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Boletim Mensal * Ano VI * Janeiro de 2008 * Número 58 |
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Continuação da pag. 8
A religiosidade humanista levou-o a lutar contra a Inquisição. Depois de preso e perseguido em Portugal pelo Santo Ofício, foi para Roma e conseguiu que o Papa travasse a Inquisição portuguesa ao pedir contas sobre a forma como decorriam os julgamentos dos cristãos-novos. Foi infelizmente por pouco tempo, já que os poderes fáticos à volta da Inquisição e, sobretudo da apropriação dos bens dos perseguidos levaram ao reatar das piores práticas, feitas a coberto do fundamentalismo religioso e que tanto prejudicaram o Portugal que dera novos mundos ao Mundo.
Apesar das viagens serem longas, difíceis e perigosas no seu tempo, o Padre António Vieira assentou os conhecimentos e capacidades numa grande diversidade de contatos e experiências que lhe proporcionaram correr o Mundo. Só travessias do Atlântico fez sete, de Portugal para o Brasil e vice-versa. A primeira foi aos seis anos, para a Bahia, e a última no mesmo sentido aos 73 anos, desiludido pelas condenações do Santo Ofício e tratamento indigno por parte da Universidade de Coimbra, onde queimaram a sua esfinge em palha. A vida e a luta pelos seus objetivos levaram-no ainda à Holanda, onde negociou com os judeus fugidos de Portugal, e a Roma, onde conseguiu apoio do Papa para parar a Inquisição.
Nasceu em Lisboa a 6 de Fevereiro de 1608, filho de família modesta mas letrada. O pai Cristóvão Vieira Ravasco era funcionário publico na Bahia e a avó paterna uma serviçal mestiça. Faleceu na Bahia, na Quinta do Tanque, com 89 anos, a 18 de Julho de 1697.
Fontes:- João Vaz, “Correio da Manhã”, de 09/02/2008, com a devida vênia e agradecimento.
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“D. João VI no Brasil”,
Oliveira Lima, 3ª. Edição, Topbooks Editora e Distribuidora de Livros, Rio de Janeiro, 1996 |
Para que pudéssemos escrever algo sobre os 200 anos da chegada da Corte Portuguesa ao Brasil (boletim de Janeiro de 2008), pesquisamos e relemos quase tudo o que se publicou sobre o assunto e não pudemos deixar de destacar o que um sociólogo escreve de um historiador, ambos pernambucanos, na contra capa do livro a que referimos no título deste artigo.
Gilberto Freyre, ilustrando com um desenho de sua autoria (1921), a caricatura do autor e o seu auto retrato, do lado esquerdo do desenho, de terno, escreve:-
“Considerada no conjunto, como obra de historiador-sociológo –virtude que faltou a Varnhagen- nenhuma outra, do século passado e do começo do atual, a supera;... D. João VI no Brasil é, além de biografia, história social, sociologicamente interpretada.”
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Neste Mundo, nada se cria, tudo se copia ...
“ORDINARIAMENTE todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas.
Porem, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz um ESTADISTA.
É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?”
Não, este artigo não foi escrito ontem, nem hoje, foi escrito Eça de Queiroz, em 1867, no jornal “O Distrito de Évora”.
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Um século do regicidio de 1 de Fevereiro de 1908
Em 1907/1908 vivia-se
em Portugal um clima de revolta à ditadura que o Chefe do Governo de D. Carlos,
João Franco, havia implantado no País. Entre os opositores ao Governo estavam
não só os intelectuais como também a alta sociedade portuguesa, Aquilino
Ribeiro, Afonso Costa, Egas Moniz, António José de Almeida, João Chagas, João
Pinto Santos, Visconde da Ribeira Brava e muitos outros. O Exercito é que
parecia não querer entrar em revoluções.
No dia 31 de Janeiro de 1908 o Rei D. Carlos assinou, em Vila Viçosa, um decreto que revoltou a Oposição e que autorizava a expulsar do País ou deportar para as colônias de África, os implicados.
No dia 1 de Fevereiro, depois de desembarcar no Terreiro do Paço, vindo daquela vila alentejana, o Rei D. Carlos e o Príncipe herdeiro D. Luis Filipe seguiam num landau aberto que os transportava para o Paço. Ao chegarem à entrada da Rua do Arsenal um popular desfechou dois tiros no Rei que morreu instantaneamente e outro deu um tiro no Príncipe herdeiro que também morreu na hora.
Os dois assassinos foram presos logo em seguida, julgados e enforcados.
Este atentado foi o começo do fim da Monarquia Portuguesa e semente da revolução de 5 de Outubro de 1910 que levou à Primeira Republica, à I Grande Guerra Mundial e o Pais ao caos.
