de gota.
- Já encontrei a solução para a Marca Negra, Wetts – comentou suavemente, observando a pedra. – Está vendo este colar?
- Sim, Milorde.
- Ele será seu – explicou lentamente. – Nele estão concentrados os maiores poderes das Trevas, com a exclusiva função da Marca Negra. Quando eu chamar todos os Comensais, você também irá sentir que estou chamando. É claro que de um meio muito menos doloroso – ele comentou, desdenhoso. – A única exigência é que você nunca deverá tirar esse colar do pescoço.
- E por que não? – perguntou a garota, observando o colar mais atentamente agora.
- Porque o colar irá sugar um pouco de sua alma, e se resolver tirá-lo por algum motivo, você estará com sua alma defasada, e morrerá em uma questão mínima de tempo.
- Estava mais do que óbvio que iria me prender de alguma maneira, eu achei que estava fácil de mais... – comentou exasperada, de modo que Voldemort a ouvisse.
- Pensou certo, Wetts – concordou o Lord. – Nunca iria deixá-la completamente livre, apta a mudar de idéia na hora em que lhe conviesse.
- Isso faz sentido.
- Pois pode começar a utilizar o colar agora mesmo – ele entregou o colar a Carla. – Irei chamar alguém para mostrar o resto da sede.
Carla segurou o colar e começou a examiná-lo minuciosamente. Aparentemente não havia nada de errado com ele, mas ela sabia que devia ter sido submetido a uma série de feitiços das Trevas. Lenta e cautelosamente, e pôs o colar em volta do pescoço, e instantaneamente uma massa negra saiu de dentro do colar, a envolvendo por completo. Voldemort deu um sorriso de triunfo. Finalmente estava tudo feito.
Ela ainda continuou envolta por uma substância negra, que lembrava a consistência de um grande manto, por algum tempo. Aos poucos foi tudo se dissolvendo e ela pôde ficar visível novamente, mas estava completamente mudada. No lugar das vestimentas de Hogwarts, ela usava agora um longo vestido negro, feito de seda, e um robe de mesma cor e tecido. Estava com uma maquiagem preta e o cabelo preso elegantemente. Sua voz também estava mudada, soava mais adulta e responsável, mas incrivelmente mais fria. Parecia decididamente uma mulher das Trevas
- Muito bom gosto, Milorde. Não esperava que fosse me dar vestimentas tão belas. Uma agradável surpresa, realmente.
- Que bom que gostou, pequena Wetts – disse Voldemort. – Agora, se não se importar, não gostaria de conhecer o resto do local?
- Seria muitíssimo interessante – ela concordou, polidamente.
Não sabia o que estava acontecendo com ele mesmo. Nunca precisara se preocupar com estes sentimentos. Os machucados e cicatrizes dos encontros com Voldemort continuavam marcados em sua pele, mas não parecia ter a menor importância. Havia uma dor muito pior o consumindo, uma dor que vinha lá de dentro, do coração.
Sua maior preocupação era com o que poderia acontecer com Carla. Voldemort era inescrupuloso, e poderia fazer qualquer coisa que passasse por sua mente. E não sabia o quão capaz a garota seria para enganar Voldemort, ainda mais que as emoções estavam tão à flor da pele ultimamente.
Sentiu-se culpado por tudo o que estava acontecendo. “Droga! Nada disso estaria acontecendo se não estivéssemos envolvidos!” – pensou amargurado, socando com força sua escrivaninha.
- Ei Snape, tenha cuidado. Assim irá machucar sua mão – disse uma voz passiva se aproximando, e fechando a porta em seguida.
- Lupin – comentou com desdém. – O que faz aqui?
- Achei que seria interessante não deixá-lo sentir-se culpado sozinho; vim dividir suas mágoas, para variar um pouco – ele comentou aparentemente descontraído, sentando-se no braço de uma poltrona próxima. Suas olheiras estavam mais profundas do que de costume, e Snape percebeu isso.
- Há, não espere que eu vá falar de sentimentos com você – desdenhou Snape, achando aquilo um enorme absurdo.
- Não precisa – o outro arqueou uma sobrancelha. – Sério. Eu só não queria que se sentisse culpado por tudo o que está acontecendo, sabe, a culpa não é só sua.
- Falou bem, não é só minha – disse friamente.
- Não estou sentindo muita cooperação em você, Severo – observou Remo. – Eu só estou querendo ajudá-lo, mas é difícil sem você querer ajuda.
- Estou muito bem sozinho, obrigado – retrucou Snape de maus modos.
- Mesmo que não queira ouvir, vou dizer – decidiu ele, ajeitando-se melhor na poltrona. – Não fique se remoendo com a partida de Carla, tenho certeza que ela está fazendo o que julga certo, e não vai se deixar dominar por Voldemort.
- Como diz para não me preocupar com ela?! – exclamou horrorizado – Ela é sua afilhada, deveria ao menos estar um pouco preocupado!
- Sim, eu estou preocupado – explicou Remo calmamente. – Mas minha preocupação fica em segundo plano quando penso que minha afilhada teve um treinamento muito puxado, e está apta a se sair bem nessas situações, mesmo que ninguém nunca tenha a deixado provar sua capacidade.
- Então está pondo a culpa em mim – murmurou em voz letal.
- Se você foi o único que ensinou a ela sobre Magia, sim, estou te culpando. Mas isso não acontece, você sabe que todos os professores que passaram por Hogwarts nesses últimos seis anos a ensinaram alguma coisa, mesmo que mínima. E ela tem uma enorme força de vontade, estou certo de que irá superar a situação.
- Você não sabe, Lupin, não estamos lidando com um Comensal qualquer, estamos lidando com o Lorde das Trevas – contrapôs Snape, agora completamente concentrado na conversa.
- Concordo, mas ela já teve uma experiência muito profunda com Voldemort e – Por favor, Severo, você já devia falar o nome dele! – e tenho certeza de que ela vai saber se virar. Ela é bem ardilosa quando quer.
- Não me lembre este maldito encontro do ano passado! – murmurou Snape, visivelmente desconfortável.
- Precisamos nos lembrar, para nossa esperança não diminuir.
- Certo, certo. Agora já chega, você já me fez me sentir melhor por hoje. Agora dê o fora.
Severo Snape já estava de pé, e abrira a porta de sua sala particular, indicando que Remo Lupin deveria se retirar. Ele balançou os ombros e se retirou, ao menos mais aliviado de poder desabafar com alguém diferente de Sirius e, de quebra, ajudar no ânimo do colega.
- Vocês chamam isso de sala de jantar? – perguntou uma voz inconformada.
- Srta. Wetts, essa sala foi a melhor que conseguimos, não há motivo para reclamações – disse Lúcio Malfoy, com uma voz que revelava cansaço.
- Pois tenho certeza de que há de melhorar – disse com convicção, retirando sua varinha do bolso do robe e fazendo leves acenos, mudando um pouco a aparência do local.
- Srta., o Lorde não nos dá permissão para... alterar... os cômodos da mansão – disse Malfoy cauteloso, não querendo despertar a fúria da garota.
- Pois saiba, Sr. Malfoy, que recebi passe livre de Milorde para deixar essa espelunca mais agradável – retrucou Carla com a voz séria e letal.
Ela fez ainda alguns acenos com a varinha, até se dar por satisfeita. Guardou suavemente sua varinha no bolso, o que fez Malfoy dar um suspiro de alívio. Não era prudente desafiar a nova queridinha do Lorde.
- Agora... onde ficam meus aposentos, estou realmente muito cansada de arrumar tudo aqui – ela virou o rosto para encarar Malfoy, e seu cabelo balançou graciosamente.
- Não quer conhecer as masmorras, Srta.? O Lorde acha muito importante que as conheça, afinal, é lá onde estarão confinados todos os traidores e refém que capturarmos – ele deu um pequeno sorriso de prazer, deixando à mostra seus caninos afiados. Mas, aparentemente, a garota não pareceu notar qualquer segunda intenção em sua voz.
- Sim, ele comentou algo sobre isso. Mas estou realmente cansada, Malfoy, gostaria de repousar – ela disse, não se importando muito com as masmorras.
- Como quiser – na voz dele já havia um trejeito de má-vontade embutido.
Malfoy a guiou até o segundo andar, onde havia uma série de portas dispostas a uma certa distância, e todas pareciam seguramente trancadas.
- O dormitório da senhorita – explicou ele, apontando para a última porta do corredor – é logo ali. Há uma série de feitiços de proteção, feitiços anti-ruído, e feitiços de privacidade máxima. Milorde deixou tudo muito bem preparado.
- Não precisa ficar com ciúmes, Malfoy querido – ela disse com sarcasmo, acariciando levemente o rosto dele. – Posso garantir que não gosto de ser a favorita por todos. – Adiós.
Ao dizer isto, ela deu um pequeno aceno com a mão antes de pegar graciosamente a chave da mão de Malfoy, entrar no quarto e fechar a porta sem que o Comensal pudesse reagir de qualquer forma.
Ela se surpreendeu ao ver o quarto. Era enorme, e tinha decoração medieval. A cama era de colunas e havia uma fina cortina de seda preta em volta, deixando a cama mais reservada. Os lençóis que a forravam era da melhor qualidade, e se revezavam entre tons vermelhos e brancos. A um canto havia uma luxuosa penteadeira, com todo o tipo de acessórios que uma mulher adoraria. Na outra extremidade havia uma grande prateleira cheia de livros, que Carla pôde constatar com gosto que eram todos sobre Trevas.
- Realmente estou surpreendida com o Lorde, nunca achei que fosse acertar meus gostos para dormitório – comentou admirada, observando mais atentamente a todos os detalhes.
As paredes foram pintadas em tom claro, quase branco, e o piso era feito de algum material muito polido, pois era possível ver parte de seu reflexo no chão. Na extremidade oposta à mini biblioteca, havia uma enorme janela coberta por leves cortinas, e ela teve o prazer de constatar de que havia uma belíssima varanda, cheia das mais belas flores. Para finalizar, ao lado da penteadeira, ela checou um enorme guarda-roupas com as mais diversas vestimentas, todas na maior qualidade possível, e a maioria em tons escuros.
- Não podemos negar que o Lorde sabe como deixar uma mulher sexy – disse segurando uma pequena risada, enquanto tocava em cada um dos tecidos que sua mão pôde alcançar.
Deu mais uma volta no dormitório, e sentiu um enorme prazer em estar ali. Era algo inexplicável, algo que nunca sentira na vida. E, decididamente, daria tudo para manter aquela sensação para sempre.
Inconscientemente, ela acariciou a pedra em seu colar e a segurou com força, enquanto pensava.
- Agora está feito – disse para si mesma, após algum tempo em silêncio. – Então que comece o show!
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