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Atentos Compadres, recebi uma saraivada de comentários
acerca do último artigo, no qual versei sobre a mítica degustação de
Paris, ocorrida em 1976, onde vinhos californianos desmistificaram o
vinho francês, fazendo com que especialistas franceses reconhecessem que
em outros lugares do mundo também se poderia produzir vinho de
qualidade.
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Também
me chegou um comentário sobre um artigo publicado há alguns meses,
acerca da qualidade de vinhos produzidos no Novo Mundo (África do Sul,
Austrália, Nova Zelândia, Chile, Argentina, etc), além de ventilar sobre
as associações que estão surgindo em torno desse assunto por demais
instigante: o vinho.
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Pois bem. Sem querer fazer proselitismo com
quem não faz parte de nenhuma associação e já dizendo que fazer parte de
associações, confrarias e sociedades que giram em torno do vinho é
espetacular, seja pelo aspecto de relacionamento interpessoal, seja pelo
aspecto de aprofundar os conhecimentos enológicos, seja apenas para se
divertir junto aos amigos, venho exaltar meu empirismo na Associação
Brasileira de Sommeliers – PE, numa degustação ocorrida no início do
mês, na qual provei vinhos de várias nacionalidades.
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Apesar de sempre me considerar um neófito na
área, tive a oportunidade de conversar com uma platéia altamente
especializada sobre a harmonização entre frios, queijos e vinhos –
inclusive é valente ressaltar a dificuldade que é proceder com o
“casamento” entre eles, ao contrário do que habitualmente se pensa – e
dessa degustação pude ter noção e apreciar inúmeros aspectos que antes
me passavam desapercebidos.
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O formato do encontro muito me chamou a
atenção, primeiro porque houve a apresentação das empresas fornecedoras
dos frios, trazendo sua linha top de linha e demonstrando o
processo de fabricação do produto desde o início, ou seja, desde a
seleção dos suínos e bovinos até a forma como eles deviam ser
consumidos, com destaque para a montagem de uma tábua, a apresentação e
suas nuances. Pequeno detalhe de grande importância para quem é ávido
por receber amigos e fazer com que eles se sintam bem como convidados.
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Posteriormente, alguns dos Diretores tiveram a
oportunidade de falar sobre a harmonia entre os produtos, uma vez que a
cada vinho diferente (no total foram cinco) eram servidos queijos e
frios específicos.
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O escriba dessas linhas teve a oportunidade
de provar um Pinot Noir Bourgogne Cuvée Louis Latour (francês) e
harmonizar com queijos edam e prato esférico, além de uma copa suína –
para quem não sabe a copa é feita de uma única peça, localizada no dorso
do porco, sendo temperada e salgada antes do processo de defumação –
elementos que se harmonizaram perfeitamente. Quase tão perfeitamente
quanto meu casamento com a perspicaz Celinha, que muito me auxiliou
exaltando minhas palavras e iniciando os desmerecidos, mas lisonjeiros
aplausos que recebi ao final. Talvez por me conhecer tão bem, notou que
eu já havia encerrado o discurso, fato notado com certo atraso pelos
demais.
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Todos provaram, em seguida, um Kresmmann
Syrah, do Chateau Latour (francês), combinando com queijo parmesão em
pedaços e pastrami, que estavam deliciosos. Ressalto que apesar do grau
de dificuldade a junção das peças foi muito prazerosa.

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Foi oportunizado degustar, ainda, um Stamp
Hardy’s Cabernet/Merlot (australiano), que casou muito bem com um
presunto tipo parma e queijo edam, não deixando nenhum gosto metalizado
na boca, fato esse perceptível quando a combinação não é bem feita.
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O último vinho anunciado e tomado de forma
esplêndida com o queijo brie foi o Los Vascos Cabernet Sauvignon
produzido pelo Baron de Rothschild e, apesar do produtor, o vinho é
chileno – mostrando que a harmonia, sem trocadilho, entre produtores do
velho e novo mundo está em alta - sempre havendo pão e água entre os
intervalos do serviço dos vinhos, a fim de limpar as papilas gustativas
e para que os presentes pudessem provar os vinhos em sua plenitude.
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A surpresa veio após, quando todos pensaram
que havia encerrado a maratona viníca, a direção da ABS/PE apresentou o
grand finale, um vinho do porto branco, o Vinzelo (português), da
Quinta do Ventozelo com queijo gorgonzola e salame. Perfeito! Por essa
eu não esperava.
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Concluí que não há porque se buscar a harmonização
perfeita em todos os momentos. O mais desafiador e instigante é
justamente a experimentação e a busca de novos sabores, texturas,
pratos, iguarias, bebidas e alimentos. Muitas das vezes se poder errar,
diria um cético (e cauteloso) amigo. Correto. Mas o prazer de você
acertar um casamento perfeito, uma harmonização prodigiosa, é
inigualável (e audaciosa). Experimentalismo!
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É a palavra de ordem.