Boletim Mensal * Ano V * Março de 2007 * Número 48

           

Como há quase dois século...

 “São os emigrantes que concorrem para sustentar o País que os não sustentou a eles”, Afonso Costa (1911)

AFONSO COSTA - (Ocupou a Presidência do Ministério de 25 de Abril a 10 de Dezembro de 1917, acumulando, uma vez mais, as Finanças. Governo exclusivamente constituído por democráticos, mas com o apoio parlamentar dos evolucionistas. É derrubado e preso  pela revolução de Sidónio Pais.)

 

Exmo. Senhor Presidente da Republica Dr. Aníbal Cavaco Silva e Exmo. Senhor Primeiro Ministro Engenheiro José Sócrates ainda não terá chegado a hora de sermos considerados, como manda a Constituição, iguais aos portugueses que ai vivem???

 
...A emigração do século XIX dirigiu-se quase toda para o Brasil, em especial para o Rio de Janeiro. Uma estatística já do século XX (1913) dá bem a idéia da composição social do contingente emigrante: 28.000 rurais, 20.000 sem profissão, 5.000 artífices (pedreiros, carpinteiros, ferreiros), apenas 200 operários fabris. Na sua maioria, era gente sem nenhuma especialização profissional.
            Parte ficava no Rio, onde o pequeno comércio de retalho chegou a estar quase todo nas mãos de portugueses; a maioria foi trabalhar para o interior, substituindo a mão-de-obra escrava emancipada pela lei de 1888. A vida que aí levaram não foi diferente da dos escravos. O arroteamento de terras novas e a enorme expansão da área do café foi em boa parte feita por portugueses trabalhando por conta alheia.
            ... O número de emigrantes regressados a Portugal não foi grande. A imensa maioria partiu pobre e morreu pobre. O Brasil era, dizia-se, o «cemitério dos portugueses». O humor nacional cobriu de sátiras e epigramas os que voltavam e o «brasileiro» foi eleito como terno favorito da chocarrice literária. O sarcasmo não deixou tempo para fazer justiça a urna obscura epopéia coletiva que é urna das mais vigorosas afirmações das qualidades do povo português na
época contemporânea. .
            A emigração verificou-se das regiões de pequena propriedade; quase não há alentejanos entre os emigrantes. A explicação está em que para a longa viagem transatlântica era preciso dinheiro, e isso só se verificava nas regiões onde a maioria da população rural mantinha ainda alguns vestígios de propriedade: Minho, Douro, Beira Alta, Beira Litoral. O emigrante vendia a courela, ou a «legítima», isto é, a porção de bens que, segundo o Código Civil, não podia deixar de herdar. E partia quase sempre sozinho, deixando na terra a família e as dívidas. Para ajudar a primeira a pagar as segundas, e também para adquirir terras, mandava para Portugal o que podia economizar.
         As remessas dos emigrantes, facilitadas pelo serviço das agências bancárias, tornaram-se então uma enorme receita nacional.
            Herculano escreveu que nunca o Brasil foi tão lucrativo como quando deixou de ser colônia.
            Em 1873 calculava ele as remessas de emigrantes em 3000 contos por ano; Oliveira Martins avaliou-as, em 1891, em 12000 contos. Era um valor grande em relação aos valores da época: os trabalhadores emigrados

 

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