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...A
emigração do século XIX dirigiu-se quase toda para o Brasil, em
especial para o Rio de Janeiro. Uma estatística já do século XX
(1913) dá bem a idéia da composição social do contingente emigrante:
28.000 rurais, 20.000 sem profissão, 5.000 artífices (pedreiros,
carpinteiros, ferreiros), apenas 200 operários fabris. Na sua
maioria, era gente sem nenhuma especialização profissional.
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Parte ficava no Rio, onde o pequeno comércio de retalho
chegou a estar quase todo nas mãos de portugueses; a maioria foi
trabalhar para o interior, substituindo a mão-de-obra escrava
emancipada pela lei de 1888. A vida que aí levaram não foi diferente
da dos escravos. O arroteamento de terras novas e a enorme expansão
da área do café foi em boa parte feita por portugueses trabalhando
por conta alheia.
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... O número de emigrantes regressados a Portugal não
foi grande. A imensa maioria partiu pobre e morreu pobre. O Brasil
era, dizia-se, o «cemitério dos portugueses». O humor nacional
cobriu de sátiras e epigramas os que voltavam e o «brasileiro» foi
eleito como terno favorito da chocarrice literária. O sarcasmo não
deixou tempo para fazer justiça a urna obscura epopéia coletiva que
é urna das mais vigorosas afirmações das qualidades do povo
português na
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época
contemporânea. .
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A emigração verificou-se das regiões de pequena
propriedade; quase não há alentejanos entre os emigrantes. A
explicação está em que para a longa viagem transatlântica era
preciso dinheiro, e isso só se verificava nas regiões onde a maioria
da população rural mantinha ainda alguns vestígios de propriedade:
Minho, Douro, Beira Alta, Beira Litoral. O emigrante vendia a
courela, ou a «legítima», isto é, a porção de bens que, segundo o
Código Civil, não podia deixar de herdar. E partia quase sempre
sozinho, deixando na terra a família e as dívidas. Para ajudar a
primeira a pagar as segundas, e também para adquirir terras, mandava
para Portugal o que podia economizar.
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As remessas dos emigrantes, facilitadas pelo serviço das
agências bancárias, tornaram-se então uma enorme receita nacional.
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Herculano escreveu que nunca o Brasil foi tão lucrativo
como quando deixou de ser colônia.
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Em 1873 calculava ele as remessas de emigrantes em 3000
contos por ano; Oliveira Martins avaliou-as, em 1891, em 12000
contos. Era um valor grande em relação aos
valores da época: os trabalhadores emigrados
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