Boletim Mensal * Ano V * Agosto de 2007 * Número 53

           

 

         

O navio escola “Sagres”, visitou o Recife

 
       Entre 25 e 30 de Julho findo, escalou o porto do Recife, no âmbito das comemorações da Presidência Portuguesa da União Européia, o navio escola “Sagres”, da Marinha de Guerra Portuguesa, comandado pelo capitão de mar e guerra José Luis P. A. do Vale de Matos, com 200 tripulantes, entre eles 40 cadetes da Escola Naval (oito do sexo feminino) em viagem de instrução de final de curso.
            Para recebê-los esteve no Recife o Embaixador de Portugal no Brasil, Dr. Francisco Seixas da Costa que, junto com o Cônsul de Portugal no Recife, Dr. Fernando Marcos, acompanharam o Comandante Vale de Matos e representantes da tripulação do navio, nos cumprimentos às autoridades brasileiras e visita às associações portuguesas e luso-brasileiras de nossa cidade.
            No dia 27, no decurso da visita ao Museu do Remo do Clube Esportivo Almirante Barroso foi descerrada pelo Comandante Vale de Matos, uma placa comemorativa da passagem da “Sagres” pelo Recife, sendo-lhe oferecida uma plaqueta com a cópia da placa inaugurada. O Comandante ofereceu ao Barroso, para o Museu uma replica do Brasão do Navio. Seguiu-se um almoço, com um cardápio exclusivamente de pratos tradicionais do nordeste do Brasil. Na noite do mesmo dia, foi oferecido pelo Comandante do navio, um cocktail a bordo a autoridades brasileiras e representantes de todas as associações portuguesas do Recife.
            No decurso do cocktail o Presidente do Conselho da Comunidade Portuguesa em Pernambuco ofereceu ao Embaixador de Portugal no Brasil e ao Comandante da “Sagres” o fac-símile da carta em que João Fernandes Vieira comunicou a El-Rei de Portugal, D. João IV, que os flamengos tinham sido derrotados e estavam sendo expulsos do Brasil reunificado.

C U R I O S I D A D E

            Quem foi visitar o navio escola “Sagres” certamente viu 10 tonéis, devidamente amarrados no convés, que continham 6.000 litros de vinho. Essa operação resultou de um convenio firmado entre a Marinha Portuguesa e a firma José Maria da Fonseca, uma das maiores vinícolas portuguesas, para que esse vinho se transformasse, no regresso da “Sagres” a Lisboa, em vinho “torna viagem”.
            O vinho “torna viagem” foi descoberto do seguinte modo:- Uma nau da carreira da Índia carregou na ilha da Madeira umas pipas de vinho para Goa. Ali chegado, o destinatário não quis receber o vinho porque não era de boa qualidade e a nau o trouxe de volta para a Madeira o vinho devolvido. Quando foram abrir as pipas viram que o vinho se tinha modificado e se transformara num belíssimo vinho. Atribuíram então, depois de várias experiências, à batida do vinho na pipa de carvalho em que era transportado, com o balança do navio à vela, a sua transformação. Passaram então os madeirenses mandar seu vinho ir e voltar à Índia sempre com resultados esplendidos (sugiro que o nosso enologo da “Coluna dos Vinhos” que escreva algo sobre o assunto).
            Sendo assim, quando a “Sagres” regressar a Lisboa, José Maria da Fonseca terá umas 6 a 7 mil garrafas de vinho “torna viagem”, de certo uma raridade,  para quem tiver a sorte de o beber na ceia de Natal.

 

Comendador João Lopes Ferreira
 

 Após doença prolongada, faleceu no dia 31 de Julho findo, o destacado membro da Comunidade Portuguesa, Comendador João Lopes Ferreira, advogado, empresário, escritor, poeta, Conselheiro, por um mandato, do Conselho da Comunidade Portuguesa (Mundial), diretor, por largos anos, do Conselho da Comunidade, mordomo do Real Hospital Português, Presidente da Diretoria Executiva do Gabinete Português de Leitura por 3 mandatos sucessivos e galardoado pelo Governo Português com a Medalha de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

            A nossa Academia, da qual era “compadre”, e este Boletim, onde, por vezes, colaborava, apresentam à família enlutada as mais sentidas condolências.

 

       

 
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