Boletim Mensal * Ano VI * Janeiro de 2008 * Número 57

     

 

  Continuação da pag. 8

            Sergipe era terra de ninguém e os flamengos só ali entravam fortemente armados e em grande numero para se defenderem dos ataques das guerrilhas luso-brasileiras, para capturar algum gado do que ali pastava em abundancia, para sua alimentação.

            Nassau ainda tentou conquistar a Bahia, em Abril de 1638, com 3.500 soldados e 1.000 índios, mas depois de sucessivas derrotas retirou-se para o Recife, pela calada de uma noite de chuva, deixando no terreno mais de 1.200 mortos, feridos e prisioneiros. Foi a partir desta derrota que o governo de Nassau começou a merecer a desconfiança dos diretores da Companhia das Índias Ocidentais.

            Depois destas pequenas explicações, vamos agora analisar a ultima fantasia de pura teoria de Goebbels:- “Mauricio, 1567-1625, Príncipe de Orange e artífice da guerra naval”.

            Consultamos os livros:-

            “História dos feitos recentes praticados durante oito anos no Brasil”, Gaspar Barleus, Editora Universidade de São Paulo e Livraria Itatiaia Editora, São Paulo 1974, no livro de propaganda pessoal encomendado por João Mauricio de Nassau ao seu autor. Não consta que tenha tomado parte em quaisquer  batalhas navais.

            “Nassau”, Evaldo Cabral de Mello, Companhia de Letras, São Paulo 2006. É mais completa biografia de João Mauricio de Nassau publicada até hoje. Também não consta que alguma vez tenha tomado, ou muito menos planejado estrategicamente, qualquer batalha naval.

            Talvez o autor do fascículo tenha algum livro secreto na Biblioteca, de que é curador, na Fundação a que presta serviço, que gostaríamos de conhecer.

            Honestamente é como muita tristeza que escrevo estas linhas. Fico pensando como é que alguém que se orgulhe de ser Pernambuco (eu sou pernambucano adotivo e tenho ORGULHO de sê-lo) pode patrocinar ilusões e fantasias que somente envergonham a Gloriosa História de Pernambuco.

            Tenho 72 anos de idade e, enquanto Deus me der vida e saúde, com alma e coração continuarei a defender as gloriosas verdades históricas de minha Pátria adotiva.

Fonte:- Pags. 10 e 11 do fascículo 19 de Pernambuco e-história anexo ao Diário de Pernambuco de 12/11/2007

 

Nota do Editor:- ... João Mauricio de Nassau, não entendendo nada de assuntos de navegação, não pode ter parte em louros porventura colhidos pelos valentes marujos holandeses (a Holanda era uma das províncias da Republica das Províncias Unidas ou Republica dos Países Baixos), bravos e bem organizados, porque naquelas épocas as esquadras flamengas, não recuavam diante de esquadra alguma, fosse ela hispano-portuguesa, inglesa ou francesa. Mauricio era tão alheio às lides do mar que lhe faltava a condição primordial para ser um marinheiro sofrível: adaptar-se aos movimentos das ondas. Ele era sensível ao enjôo...” Paginas 32 e 33 do livro “Mauricio de Nassau contra a integridade do Brasil” de Américo Mendes de Oliveira Castro, Editora A Noite, Rio de Janeiro, 1943.

 

Data Magna de Pernambuco

 

Escolher o dia 6 de Março (1817) como Data Magna do nosso Estado, é conspurcar a Gloriosa História do Brasil e de Pernambuco e de todos aqueles heróis que, desde 1500 até à presente data, deram tudo o que podiam, centenas deles até a própria vida, para que nosso País permanecesse UNO E INDIVISÍVEL.

            Esta escolha prova, como afirma o Ministério da Educação, serem os alunos das escolas de Pernambuco, os segundos piores estudantes do Brasil.

            Lamentável.

     

Nota do Editor: - Poderá parecer estranho a alguns leitores ilustrar um comentário sobre a Data Magna de nosso Estado com a foto de Napoleão, mas um dos objetivos da revolução de 1817, “...era recrutar (nos USA) anti  revolucionários franceses exilados em território americano para, com a ajuda deles, libertar Napoleão Bonaparte, prisioneiro dos ingleses na Ilha de Santa Helena ...Napoleão seria retirado da cadeia pela calada da noite e transportado ao Recife onde comandaria a revolução Pernambucana para, em seguida, regressar a Paris e reassumir o trono de Imperador da França”. Págs. 283 e 284 do livro “1808”, citado na 1ª. Pagina deste Boletim.

 

 

 

8ª. Pag., do fascículo 26, de ‘Pernambuco, e-história’, por Leonardo Dantas da Silva, publicado em anexo ao “Diário de Pernambuco”, 31/12/2007, primeiro parágrafo:-

            “Foi a Guerra da Liberdade Divina, como fora chamada Insurreição Pernambucana eclodida (terminada), em 1654, um movimento em defesa da “santa religião Católica Romana”, surgida à revelia da própria Coroa portuguesa, da parte dos moradores de Pernambuco, destinado à expulsão dos luteranos e calvinistas holandeses (flamengos) e de outras nacionalidades do território compreendido entre o rio São Francisco e a Capitania do Maranhão.

            Antes de Guararapes os nascidos no Brasil, mesmo quando filhos de portugueses eram simplesmente chamados de mazombos. O gesticulo brasileiro, do qual tanto nos orgulhamos, é fruto desses nossos ancestrais que à custa de seu sangue, de suas vidas e de suas fazendas lançaram  as sementes de nossa nacionalidade.

            Foi no calor da guerra brasílica, assim chamada para dominar a ampla utilização de métodos e táticas de guerrilhas, até então desconhecidas dos exércitos europeus, que pela primeira vez mazombos e reinóis, índios brasilianos, negros de nação, crioulos e mulatos, formaram seus terços e juntos lutaram pela restauração desta terra.

            Movidos pelo mesmo ideal, participando das mesmas tocaias, escaramuças e batalhas, lutando ombro a ombro, sem ajuda de qualquer força exterior, eles conseguiram a expulsão do forte e bem armado invasor holandês (flamengo) e assim conquistaram suas próprias fronteiras.”

            Sr. Professor e Historiador Dr. Leonardo Dantas da Silva, depois de escrever esta maravilhosa página da História do Brasil e de Pernambuco, como é que o Sr. vota para Data Magna do Estado de Pernambuco, o dia 6 de Março (de 1817), o início de uma revolução que começou com dois assassinatos, nunca teve o apoio popular nem da então Comarca de Alagoas e pretendia dividir o Brasil???

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