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Boletim Mensal * Ano VI * Janeiro de 2008 * Número 57 |
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“Foi o único que me enganou”
Napoleão Bonaparte, nas suas memórias escritas pouco antes de morrer no exílio na Ilha de Santa Helena, referindo-se a D. João VI, Rei do Brasil e de Portugal.
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O mundo pensa que em 29 de Novembro de 1807, a Corte Portuguesa, todos os seus protegidos e milhares de nobres e militares provocaram o caos em Lisboa porque se iria abandonar em pânico e sem qualquer plano Portugal ao exercito de Napoleão que, comandado por Junot, estava às portas de Lisboa. Isso não corresponde, completamente, à verdade. Havia não só um plano, mas vários, para a Corte embarcar para o Brasil. Algumas décadas antes, em 1736, o Embaixador de Portugal em Paris, Luis Cunha, escrevia a D. João V dizendo que ele jamais se sentiria seguro em Portugal e sugeria que a Corte mudasse para o Brasil onde ele assumiria o título de “Imperador do Ocidente” e nomearia um vice-rei para Portugal. Em 1762, o primeiro ministro de Portugal, Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal, diante de uma ameaça de invasão pelos espanhóis, propôs ao Rei D. José I que, “tomasse as medidas necessárias para mudar para o Brasil”. Em 1801, com Napoleão dono da Europa, esses antigos planos tomaram foros de urgência. Nesse ano Portugal foi derrotado pelas tropas espanholas que, ajudados pelos franceses, ganharam a chamada “Guerra das Laranjas” e, até hoje, o país perdeu Olivença. Temendo a fragilidade do Reino, o terceiro Marquês de Alorna, D. Pedro de Almeida Portugal, escreveu ao regente D. João (mais tarde D. João VI), dizendo:- “Vossa Alteza tem um grande Império no Brasil ... é preciso que mande armar com toda a pressa todos os seus navios de guerra e todos os transportes que se encontrem no porto de Lisboa e que meta neles a Princesa, os seus filhos e os seus tesouros.”. Dois anos depois, em 1803, o chefe do Tesouro Real, D. Rodrigo de Sousa Coutinho, mais tarde Conde de Linhares, enviou ao Regente D. João um relatório com o que se passava na Europa e dizia:- “Depois de devastado por uma longa e sanguinolenta guerra, ainda resta ao seu Soberano, e a seus povos, irem criar um grandioso Império no Brasil.” E foi isso o que sucedeu. A frota portuguesa possuía na altura cinqüenta navios de guerra, dez deles inoperantes. Os ingleses que haviam destruído as frotas francesas e espanholas, na batalha de Trafalgar, possuíam 880 modernos navios de guerra e eram os donos dos oceanos do Mundo. Cinqüenta desses vasos de guerra ingleses estavam na barra de Lisboa para proteger a família real até ao Brasil ou bombardearem Lisboa. Cont na pág 02
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