Boletim Mensal * Ano V * Março de 2007 * Número 48

           

(Continuação da página 1) 

Leia o que escreve um dos mais conceituados historiadores brasileiros, Francisco Adolfo Varnhagen, Visconde de  Porto Seguro, em seu livro “História das Lutas contra os holandeses no Brasil, desde 1624 a 1654”, Biblioteca do Exercito Editora, 2ª. Edição, Rio de Janeiro 2002:-
                “ Mais de dois anos haviam decorrido desde a chegada dos holandeses e encontravam-se eles ainda encurralados dentro do Recife e do pequeno Forte de Orange, na Ilha de Itamaracá (este forte nada tem a ver com o que lá ainda hoje se encontra, cujo verdadeiro nome é Fortaleza de Santa Cruz e foi construído pelos portugueses em 1688) . Já na Holanda se começava a discutir a idéia de abandono do Brasil, quando em 20 de Abril de 1632 uma lamentável ocorrência veio mudar o rumo dos acontecimentos, atiçar a guerra e prolongar a duração do domínio inimigo. Consta, pelo testemunho de dois escritores que conheceram pessoalmente o Calabar, e que deram os seus depoimentos ante a posteridade,  alguns anos depois da morte do mesmo Calabar, que a origem da deserção procedeu do temor do castigo, em virtude dos grandes crimes cometidos. Esses crimes, segundo uma das testemunhas, que foi ninguém menos que o sacerdote que ouviu o réu de confissão na hora da morte, 22 de Julho de 1635, quando foi enforcado e esquartejado, a pena de morte aplicada aos traidores, e foi assistido por Frei Manuel do Salvador que, mais tarde, com o nome de Frei Manuel Calado escreveu o livro “O Valeroso Lucífero”, foram os grandes furtos, em virtude dos quais Calabar receava ser perseguido pelo “Provedor André de Almeida”...
                ... É inquestionável que, como militar ajuramentado às Bandeiras, o Calabar foi perjuro desertando delas e que, como súbdito, abrindo exemplo à deserção e prestando serviços na guerra contra a sua Pátria e os seus concidadãos. Foi ao mesmo tempo UM TRAIDOR.” (paginas 93 e 94 do livro citado).
                Vejamos agora o que em seu livro “História dos feitos recentes praticados durante oito anos no Brasil”, Gaspar Barleus, historiador holandês, escreve sobre Calabar:-  “Quanto a Domingos Calabar, que era português, como tivesse se afastado deles por ordens régias, capturado na cidadela de Porto Calvo e enforcado, expiou a falta com o próprio pescoço e abandonou as articulações de traição, bem como às testemunhas de sua miséria no espetáculo”.
                Quando aqueles que ele ajudou a ocupar Pernambuco, Paraíba, Alagoas e o Rio Grande do Norte assim o descrevem, como poderá o jornalista Sebastião Nery escrever que ele foi “um patriota injustiçado”???
                Poderia citar aqui mais de uma dezena de respeitáveis historiadores, de diversas nacionalidades, que confirmam, todos eles, a traição de Calabar e a sua conduta junto ao inimigo invasor, levando-os a atacar e massacrar populações, trabalho sujo que o inimigo invasor deixava para os índios tamoios, seus aliados.
                Só nos resta esperar que o Prefeito de Porto Calvo, Carlos Eurico e Lima retifique o seu talvez orgulho político/eleitoral de um conterrâneo que traiu a Bandeira a que jurou fidelidade, a Pátria onde nasceu e o Exercito a que servia na gloriosa luta conta o invasor inimigo.
                Em  todos os livros de história sobre a luta do povo nordestino contra o invasor inimigo, Calabar foi um TRAIDOR. Esqueça-se dele e orgulhe-se, isso sim, dos monumentos históricos de sua cidade e do lugar onde um traidor foi condenado.
 
Nota do Editor:- Nas fotos 3 Heróis Brasileiros na luta contra o invasor inimigo. Filipe Camarão, um índio, Vidal de Negreiros, um branco da Paraíba e Henrique Dias, um negro que deu a vida por sua Pátria. Honremos a sua memória.

ULTIMA HORA

O CONSULADO DE PORTUGAL NO RECIFE REBAIXADO A VICE-CONSULADO

 

      Apesar de todos os esforços desenvolvidos pela Comunidade Portuguesa do Recife, a Assembléia da Republica, de maioria Socialista, aprovou em 15 do corrente o rebaixamento do secular Consulado de Portugal no Recife para Vice-Consulado. No próximo Boletim, depois do decreto publicado, iremos analisá-lo com mais detalhes.

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